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Filiação de Miguel Coelho

Nova via à direita, sem Bolsonaro

Filiação ocorreu neste sábado, no Recife, com a presença de caciques nacionais

JAMILDO MELO
JAMILDO MELO
Publicado em 26/09/2021 às 11:58
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EMERSON LEITE/DEMOCRATAS
O senador Fernando Bezerra Coelho, prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, presidente nacional do DEM, ACM Neto, presidente estadual do DEM, Mendonça Filho, em ato de filiação - FOTO: EMERSON LEITE/DEMOCRATAS
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Nas entrelinhas do discurso na filiação de Miguel Coelho no Democratas, em processo de fusão com o PSL, o cacique baiano ACM Neto deixou claro que a remoção da identidade com o bolsonarismo é a toada da nova via que buscam construir. “Olhem para 2022 e não para a fotografia de 2018 (eleição de Bolsonaro)”, pediu. Até o 17 do PSL, que virou símbolo bolsonarista, deve ser aposentado com a junção.

ACM Neto deixou claro que vai deixar as portas abertas para os bolsonaristas saírem. “Não vamos fazer trabalho de contenção, quem quiser sair, saia”. Em outubro, ocorre a fusão dos partidos. A janela partidária é em março, já sob a vigência do fim das coligações proporcionais para os deputados. “Com a fusão, no primeiro momento, dois mais dois será três. Mas em breve vamos ser o maior partido do Brasil. Dois mais dois vai dar cinco, em março. Vamos receber parlamentares e senadores, mais pré-candidatos”.

Dito de modo indireto, o novo partido aposta na involução da onda bolsonarista, buscando ser uma nova via, à direita, sem radicalismos e defendendo o liberalismo que ficou pelo caminho. A definição do
projeto nacional é o segundo passo. ACM Neto não citou Rodrigo Pacheco, mas nos bastidores da aliança o nome do presidente do Senado é defendido por aliados como o próprio Miguel Coelho. O
roteiro ajuda a explicar porque o mais novo candidato ao governo deu de ombros às cobranças dos radicais livres da direita local.

 

ACM Neto distante de João Roma

Um dos sinais da diáspora entre os dois grupos, bolsonaristas e arrependidos, foi a forma como o cacique do Democratas ACM Neto se referiu ao ministro João Roma, ex-auxiliar seu transformado em ministro no governo Bolsonaro. “Não dialogo com ele nos últimos meses. Meu foco é o projeto ao governo da Bahia. Não respondo por ele. Perguntem a ele”, afirmou, depois de defender em discurso que política é diálogo e que tanto do lado do Democratas como do lado do PSL deveria haver concessões, em vista de uma sigla mais forte, a frente.


Trindade

ACM Neto disse que Luciano Bivar, Mendonça Filho e Fernando Filho serão as três figuras exponenciais mais importantes depois da fusão do DEM com o PSL.

Ao falar em concessões e que Bivar será o presidente nacional da nova sigla, deu a entender que ele teria que abrir mão do comando em Pernambuco


Mulheres sem espaço nos discursos da nova sigla

Dos sete discursos presenciais feitos na filiação de Miguel Coelho, no Armazém 14, não houve uma única voz feminina. Nem para fazer chá, como se dizia antigamente. As muitas loas à deputada Priscila Krause foram interpretadas como massagem no ego, para evitar sua eventual saída para apoiar Raquel Lyra.

FBC trabalha em silêncio pelo MDB

O senador Fernando Bezerra Coelho (MDB), pai de Miguel Coelho, não discursou, entrou mudo e saiu calado do evento do Democratas. Uma explicação é a condição de líder do governo Bolsonaro no Senado. Outra, mias pragmática, é o bote no MDB local.

O Senado acaba de vetar as coligações proporcionais para estas eleições.

Ao sair do MDB e levar uma boa parte dos prefeitos, Miguel deixa o MDB fragilizado, mas o pai continua lá. Os aliados apostam que, sem calda, Raul Henry vai se aninhar no PSB, para salvar o mandato.

“Como esta a chapa por lá, sem coligação? Não se sustenta”, comenta Miguel Coelho.


Roteiro ideal

O carismático advogado Antônio Rueda, vice-presidente nacional do PSL, representou o partido na filiação de Miguel Coelho.

Sem citar Luciano Bivar, que não compareceu nem deu explicação, preferiu destacar no seu discurso que Miguel Coelho faria uma gestão disruptiva, focada na busca da eficiência do Estado.

 

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