Eleições 2022

Pesquisa mostra que Moro está tomando espaço de Bolsonaro e Ciro Gomes

Sérgio Moro se consolida na terceira colocação. Entre os que rejeitam Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro, 55% defendem a candidatura de ex-juiz

Jamildo Melo
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Jamildo Melo
Publicado em 08/12/2021 às 15:17 | Atualizado em 08/12/2021 às 15:26
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NO RECIFE Como Lula, Bolsonaro e FHC, em viagem pelo Nordeste, Moro coloca chapéu de vaqueiro em visita de pré-campanha ao Recife - FOTO: BLOG DE JAMILDO
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A sétima rodada da pesquisa Genial/Quaest mostra que o ex-juiz e ex-ministro Sergio Moro consolidou o seu lugar como o terceiro candidato na disputa presidencial de 2022. Embora seus índices estejam bem atrás do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com 46%, e do presidente Jair Bolsonaro, com 24%, Moro se isolou dos adversários mais diretos pelo terceiro lugar.

O ex-juiz tem 11% das preferências no cenário com Lula, Bolsonaro e com o ex-governador do Ceará Ciro Gomes; e 10% no cenário mais completo: Ciro tem 5%, o governador João Doria (SP) tem 2% e o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, 1%. A pesquisa foi feita entre os dias 2 e 5 de dezembro com 2.037 entrevistas presenciais em todos o Brasil.

Os recortes da pesquisa mostram que Moro está tomando espaço de Bolsonaro e Ciro. Quando ele é retirado da disputa, quem mais ganha é Bolsonaro. Também na simulação de segundo turno há um sinal positivo para Moro: ele perde para Lula de 53% a 29%, mas em outubro a diferença era de 35 pontos percentuais.

“Moro está vagarosamente ocupando um espaço de quem é nem Lula, nem Bolsonaro”, diz Felipe Nunes, diretor da Quaest.

“Mas ele precisa modular o discurso. A rejeição é muita alta, só abaixo da de Bolsonaro: 61% das pessoas que conhecem o ex-juiz dizem que não votariam nele”.

Se a eleição fosse hoje, Bolsonaro perderia para Lula, Moro ou Ciro. Contra o ex-juiz, o placar seria de 34% a 31% para Moro. Contra o ex-governador do Ceará, 39% a 34% para Ciro. E, contra Lula, o atual presidente perderia de 55% a 31%.

Como na pesquisa passada, Lula venceria em todos os cenários de segundo turno e manteve a possibilidade levar a eleição já no primeiro turno, com 52% dos votos válidos.

De modo geral, Bolsonaro parece ter estancado a má avaliação de seu governo. Em novembro, 56% dos entrevistados avaliavam negativamente o governo.

Em dezembro, esse número é de 50%. A avaliação negativa caiu em todas as regiões do país, exceto o Nordeste; em todas as faixas de renda ou de escolaridade; e entre homens e mulheres.

Em contrapartida, quando perguntados sobre a atuação do governo em diversas frentes – como o combate à corrupção e à Covid-19 – os brasileiros se mostram descontentes.

Para 47%, a avaliação é negativa na luta contra o coronavírus; 48% consideram negativa a atuação contra a corrupção; e 70% acham negativa a ação do governo contra a inflação. Geração de empregos (51%), combate às queimadas na Amazônia (51%) e combate à violência (50%) também foram mencionados de forma negativa.

ALEXANDRE GONDIM/JC IMAGEM
Palestra e lançamento do livro de Sergio Moro no Teatro do Shopping Rio Mar - ALEXANDRE GONDIM/JC IMAGEM

Metodologia

A Pesquisa Genial/Quaest, que trabalha com metodologia inédita de acompanhamento da opinião pública brasileira, começou em julho deste ano e se estenderá até novembro de 2022. No total, serão 24 rodadas de pesquisa nacional, cada uma delas implicando em duas mil coletas domiciliares face a face, realizadas nas 27 unidades da federação.

A partir das entrevistas domiciliares, é feita a decupagem e análise dos dados por sexo, idade, escolaridade, renda e População Economicamente Ativa (PEA). A pesquisa também receberá tratamento estatístico de pós-estratificação para reduzir as chances de viés de seleção e de não resposta. Trata-se do primeiro levantamento feito em âmbito nacional que combina coleta domiciliar com modelagem em pós-estratificação.

O nível de confiança da pesquisa Genial/Quaest é de 95%, com margem de erro máxima de 2%, para cima ou para baixo, em relação ao total da amostra.

 

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