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Estudo que defendia o uso de Ivermectina no tratamento da Covid é despublicado

"A Ivermectina nasceu de uma fraude e é fundamentada em estudos de péssima qualidade", afirma José Alencar, autor do Manual de Medicina Baseada em Evidências

JAMILDO MELO
JAMILDO MELO
Publicado em 18/07/2021 às 11:14
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ANDRÉ NERY/ARQUIVO JC IMAGEM
No Brasil, a utilização de ivermectina como profilaxia tem provocado problemas no fígado de muitos pacientes - FOTO: ANDRÉ NERY/ARQUIVO JC IMAGEM
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A pandemia começou no Brasil em março de 2020 e depois de quase um ano e meio da maior crise de saúde do século ainda persiste a discussão sobre o uso de medicamentos sem a eficácia comprovada no combate à Covid-19.

A Ivermectina continua sendo um assunto em pauta e segue sendo utilizada no chamado “tratamento precoce” do vírus.

No entanto, o estudo de Elgazzar, que baseou diversas análises defensoras do medicamento, foi recentemente despublicado, o que descredibiliza as demais análises que o tomaram como base, chamadas de meta-análises.

“Quando uma história começa com uma mentira, todo o restante dela será também provavelmente mentirosa. A Ivermectina para tratamento da Covid é uma bizarrice defendida por leigos, médicos leigos e charlatões”, explica o cardiologista José Alencar, autor do Manual de Medicina Baseada em Evidências e professor de pós-graduação da Sanar.

Nesta semana, ele destaca que houve também uma mudança de rumo em relação ao uso da cloroquina e hidroxicloroquina no tratamento da doença que já matou mais de 539 mil brasileiros.

O Ministério da Saúde enviou uma nota técnica à CPI da Covid informando que não recomenda o uso dos medicamentos, contrariando a visão do próprio órgão há alguns meses.

Nas suas pesquisas, Alencar aponta como começou o assunto da Ivermectina relacionada à Covid-19.

Segundo o médico, em abril de 2020, foi publicado por Desai e pela Surgisphere um documento chamado "Ivermectina em doença crítica por Covid" e em maio o governo peruano indicava o medicamento na sua diretriz nacional de enfrentamento à pandemia, com a Bolívia e Natal, capital do Rio Grande do Norte, fazendo o mesmo em seguida.

“O estudo diz que analisou três pacientes que usaram Ivermectina para Covid no continente africano até 1º de março de 2020, quando só havia dois casos confirmados em todo o continente. Chama a atenção o fato do estudo que deu o pontapé inicial à ilusão da Ivermectina também não existir mais. Ele não está mais publicado em lugar nenhum. Foi retirado do ar em 31 de maio de 2020”, pontua Alencar.

Nas pesquisas para o Manual Baseado em Medicina de Evidências, publicado em 2021 pela Sanar, o cardiologista mostra o que aconteceu após alguns estudos que defendiam o tratamento com uso da Ivermectina na pandemia.

“O escândalo da Surgisphere levou ao encerramento das suas atividades em 12 de junho de 2020, como detalho nas páginas do livro”, explica.

“Em resumo, a Ivermectina tem baixa probabilidade pré-teste porque é um vermífugo; mais baixa ainda porque nasceu de uma fraude e porque é fundamentada em estudos de péssima qualidade”, finaliza.

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