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Arco Metropolitano: o alto preço de não se executar um projeto estratégico para Pernambuco

O presidente do Conselho da Rede Moura, o empresário Paulo Sales, pede mobilização pel arco, obra de tamanha relevância estratégica

JAMILDO MELO
JAMILDO MELO
Publicado em 06/08/2021 às 14:05
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Por Paulo Sales
Empresário e presidente do Conselho da Rede Moura, especial para o blog de Jamildo

O cuidado com o meio ambiente, a responsabilidade social e as melhores práticas de governança são fatores cada vez mais importantes na tomada de decisão das empresas e motivo de atenção de toda sociedade. No mundo dos negócios, essa questão tem até uma sigla em inglês, ESG, que significa, em português "ambiental, social e governança", critérios cada vez mais analisados pelos investidores ao avaliar uma empresa.

Em outras palavras, para uma companhia privada manter a sustentabilidade de seu próprio negócio nos dias de hoje, não adianta apenas gerar lucro - é necessário adotar práticas socialmente responsáveis e de menor impacto ambiental.

É dentro desses preceitos que o Atitude Pernambuco, movimento empresarial multissetorial criado para apoiar grandes temas estratégicos para o nosso estado, defende o Arco Metropolitano. Esperamos que, com a conclusão do processo licitatório e o início da execução dos projetos básicos, iniciem-se as discussões sobre a obra à luz do interesse público e do respeito às melhores práticas.

O Arco Metropolitano é a solução para destravar a geração de riquezas no Estado e fundamental para o enfrentamento dos desafios da mobilidade na Região Metropolitana do Recife (RMR). O transporte de pessoas e de cargas no Grande Recife, por meio de uma BR-101 sobrecarregada, encarece os serviços e produtos, impacta negativamente todas as cadeias produtivas e ameaça a posição de Pernambuco como hub logístico do Nordeste.

Esse custo quem paga é a sociedade, com bens e serviços mais caros, perda de oportunidades de emprego e renda, impacto na qualidade de vida e comprometimento da competitividade sistêmica do nosso Estado.

Contudo, considerando os princípios do ESG, a relevância econômica não justifica a obra a qualquer custo. Defendemos um estudo consistente e rigoroso de alternativa locacional que realmente pondere as questões financeiras, sociais, ambientais e logísticas.

Independentemente de onde passar a estrada, é fundamental que se faça valer as restrições ambientais próprias de uma Área de Proteção Ambiental (APA), que se considerem as questões territoriais que impactam a vida das pessoas na região e, principalmente, que a legislação seja respeitada para assegurar que sejam válidas e efetivas as conclusões técnicas.

Além disso, defendemos que a construção da via não represente qualquer tipo de ameaça ao aquífero Beberibe e aos rios Botafogo, Bonança e Utinga. A obra também deve gerar contrapartidas financeiras que viabilizem as estratégias de reconexão de matas dentro do território da APA e todo seu plano de manejo. Por fim, confiamos que o emprego das melhores soluções de engenharia vai garantir um traçado do Arco que respeite todos estes preceitos, independentemente de passar por dentro ou à margem da APA.

Com a crise da pandemia ficou claro que não é possível separar a economia da ciência e, no caso específico, dos cuidados com o meio ambiente. Por isso, é importante repetir que o Arco é fundamental para a economia pernambucana e para o destravamento da mobilidade na RMR. Executado da maneira certa, o Arco tem o potencial de trazer visibilidade à APA e mobilizar os recursos necessários à sua preservação, configurando-se não como uma ameaça, mas como um ativo ambiental.

Assim como investidores analisam as empresas com base nos critérios do ESG, os tomadores de decisão das grandes companhias analisam a competitividade de um estado à luz dos mesmos critérios. E na conta das empresas que avaliam investir em Pernambuco, o maior custo ainda é o de uma governança que não seja capaz de entregar os avanços necessários à competitividade da região.

Que todos nós nos mobilizemos em favor da viabilização do Arco Metropolitano dentro dos critérios do ESG e que possamos manter em mente que o custo maior já estamos pagando há mais de uma década: o preço de não executar uma obra de tamanha relevância estratégica.

Paulo Sales é empresário e presidente do Conselho da Rede Moura

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