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Um a cada quatro domicílios de Pernambuco não tinha acesso à internet antes da pandemia, mostra IBGE

José Matheus Santos
José Matheus Santos
Publicado em 14/04/2021 às 11:49
Foto: Pixabay
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Um em cada quatro domicílios em Pernambuco (25,2%) ainda não tinha acesso à rede de internet em 2019. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios Contínua do IBGE, que investigou, no último trimestre de 2019, o acesso à Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC), com ênfase no acesso à internet e à televisão, e na posse de telefone celular para uso pessoal.

As informações foram divulgadas nesta quarta-feira (14) pelo IBGE.

A porcentagem de domicílios sem internet no período equivalia a 833 mil lares do estado. Esse é o oitavo pior resultado, em termos proporcionais, de todo o país. Em termos populacionais, 2,4 milhões de pessoas, ou 29% da população, não usaram a rede nem nos três meses anteriores à data da entrevista. Em 2016, primeiro ano da pesquisa, 43% dos lares não tinham acesso à internet, contra 36,3% em 2017 e 28,6% em 2018.

Os motivos mais frequentes alegados pelas pessoas que não tinham acesso à internet em 2019 foram não saber utilizar a internet (48,2%), a falta de interesse em acessar a ferramenta (24,2%), o serviço de acesso ou equipamento eletrônico necessário era caro (22,8%), o serviço não estava disponível nos locais que costumavam frequentar (2,7%) e outros motivos (2,1%).

Na contramão do que ocorre no resto do Brasil, a banda larga fixa está mais presente do que a móvel nos domicílios nordestinos e Pernambuco segue a mesma tendência da região. No estado, 86,2% das residências têm banda larga fixa, o terceiro maior percentual do país, atrás apenas do Ceará e de Santa Catarina. A banda larga móvel (3G ou 4G), por sua vez, está presente em 67,9% dos lares, a sexta pior cobertura do país. As duas conexões podem ser encontradas simultaneamente em 54,2% dos lares pernambucanos.

Onde há domicílios com acesso à internet, o principal meio adotado é o telefone celular, sendo utilizado por 99,4% dos lares pernambucanos em 2019. Os computadores são o segundo equipamento mais utilizado, mas o percentual de domicílios caiu de 41,7% em 2018 para 36,5% em 2019; assim como também os que utilizam o tablet, cujo percentual oscilou de 10,7% para 8,6% das residências. Por outro lado, o uso de TVs para esse fim cresceu aceleradamente em apenas um ano, de 23,2% para 35,4%.

Idosos têm maior aumento no uso da internet entre todas as faixas etárias

O estudo também traça um perfil dos pernambucanos que usaram a internet: 72,2% das mulheres acessaram a rede em 2019, contra 69,8% dos homens. Além disso, entre os estudantes em geral, 16,6% não utilizaram a internet nesse intervalo. Mesmo entre os estudantes que tinham celular para uso próprio, 12,1% deles não tinham acesso à rede.

Por idade, 88,7% dos jovens de 20 a 24 anos acessam a rede – é a faixa etária mais conectada. Em seguida, estão os adultos de 25 a 29 anos (87,5%) e os adolescentes de 14 a 19 anos (86,8%). Já os pré-adolescentes de 10 a 13 anos foram o único grupo de idade cujo acesso diminuiu entre 2018 (71,7%) e 2019 (69,9%). Cerca de um terço dos idosos (33,6%) de 60 anos ou mais utilizaram a ferramenta em 2019, mas essa faixa etária tem o maior crescimento desde 2016, quando o percentual era de apenas 16,4%.

A maior parte dos pernambucanos usa a internet para enviar ou receber mensagens de texto, voz ou imagem por aplicativos, percentual que se manteve praticamente estável entre 2018 (94,8%) e 2019 (94,6%). As conversas por chamada de vídeo cresceram de 91,5% para 93,9%, assim como a prática de assistir a vídeos incluindo programas e séries que passou de 91,3% para 92,2%. Já o hábito de enviar ou receber e-mails caiu de 60,3% para 54,3%.

O rendimento médio per capita dos domicílios que utilizavam a internet foi de R$ 1.048 em 2019, quase o dobro da parcela que não utilizava a rede (R$ 540). A renda das famílias impacta também o meio de acesso, pois, entre os lares que utilizaram tablet e computadores para acessar à internet, os ganhos foram, respectivamente, de R$ 2.412 e de R$ 1.845. Naqueles lares que usaram TV e celular os rendimentos médios foram, respectivamente, de R$ 1.673 e R$ 1.048.

