GESTORES ESTADUAIS

Preocupados com 7 de Setembro, governadores querem reunião com chefe das Forças Armadas

Gestores estaduais estão apreensivos com convocações de policiais militares para as manifestações em apoio ao governo Bolsonaro.

José Matheus Santos
José Matheus Santos
Publicado em 24/08/2021 às 14:38
RENATO ALVES/AGÊNCIA BRASÍLIA
Encontro do Fórum dos Governadores, realizado em Brasília - FOTO: RENATO ALVES/AGÊNCIA BRASÍLIA
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Preocupados com a possibilidade de policiais militares inflamarem os atos de 7 de Setembro, os governadores vão pedir uma reunião com o comando das Forças Armadas. 

O pedido deverá ser feito nos próximos dias e foi definido em encontro na segunda-feira (23) dos chefes de Executivo estaduais.

Os governadores já oficializaram, ainda na segunda, solicitação para reuniões com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), com o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), e do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux.

Quanto ao encontro com a chefia das Forças Armadas, o motivo para a reunião é a apreensão dos governadores com os atos de 7 de Setembro em apoio ao governo Bolsonaro. A novidade nos últimos dias têm sido a convocação para os atos por parte de policiais militares dos estados. Pela lei, militares da ativa não podem participar de atos políticos.

O alerta veio aos governadores a partir do que ocorreu em São Paulo, quando um comandante regional da PM foi afastado pelo governador João Doria (PSDB) por fazer chamamentos para os atos previstos para o dia 7 de setembro, atacar o STF, o governador de São Paulo e o presidente do Senado.

"Foi em seguida registrado o firme entendimento dos presentes de que a conjuntura atual se tornava ainda mais desafiadora em razão da crise pública entre Poderes da República, com a observação de uma escalada constante de ameaças de ruptura constitucional. Com efeito, faz-se mister reafirmar o compromisso dos Governadores no sentido de zelar para que a missão das policias estaduais ocorra
nos limites constitucionais e da lei, como se tem verificado na história do País desde a promulgação da Constituição de 1988", afirmaram os governadores em carta após a reunião da segunda.

"Cria-se, outrossim, em decorrência dessa situação, um cenário de grande instabilidade e insegurança perante os investidores nacionais e internacionais, sendo necessário para o Brasil salvaguardar um
ambiente estável e atrativo para o crescimento econômico. Portanto, os Governadores brasileiros alvitram um pacto em defesa da Democracia, que contemple a adesão aos princípios da Constituição da República e das leis nacionais, o respeito à independência e a harmonia entre os poderes
constituídos", acrescentaram.

"Conclamam ao diálogo, nesse sentido, o Presidente da República, os Presidentes da Câmara e do Senado Federal e o Presidente do Supremo Tribunal Federal, com o propósito de buscar pontos convergentes e alternativas mais virtuosas, 2 aptas a encontrar guarida em um chamado à paz a favor da democracia e do bem-estar socioeconômico da população brasileira, estendendo-se tal convite ao comando das Forças Armadas, aos líderes empresariais e da sociedade civil, colegiados dos empresários, trabalhadores e movimentos sociais", escreveram.

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