Carnaval só em 2023

'É uma temeridade pensar em festa com aglomeração no momento atual', diz Roberto Kalil

Kalil lembra que o Brasil deve terminar o ano com mais de 615 mil mortos pela Covid-19, além de 22 milhões de pessoas infectadas.

JAMILDO MELO
JAMILDO MELO
Publicado em 06/12/2021 às 14:56
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O cardiologista Roberto Kalil - FOTO: REPRODUÇÃO
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A decisão do Comitê Científico do Consórcio Nordeste de recomendar a proibição de festas de réveillon e carnaval na região pode ter decepcionado os foliões, mas agradou aos especialistas em saúde.

"É uma temeridade imaginar que pudéssemos ter festas e aglomerações diante de um quadro que ainda exige a observância ao distanciamento e ao uso de máscara, inclusive para evitar a disseminação da variante ômicron. Sabemos que uma pandemia é dinâmica, os números mudam rapidamente, mas algumas certezas que temos hoje nos remetem a pensar em carnaval apenas para 2023", diz o doutor Roberto Kalil, professor titular de cardiologia da Faculdade de Medicina da USP e diretor do InCor e hospital Sírio Libanês.

Kalil lembra que o Brasil deve terminar o ano com mais de 615 mil mortos pela Covid-19, além de 22 milhões de pessoas infectadas.

A redução do número de novos casos não justifica o relaxamento que seria a liberação do carnaval.

"Mesmo com o avanço da vacinação entre nós, é preciso lembrar que a pandemia é mundial e atravessa fronteiras. Temos hoje a variante ômicron, que chama atenção por sua alta capacidade de mutação. Os vírus são agentes que podem ser altamente mutagênicos, ou seja, tem a capacidade de sofre modificações em sua estrutura para enganar o sistema de defesa da pessoa infectada", explica o médico.

"O Brasil não tem condições de passar por mais uma onda de mortes, internações e miséria", afirmou o médico.

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