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Caso Beatriz: Estado encontra autor do crime e o apresenta nesta quarta-feira

No final do ano passado, a mãe da garota fez uma romaria até o Recife para cobrar pessoalmente ao governador Paulo Câmara um desfecho

Jamildo Melo
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Jamildo Melo
Publicado em 11/01/2022 às 18:06 | Atualizado em 19/01/2022 às 10:14
ARQUIVO PESSOAL
Beatriz Mota foi assassinada a facadas durante uma festa no Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, em Petrolina, no Sertão pernambucano - FOTO: ARQUIVO PESSOAL
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Atualizada às 21h59

A Polícia Civil de Pernambuco conseguiu chegar ao suspeito do crime contra a menina Beatriz, assassinada aos 7 anos na escola particular em que estudava, na cidade de Petrolina, Sertão do Estado, no dia 10 de dezembro de 2015. A criança recebeu mais de 40 facadas.

O homem apontado como autor da morte da menina já estava preso por outros crimes e confessou o assassinato, segundo a SDS. Os detalhes da investigação serão apresentados nesta quarta-feira (12), às 9h, na sede da Secretaria de Defesa Social (SDS-PE), no bairro de Santo Amaro, Centro do Recife.

A alegada motivação só será conhecida nesta quarta, mas registros policiais mostram que um homem de mesmo nome foi preso em 2011 em Garanhuns. Ele era suspeito de ter estuprado uma enteada de 12 anos, mas foi preso por ter roubado seis litros de uísque em um supermercado local. Portava papelotes de maconha. O caso foi reportado pelo NE10 Interior.

A Secretaria de Defesa Social disse que vai apontar as provas técnicas do caso, que se arrastava há seis anos e foi solucionado com base em exames de DNA na arma do crime.

A pasta confirmou a informação dada em primeira mão aqui:

A Secretaria de Defesa Social de Pernambuco, por meio do trabalho conjunto das forças estaduais de segurança pública, chegou, nesta terça-feira (11), ao autor do assassinato da menina Beatriz Angélica Mota, ocorrido em 2015, em Petrolina. Por determinação do governador Paulo Câmara, a Força Tarefa - criada em 2019 para investigar o caso foi mantida mobilizada até a elucidação deste crime. A equipe revisitou todo o inquérito e realizou novas diligências. A identificação do suspeito se deu por meio de análises do banco de perfis genéticos do Instituto de Genética Forense Eduardo Campos, realizadas no dia de hoje, que identificou o DNA recolhido na faca utilizada no crime. Em confrontação de perfis genéticos do banco, chegou-se ao DNA do suspeito, que se encontra preso por outros delitos em uma unidade prisional do Estado. Ao ser ouvido pelos delegados da Força Tarefa, confessou o assassinato e foi indiciado.

"Peço a Deus que se confirme", diz mãe de Beatriz

Diante da notícia, a mãe da menina, Lucinha Mota, fez uma transmissão em uma rede social para tornar público o sentimento da família.

De antemão, Lucinha Mota afirmou que nenhum dos delegados envolvidos na força-tarefa criada para investigar o caso a procurou, e que ela só ficou sabendo da identificação do suspeito através da imprensa. "Não ficamos sabendo de absolutamente de nada. Fomos pegos de surpresa. Estou tentando desde cedo falar com o delegado que é responsável pelo inquérito, mas ele não me atende. Liguei para o chefe de polícia e ele me adiantou que tinha identificado (o autor do crime) e que ele tinha confessado. Eu passei mal na hora, perdi os sentidos, mas já estou bem", contou.

Ainda em declaração aos seus seguidores, a mãe de Beatriz diz orar todos os dias para que o assassino de sua filha seja verdadeiramente encontrado e que um ponto final seja colocado nessa história. "Amanhã (hoje) vamos saber se quem foi preso é o assassino de Beatriz. Oro todos os dias para que possam chegar até ele, pois recebo muitas e muitas denúncias... Foram mais de 15 vindas de todo o País. Vários policiais civis tentando ajudar. Mas essa (denúncia), especificamente, não sabemos de nada", falou Lucinha Mota.

"Peço a Deus que se confirme e tudo acabe. Que esse assassino seja tirado da sociedade, condenado e preso. Mas no inquérito de Beatriz não cabe um inocente, só cabem os culpados. Se foi feito o DNA e deu positivo, outros elementos precisam ser confirmados, principalmente a motivação do crime. Ninguém entra no colégio sem ser conduzido assim não. Comigo não cola", complementou Lucinha Mota, usando um tom de desabafo.

 

Relembre o caso Beatriz

No dia 10 de dezembro de 2015, em Petrolina, Beatriz foi assassinada com 42 facadas em uma sala desativada do Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, onde estudava, quando acontecia a formatura da irmã mais velha.

Beatriz havia se afastado para beber água e não voltou mais. O corpo dela foi encontrado 30 minutos após.

DIVULGAÇÃO/POLÍCIA CIVIL
CRIME Corpo de Beatriz foi encontrado atrás de armário em sala desativada de uma escola particular - DIVULGAÇÃO/POLÍCIA CIVIL

O inquérito, com 24 volumes, foi remetido ao Ministério Público no começo de dezembro de 2021. Há, ao todo, 442 depoimentos, 900 horas de imagens e 15 mil chamadas telefônicas analisadas.

Em 2017, polícia divulgou a imagem de um suspeito que possivelmente entrou no colégio durante a festa. Uma câmera flagrou o rapaz do lado de fora, mas nenhuma imagem do lado de dentro teria registrado. Foi oferecida recompensa de R$ 10 mil, mas o criminoso não foi encontrado.

Testemunhas contaram à polícia, na época, que o suspeito teria sido visto tentando se aproximar de outras crianças antes de chegar até Beatriz. Mas ninguém desconfiou.

Em dezembro de 2021, os pais da garota fizeram uma romaria de Petrolina até o Recife para cobrar pessoalmente ao governador Paulo Câmara um desfecho.

EMERSON PEREIRA/TV JORNAL
JUSTIÇA Pais de Beatriz saíram de Petrolina no último dia 5 de dezembro em uma verdadeira cruzada de mais de 700 km, e que durou mais de 20 dias, por respostas sobre o caso da filha - EMERSON PEREIRA/TV JORNAL

Demissão de perito

No final do ano passado, o governador de Pernambuco, Paulo Câmara, demitiu o perito criminal Diego Leonel Costa, que prestou consultoria de segurança ao Colégio Nossa Senhora Auxiliadora após o assassinato da menina.

A investigação da Corregedoria da Secretaria de Defesa Social (SDS) apontou que o perito era sócio de uma empresa de segurança que foi contratada pela escola. De acordo com as investigações da Corregedoria, Diego participou da criação de um plano de segurança para o colégio, na condição de sócio cotista da Empresa Master Vision.

Após reunião com os pais da menina, o governo do Estado também anunciou que apoiaria a federalização das investigações.

"Presto total solidariedade à família e amigos de Beatriz, que estão empenhados há seis anos na luta pela punição dos responsáveis pelo crime. O governo de Pernambuco se manifesta favoravelmente à federalização do caso e assegura, ainda, que prestará toda a colaboração necessária, ciente de que cabe à Procuradoria-Geral da República ou ao Ministério da Justiça avaliar se estão presentes os requisitos legais para a referida federalização", informou texto assinado pelo governador Paulo Câmara.


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