8,8% dos lares pernambucanos não têm telefone fixo nem celular

A posse de outros equipamentos eletrônicos também foi investigada pela pesquisa. Apenas três em cada dez lares pernambucanos (30,3%) possuem computador ou tablet. O levantamento aponta ainda que não havia nenhum tipo de telefone – fixo ou móvel - em 8,8% dos domicílios pernambucanos em 2019. Houve uma queda de 11,1% para 8,4% dos domicílios com telefone fixo entre 2018 e 2019 e a proporção de lares que tinham celular não mudou de um ano para o outro, estabilizando-se em 90,7%.

Aproximadamente 15% dos domicílios do estado não têm sinal de celular

Segundo a pesquisa do IBGE relativa a 2019, 90,7% dos domicílios tinham ao menos um telefone celular e três quartos da população pernambucana (75,5%) possuíam celular para uso pessoal, o que equivale a 6,2 milhões de habitantes a partir de 10 anos. Enquanto 77,5% das mulheres têm o aparelho, o percentual entre os homens é menor: 73,3%. No entanto, em 14,7% dos domicílios do estado, não há sinal para telefonia ou acesso à internet.

Em termos etários, o perfil de quem possui celular para uso pessoal não é tão jovem quanto os que acessam a internet. Os grupos de idade de maior utilização concentraram-se na faixa de 20 a 39 anos. Na faixa de 25 a 29 anos, o percentual é de 88,1% e, de 30 a 39 anos, o índice é de 88%. Entre 20 e 24 anos, por sua vez, a proporção é de 87%. As menores proporções estão entre os dois extremos: 40,3% dos pré-adolescentes de 10 a 13 anos e 58,7% dos idosos de 60 anos ou mais têm ao menos um aparelho celular, abaixo da média geral.

Entre os dois milhões de pernambucanos que não tinham celular para uso pessoal em 2019, 32% alegaram que o aparelho era caro, 26,5% não sabiam usar o aparelho, 18,2% não tinham interesse, 17,3% costumavam utilizar o celular de outra pessoa, 4,6% tinham outros motivos e, para 1,4%, o serviço de telefonia móvel não estava disponível nos locais que costumava frequentar.

TV digital tem crescimento acelerado em Pernambuco, mas um em cada dez domicílios não tem sinal digital, mesmo com conversor

Pernambuco vem registrando um aumento no número de domicílios sem televisão. Foram 3,9% em 2019, contra 3,3% em 2018, 3% em 2017 e 2,2% em 2016, anos nos quais a pesquisa do IBGE foi realizada. A pesquisa aponta também que o número de lares com TVs de tela fina aumentou de 2,1 milhões para 2,4 milhões, enquanto o montante de domicilios com TV de tubo caiu de aproximadamente 1 milhão de residências para 863 mil.

A troca por aparelhos de TV mais avançados tem acontecido de forma acelerada no estado. A parcela dos que tinham somente televisão de tela fina estava em 51%, em 2016, subiu para 59,6%, em 2017, 65,7%, em 2018 e alcançou 72,5% em 2019. Já o percentual dos domicílios em que havia somente televisão de tubo estava em 42,2%, em 2016, caiu para 34,2%, em 2017, baixou para 29%, em 2018 e chegou a 23,8% em 2019.

Com a proximidade do desligamento do sinal analógico, previsto para 2023, o uso do conversor digital também tem crescido. Em Pernambuco, 84,6% dos domicílios tinha ao menos uma televisão com o dispositivo para receber sinal digital de televisão aberta, mesmo que ainda não estivesse captando. Mesmo assim, 9,9% de lares que já tinham o conversor ainda não recebiam o sinal digital.

TV por assinatura e antenas parabólicas são cada vez menos utilizadas pelos pernambucanos

O IBGE identificou uma redução no percentual de domicílios com TV por assinatura no estado, passando de 15,6% para 14,8% entre 2018 e 2019. Em relação aos motivos para a não adoção do serviço de TV por assinatura, 59,3% consideravam o serviço caro e 34,1% não tinham interesse. O rendimento domiciliar per capita de quem possui TV por assinatura é de R$ 2.211, cerca de três vezes maior em comparação a quem não tem acesso ao serviço (R$ 725).

A proporção de domicílios atendidos por antena parabólica também vem caindo continuamente desde 2016. Naquele ano, 46,4% das famílias pernambucanas utilizavam o recurso, mais comum em áreas rurais. Já em 2019, o percentual foi de 36,7%. O número de famílias que tinham a parabólica como única opção para receber sinal de TV acompanhou a tendência de queda, saindo de 20,6% em 2016 para 7,2% em 2019.

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