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HISTÓRIAS DO FUTEBOL

Autor do gol mais rápido da história do Brasileirão é homenageado no interior de Pernambuco; saiba quem foi

Nivaldo, aos 54 anos, é lembrado pelo feito histórico de 1989; em Altinho, ele ganhou bolo, placa e ainda participou de carreata

Marcelo Cavalcante
Marcelo Cavalcante
Publicado em 19/10/2021 às 14:00
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Arquivo Pessoal
Nivaldo recebeu placa das mãos do vice presidente do Náutico, Diógenes Braga - FOTO: Arquivo Pessoal
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Esse texto perdeu um pouco do seu tempo. Era para ser publicado na segunda-feira,  dia 18 de outubro. Porque foi nessa data, em 1989, que o atacante Nivaldo não perdeu tempo. Ele só precisou de 8 segundos de jogo para estufar as redes do Atlético-MG e entrar para a história do futebol brasileiro.  "Acho que tem gente que nem consegue beber um copo de água nesse tempo tão curto", brinca Nivaldo Soares, hoje com 54 anos, em entrevista, por telefone, ao Blog do Torcedor. 

Mas um fato histórico não se pode deixar passar em branco. Principalmente por se tratar de um ex-atleta simples, humilde e que no seu peito bate um amor pelo Náutico. Há um ano desempregado, depois que foi demitido do cargo na prefeitura de Catende, agreste de Pernambuco, Nivaldo viveu um final de  semana de muita alegria numa cidade próxima, Altinho. A Confraria Timbaltinho o homenageou pelos 32 anos do seu gol histórico. Com direito a carreata na cidade, placa comemorativa, entregue pela confraria e o vice-presidente do Náutico, Diógenes Braga, e um amistoso vencido pelo Master do Náutico sobre o Master da Confraria, por 5x3. "Joguei pelos dois times, mas não quis fazer gol. A festa foi maravilhosa. Muito feliz por tudo que vivi", disse ainda sob o calor da emoção, como se estivesse vivendo aquilo tudo eternamente. 

Nivaldo está longe do futebol, mas não é esquecido pelo seu feito. Todo ano recebe ligações de amigos torcedores e também da sua época do Náutico, clube que defendeu entre os anos de 88 a 92. "Fui jogador e torcedor. E hoje sou  apenas torcedor do clube. Toda minha é alvirrubra". O gol está eternizado. Ninguém até hoje conseguiu a proeza de abrir o placar de uma forma tão rápida.

E o Youtube está aí para não deixá-lo mentir: assim que o árbitro apita o início do jogo, Augusto dá as costas para o seu marcador, com se fosse caminhar para o seu campo de defesa. Ele gira o corpo, driblando o marcador e segue em velocidade para o ataque. Nivaldo, que jogava como ponta direita, acompanhava a jogada, fechando os espaços, esperando a bola chegar aos seus pés. Quando chegou, ele não teve dúvidas... mandou a sapatada, à direita do goleiro. O placar final foi 3x2 para o Náutico, em partida válida pelo Campeonato Brasileiro. Mas o que mais se falava era a velocidade daquele gol. "Só vim saber da importância do gol, no vestiário, quando a imprensa veio falar comigo", relembra. 

Era um tempo em que não havia protocolo de entrevista coletiva. Os repórteres não faziam cerimônia para entrar no vestiário e conversar com os jogadores enquanto eles tomavam banhos ou trocavam de roupa. "Esse tempo era muito bom. Porque tinha a resenha, a amizade", destacou. Antes de jogar no Náutico, Nivaldo defendia as cores do Paulista, em 1987. E foi para os Aflitos como contrapeso de uma negociação envolvendo o meia Augusto. "Eu era da base do Paulistano. Num jogo contra o Náutico, fiz o gol da vitória. O ex-dirigente Hebert Harroup (já falecido) me viu jogar. Quando o Paulistano ofereceu Augusto ao Náutico, Herber disse que só o contrataria se eu fosse de graça. E o Paulistano me liberou", conta.  

Nivaldo chegou nos Aflitos no tempo em que Mário Tilico era a estrela do time. Jogava na sua posição, ponta-direita, e tinha características semelhantes: velocista e artilheiro. Precisou de paciência para ganhar chance e mostrar seu talento. Depois, teve passagens rápidas pelo Cruzeiro e Sport, onde não brilhou como no Timbu. "Meu extra campo atrapalhou muito. Hoje me arrependo. Mas ficou no passado. Hoje, sou uma pessoa religiosa, que vivo para ajudar a minha família", conta.

Nivaldo vive ao lado da esposa Eveline, além das filhas Ellen, fervorosa torcedora do Náutico, Beatriz, e do netinho Hélio, que celebrou seis anos no último sábado e viu o avó ser homenageado por um gol histórico. O outro filho Caíque, de 26 anos, é jogador de futebol. "É lateral direito e estava recentemente no Manaus. E  Katiane, que mora no Rio de Janeiro. "Na família, a paixão pelo Náutico é imensa". 

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