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Braço direito de Mandetta, secretário Wanderson Oliveira pede demissão do Ministério da Saúde

José Matheus Santos
José Matheus Santos
Publicado em 15/04/2020 às 12:22
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
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O secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Wanderson de Oliveira, pediu demissão na manhã desta quarta-feira (15), informa a pasta.

Natural de Minas Gerais, Wanderson era o principal quadro técnico do Ministério da Saúde e é defensor do isolamento social durante a pandemia do novo coronavírus. Ele é visto, nos bastidores, como um conhecedor da estrutura de saúde do Brasil, bem como por estudos científicos.

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O agora ex-secretário de Vigilância em Saúde foi pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) antes de assumir o cargo na pasta com a chegada de Mandetta ao Ministério, em janeiro de 2019.

Wanderson de Oliveira é reconhecido por ter atuação nas epidemias do H1N1 e da zika. Ele era visto no Ministério da Saúde como um "estrategista" e braço direito do ministro Luiz Henrique Mandetta, já que o número 2 da pasta, o gaúcho e secretário-executivo João Gabbardo dos Reis, foi indicado ao Ministério por influência do ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni (DEM-RS), e do deputado federal Osmar Terra (MDB-RS), desafetos de Mandetta. Inclusive, Terra trabalha para assumir o Ministério da Saúde.

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'Gestão de Mandetta acabou'

Mais cedo, antes da saída ser oficializada, Wanderson enviou carta aos funcionários do seu setor na pasta afirmando que "a gestão Mandetta acabou" e que se preparava "para sair junto".

O comunicado foi enviado nesta quarta-feira (15) a integrantes do Ministério e revelado pela coluna de Mônica Bergamo, na "Folha de S.Paulo".

Wanderson Oliveira afirmou ainda que "só Deus para entender o que querem fazer".

"Finalmente chegou o momento de despedida. Ontem tive reunião com o ministro e sua saída está programada para as próximas horas ou dias. Infelizmente não temos como precisar o momento exato. Pode ser um anúncio respeitoso diretamente para ele ou pode ser um Twitter. Só Deus para entender o que o querem fazer", disse o então secretário, presença constante nas entrevistas coletivas diárias sobre o coronavírus ao lado do ministro Mandetta.

"De qualquer forma, a gestão do Mandetta acabou e preciso me preparar para sair junto, pois esse é um cargo eletivo e só estou nele por decisão do Mandetta", acrescentou Wanderson.

Segundo a jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, outros integrantes do primeiro escalão da Saúde já comunicaram que saem junto com o ministro.

Nesta quarta-feira (15), a coluna Painel, da Folha de S.Paulo, revelou que o próprio Mandetta já se despediu dos subordinados e disse que aguarda apenas que Bolsonaro encontre um nome para substituí-lo.

Leia a íntegra da mensagem do secretário Wanderson de Oliveira, próximo a Mandetta:

"Bom dia!

Finalmente chegou o momento da despedida. Ontem tive reunião com o Ministro e sua saída está programada para as próximas horas ou dias. Infelizmente não temos como precisar o momento exato. Pode ser um anúncio respeitoso diretamente para ele ou pode ser um Twitter. Só Deus para entender o que o querem fazer.

De qualquer forma, a gestão do Mandetta acabou e preciso me preparar para sair junto, pois esse é um cargo eletivo e só estou nele por decisão do Mandetta. No entanto, por conhecer tão profundamente a SVS, tenho certeza que parte do que fizemos na SVS vai continuar, pois é uma secretaria técnica e sempre nos pautamos pela transparência, ética e preceitos constitucionais.

A maioria da equipe vai permanecer e darão continuidade ao trabalho de excelência que sempre fizeram e para isso não precisam mais de mim.

Foi uma honra enorme trabalhar mais uma vez com você. Para que não tenhamos solução de continuidade, indiquei o meu amigo querido Gerson Pereira para ficar de Secretário interino. Ele é um Profissional excelente e vai dar seguimento a tudo que estamos fazendo.

Vou entregar o cargo assim que a decisão sobre o Mandetta for resolvida. Todos estão livres para fazer o que desejarem.

Tenho certeza que a SVS continuará grande e será maior, pois vocês é que fazem ela acontecer. Minhas contribuições foram pontuais e insignificantes, perto do que essa Secretaria é como uma só equipe. A SVS é minha escola e minha gratidão por ter trabalhado com você será eterna. Muito obrigado por me permitir estar Secretário Nacional de Vigilância em Saúde. Jamais imaginei que seria o primeiro enfermeiro a ocupar tão elevado e importante cargo e o primeiro de muitos que virão.

Muito obrigado!?"

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