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'Não perca tempo nem prevarique', diz Barra Torres a Jair Bolsonaro

Presidente da Anvisa respondeu insinuações de Jair Bolsonaro e cobrou provas ou retratação

Augusto Tenório
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Augusto Tenório
Publicado em 09/01/2022 às 10:19 | Atualizado em 09/01/2022 às 10:21
JEFFERSON RUDY/AGÊNCIA SENADO
RESPOSTA Barra Torres desafiou Bolsonaro a fornecer indícios contra ele - FOTO: JEFFERSON RUDY/AGÊNCIA SENADO
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Antônio Barra Torres divulgou nota neste final de semana cobrando de Jair Bolsonaro (PL) provas das insinuações levantadas sobre a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, envolvendo a vacinação contra a covid-19 em crianças. O presidente da Anvisa ainda pediu uma retratação do presidente.

"Se o senhor dispõe de informações que levantem o menor indício de corrupção sobre este brasileiro, não perca tempo nem prevarique, senhor presidente. Determine imediata investigação policial sobre a minha pessoa", diz Barra Torres em trecho da nota.

A divulgação da nota acontecer após Jair Bolsonaro, na última quinta-feira (6), levantar questionamentos sobre o interesse da Anvisa na imunização do público infantil contra a covid-19.

"E você vai vacinar teu filho contra algo que o jovem por si só uma vez pegando o vírus, a possibilidade de ele morrer é quase zero? O que que está por trás disso? Qual o interesse da Anvisa por trás disso aí? Qual interesse daquelas pessoas taradas por vacina?", disse o presidente da República na ocasião.

Diante da fala, então, Barra Torres pede que, caso não consiga provar as suspeições levantadas, o presidente faça uma retratação. "Se o Senhor não possui tais informações ou indícios, exerça a grandeza que o seu cargo demanda e, pelo Deus que o senhor tanto cita, se retrate", pede o presidente da Anvisa.

Confira, na íntegra, a nota de Barra Torres a Jair Bolsonaro

"Senhor Presidente, como Oficial General da Marinha do Brasil, servi ao meu país por 32 anos. Pautei minha vida pessoal em austeridade e honra. Honra à minha família que, com dificuldades de todo o tipo, permitiram que eu tivesse acesso à melhor educação possível, para o único filho de uma auxiliar de enfermagem e um ferroviário.

Como médico, Senhor Presidente, procurei manter a razão à frente do sentimento. Mas sofri a cada perda, lamentei cada fracasso, e fiz questão de ser eu mesmo, o portador das piores notícias, quando a morte tomou de mim um paciente. Como cristão, Senhor Presidente, busquei cumprir os mandamentos, mesmo tendo eu abraçado a carreira das armas.

Nunca levantei falso testemunho. Vou morrer sem conhecer riqueza Senhor Presidente. Mas vou morrer digno. Nunca me apropriei do que não fosse meu e nem pretendo fazer isso, à frente da Anvisa. Prezo muito os valores morais que meus pais praticaram e que pelo exemplo deles eu pude somar ao meu caráter.

Se o senhor dispõe de informações que levantem o menor indício de corrupção sobre este brasileiro, não perca tempo nem prevarique, Senhor Presidente. Determine imediata investigação policial sobre a minha pessoa aliás, sobre qualquer um que trabalhe hoje na Anvisa, que com orgulho eu tenho o privilégio de integrar.

Agora, se o Senhor não possui tais informações ou indícios, exerça a grandeza que o seu cargo demanda e, pelo Deus que o senhor tanto cita, se retrate. Estamos combatendo o mesmo inimigo e ainda há muita guerra pela frente. Rever uma fala ou um ato errado não diminuirá o senhor em nada. Muito pelo contrário".

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