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Sérgio Moro está distante de um possível combate presidencial com Lula e Bolsonaro, diz cientista político

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Publicado em 19/05/2021 às 14:30
Sergio Moro e Jair Bolsonaro (Foto: Marcos Corrêa/Presidência da República)
Sergio Moro e Jair Bolsonaro (Foto: Marcos Corrêa/Presidência da República)
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Na última quarta-feira (12), o jornal Folha de São Paulo divulgou os resultados da pesquisa do Datafolha sobre as intenções de votos para presidência no 1º e 2º turno eleitoral.

Com margem de erro de dois pontos percentuais, a pesquisa traz a estimativa de porcentagem de votos para oito possíveis candidatos.

No primeiro turno, Lula (PT) teria 41% dos votos, Jair Bolsonaro (sem partido) 23%, Sérgio Moro (sem partido) com 7%, Ciro Gomes (PDT) 6%, Luciano Huck (sem partido) 4%, João Dória (PSDB) 3%, Luiz Henrique Mandetta (DEM) 2% e João Amoêdo (Novo) com 2% dos votos.

Pois bem.

Para o cientista político e professor, Rodrigo Prando, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, apesar de muito cotado como candidato à presidência, o juiz Sérgio Moro não tem possibilidade de chegar no segundo turno, tampouco decidir se inserir no âmbito político-partidário.

"Eu acredito que ele está cada vez mais distante de uma inserção na vida político-partidária e concorrência à presidência da República. Durante um bom tempo, as pesquisas sempre colocaram que o Moro era um provável candidato e com potencial de votos, porque ele havia combatido o Lula, especialmente dentro da lava jato, levando à prisão do ex-presidente.", afirma.

Rodrigo acrescenta, ainda, que após o Supremo Tribunal Federal (STF) ter considerado Moro como juiz parcial e levando em conta suas atuações em iniciativas privadas, o juiz se afastaria ainda mais da concorrência em 2022.

O professor explica que, caso a candidatura de Moro não ocorra de fato, os seus eleitores teriam grande chance de votar em Bolsonaro no segundo turno, ainda que a relação entre o presidente e o seu antigo ministro tenha se complicado.

"Os eleitores dele, por serem mais bolsonaristas, no segundo turno, votariam no Bolsonaro. Não foi à toa que ele se tornou ministro do Governo Bolsonaro. Não foi à toa a utilização da operação lava jato a fim de trazer para o Governo do presidente um dos alicerces que era o combate à corrupção na figura do Moro.", observou.

Tendo em vista a candidatura com nomes como Luciano Huck e Ciro Gomes, Prando acredita que os dois tenham sido prejudicados com a retomada de Lula no cenário eleitoral.

Segundo o professor, a inserção de Luciano Huck na política é muito mais improvável do que a de Moro.

"Ele está com jeito que vai sair. Eu acho que ele permanece como apresentador na televisão e não deve, neste momento, se lançar. Não deve, não significa que não possa. A elegibilidade do ex-presidente Lula jogou o enorme balde de água fria em qualquer pretensão mais ao centro democrático por conta dos números que ele apresenta", afirma o professor, se referindo ao 41% de intenção de votos no petista.

Já Ciro Gomes aparenta ter sido o mais prejudicado com a elegibilidade de Lula. Segundo Prando, o petista acabou tirando uma parcela de eleitores esquerdistas que teriam Ciro como opção de voto.

Ele ressalta também outro ponto.

"A grande questão é que o Ciro acabou acenando para muitos, ele abriu a mão para muitos e agora ele está um pouco cansado e todo mundo um pouco distante dos seus acenos. Na política, a fatura é fundamental e a possibilidade concreta de conquista do poder. Então, nesse sentido, o poder se distancia um pouco mais de Ciro Gomes".

Em uma possível disputa entre Bolsonaro e Dória, Prando observa um empate no segundo turno, o presidente com 39% dos votos e o governador de São Paulo com 40%.

Entretanto, para ele, as chances da eleição de Dória são baixas, pois segundo o professor, para o tucano chegar ao segundo turno, seria necessário reduzir drasticamente a porcentagem de Lula, o que segundo ele é pouco provável de acontecer.

Já num segundo turno entre Lula e Bolsonaro, Prando diz que o petista herdaria os votos de Luciano, Dória e Ciro, ganhando vantagem sob o atual presidente. Ele analisa ainda a repercussão negativa dos dois governos.

"No de Lula, houve o mensalão e posteriormente, o impeachment de Dilma e a prisão do ex-presidente. Já no de Bolsonaro, ele analisa uma rejeição crescente devido aos ataques a diversas esferas políticas e sociais, e aos resultados da pandemia no país, que vêm deixando um alto número de mortes e infectados".

O professor finaliza fazendo uma comparação.

"Há o desgaste do Governo Bolsonaro que leva a uma alta rejeição. Está muito conectado, está muito ligado ao andamento da pandemia e a CPI da Covid, que a cada nova rodada de depoimentos vai trazendo novos elementos. O ex-presidente Lula tem na conta dele na trajetória política, acertos e erros. Dentre os erros, o mensalão, a lava jato e a prisão, no entanto, agora tem uma modelagem num discurso que pode ser do discurso de alguém que foi vitimizado pelo STF".

Na pesquisa do Datafolha, Bolsonaro tem 54% de rejeição e Lula, 36%.

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