Desenvolvimento regional

Escola de Sargentos. Araçoiaba usa MPPE para mudar local de projeto em Abreu e Lima, com alegação ambiental

Projeto está sendo disputado entre cidades, mas com remotas chances de mudança

JAMILDO MELO
JAMILDO MELO
Publicado em 16/11/2021 às 17:02
Divulgação
Maquete da nova escola - FOTO: Divulgação
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O prefeito de Araçoiaba, Jogli Uchoa, disse ao blog de Jamildo, nesta terça (16), que estava propondo uma alternativa ao governo do Estado e ao Exército Brasileiro para a localização da nova escola de sargentos da força nacional.

A localização na cidade de Abreu e Lima foi realizada pelo comandante do Exército, depois de dois anos de estudos.

"Não queremos tumultuar o processo, mas nos colocamos à disposição", afirma.

A brecha vislumbrada  pela cidade para tomar o projeto de Abreu e Lima seria a questão ambiental.

"Existe uma recomendação da promotoria de Justiça de São Lourenço para que a CPRH se abstenha de conceder a licença ambiental", explicou ao blog.

No entanto, quem acompanha tecnicamente o processo observa que o Exército recebe o licenciamento de órgãos federais, não locais. "Não conheço", admitiu o prefeito pernambucano.

Na entrevista ao blog, o prefeito de Araçoiaba argumentou ainda com o fator tempo.

"O Exército não vai esperar. Nós temos receio de que a queda de braço (por conta da questão ambiental), o mesmo problema que aconteceu com o Arco Metropolitano, também afete o projeto. Nós temos uma área, contígua ao Cimnc, mas em Araçoiaba e não em Abreu e Lima, que pode ser a solução.  São áreas que podem ser desmatadas porque não são mata fechada, são mangueiras, cajueiros, jaqueiras, etc", afirmou.

O prefeito de Araçoiaba também admite ligação estreita com o Fórum Sócio-Ambiental de Aldeia, que faz críticas públicas ao projeto. "O nosso secretário de Infra-Estrutura, Felipe Barros, está em contato com Herbert (Tejo) de Aldeia. Eles tem três alternativas de localização que pertencem à araçoiaba, onde haveria menos dano ambiental do que em Abreu e Lima", afirma.

O prefeito Jogli Uchoa também afirmou afirmativamente quando o blog questionou se ele tinha conhecimento de que concorrentes nacionais, como Santa Maria, estavam usando notas do MPPE para tentar sabotar o projeto.

"Por isto que eu estou correndo com esta alternativa. Já falamos também com o deputado federal Augusto Coutinho para apresentar esta alternativa", disse.

Sem chance de mudança

Por coincidência, o blog de Jamildo havia questionado um general do Exército sobre a movimentação de ambientalistas contra o projeto, na sexta-feira.

"Perdeu, playboy. Não sabem o que estão falando"

Ipojuca também corre por fora

De acordo com informações de bastidores, até a cidade de Ipojuca, na Mata Sul, tenta tomar o projeto, usando o discurso ambiental. 

"Não custa nada tentar. Está sendo oferecida uma área mais afastada, mais isolada, no caminho do crescimento que se espera para os próximos anos. Não seria ruim para o Exército, que manteria o campo de instruções e poderia instalar sua escola em uma área de usina em Ipojuca. Uma coisa é certa, se for decisão do Exército, será em Abreu e Lima mesmo", afirma uma fonte do blog.

"O que não falta em Ipojuca são terras que podem ser desapropriadas. Na reta final das discussões, teve uma discussão ambiental. O deputado federal Augusto Coutinho sugeriu Ipojuca como um plano B. Foi o fiel da balança". Coutinho não respondeu ao blog.

Freio de arrumação

"Essa discussão não é boa para Pernambuco. O prefeito de Santa Maria, do PSDB, publica no Instagram dele todas as notas do MPPE. O que se faz aqui repercute lá".

"Minha impressão é que tem muita gente tentando resolver muitos problemas simultaneamente. O governo estadual deve centralizar esse debate com o Ministério da Defesa e diminuir o numero de protagonistas. O impacto ambiental é mínimo diante de 7500 hectares de mata preservada e Araçoiaba é um entre tantos municípios impactados", afirma uma fonte do blog, na área militar.

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