carnaval

Escolas de Samba do Rio de Janeiro podem não desfilar no Carnaval 2021; entenda

Grandes escolas do Rio de Janeiro vão se reunir nesta terça-feira (14) na Liga Independente das Escolas de Samba do Rio (Liesa)

JC
JC
Publicado em 14/07/2020 às 10:48
Notícia
Gabriel Nascimento/ Fotos Públicas
Viradouro, Campeã do Carnaval do Rio de Janeiro de 2020 - FOTO: Gabriel Nascimento/ Fotos Públicas
Leitura:

Sete meses faltando para chegar o carnaval de 2021, uma das festas mais importantes da cultura brasileira tem seu futuro incerto por conta da pandemia de coronavírus. Grandes escolas de samba do Rio de Janeiro vão se reunir nesta terça-feira (14) na Liga Independente das Escolas de Samba do Rio (Liesa) para definirem se desfilam ou não no ano que vem. No entanto, elas já adiantaram ao Jornal Extra, na última segunda-feira (13), que não devem desfilar em 2021 enquanto não houver uma vacina para a doença. Mangueira, Imperatriz Leopoldinense, Vila Isabel, Beija-Flor e São Clemente vão votar juntas pelo adiamento da festa por tempo indeterminado.

>>Avanço do novo coronavírus já ameaça Carnaval 2021 da Bahia

Nem a possibilidade de transferência da festa que aconteceria em fevereiro para o meio do que vem é vista com bons olhos para os dirigentes. As agremiações lembram que dependem do trabalho de centenas de pessoas fechadas em barracões para confeccionar fantasias e carros alegóricos. Segundo o jornal, uma das hipóteses estudada seria transferir os desfiles para os feriados da Semana Santa, em abril, ou de Corpus Christi, em junho. A mudança no calendário está sendo capitaneada pelo prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), que defende uma solução conjunta para todos estados do país.

Opiniões dos dirigentes

“Sem vacina, é inviável realizar o carnaval em qualquer data, seja em fevereiro ou junho. Hoje, as decisões judiciais têm muita força. Há o risco de fazermos investimentos altos e, lá na frente, o contágio voltar a subir e a Justiça determinar a suspensão. O carnaval é um evento de aglomerações, da produção à realização na Sapucaí. Como seria? Componentes a dois metros de distância? Cantando com máscaras no rosto?”, questiona o presidente da Vila Isabel, Fernando Fernandes.

Para o presidente da Mangueira, Elias Riche, que defende o adiamento da festa para 2022, o momento é de concentrar esforços na luta contra o vírus. “Como ficaria a consciência de um dirigente caso acontecesse a morte de, por exemplo, 50 componentes que tenham desfilado na sua escola?”, reflete. Os barracões das agremiações seguem parados. Apenas o planejamento dos desfiles está em andamento.

Os diretores de carnaval da Imperatriz Leopoldinense, Marquinhos Fernandes, e da Beija-Flor de Nilópolis, Dudu Azevedo, também apontam a vacina como requisito para a realização do carnaval. Renatinho Gomes, presidente da São Clemente, reforça: “É simples: se chegar a vacina, teremos samba. Como vamos lidar com a multidão sem imunização coletiva? O adiamento para 2022 será inevitável, porque não teremos tempo hábil para arrumar a casa.”

Calendário nacional

Uma proposta seria estabelecer um calendário nacional comum para o carnaval, feita por ACM Neto. Entretanto, ela esbarra nas diferenças de estágio da pandemia nas cidades, alerta o infectologista e professor da Universidade Iguaçu (Unig), Roberto Falci Garcia, em entrevista ao Jornal Extra.

“Cada cidade tem o seu tempo na pandemia. No Rio, hoje, por exemplo, há uma tendência de queda no número de casos, enquanto outras cidades ainda não chegaram ao pico da doença. Essa mesma discrepância pode acontecer no ano que vem, numa possível segunda onda de contaminação do novo coronavírus, caso não tenhamos uma vacina eficaz”, esclarce. A Prefeitura do Rio disse, em nota, que a sugestão de ACM Neto será analisada. Já a Prefeitura de Olinda destaca que não há uma decisão sobre o carnaval 2021, “pois ainda faltam sete meses para a data”.

Oito escolas do Grupo Especial já têm enredo

Das 12 escolas do Grupo Especial, oito já divulgaram os enredos. A Viradouro, atual campeã, vai contar o carnaval carioca de 1919, conhecido como o maior do século passado, quando a população foi às ruas para comemorar o fim da gripe espanhola. Já a Paraíso do Tuiuti levará uma mensagem de proteção aos animais com o enredo “Soltando os bichos”, na volta do carnavalesco Paulo Barros à escola após 18 anos.

Na Mocidade e na Grande Rio, dois orixás serão temas centrais: Oxossi na escola de Padre Miguel, com “Batuque ao caçador”, e Exu na agremiação de Caxias, com “Fala, Majeté! Sete chaves de Exu”. A Vila Isabel fará homenagem a Martinho da Vila; a Portela contará a história dos baobás, as gigantescas árvores originárias da África; e a Beija-Flor quer enaltecer as glórias dos negros com “Empretecer o pensamento é ouvir a voz da Beija-Flor”. Já o Salgueiro, com “Resistência”, vai falar da luta dos negros para preservar a cultura e a fé.

“Não divulgamos a sinopse do enredo por não ter um horizonte concreto. Estamos diante de um cenário de incerteza, trabalhando com várias projeções para o próximo desfile, seja em fevereiro ou em datas futuras. A resposta para isso será debatida com a Liesa e as autoridades públicas. Tudo isso vai passar”, diz o diretor de carnaval da Grande Rio, Thiago Monteiro. São Clemente, Mangueira, Unidos da Tijuca e Imperatriz Leopoldinense ainda não divulgaram os enredos a serem levados para a Sapucaí.

O jornalismo profissional precisa do seu suporte.

Assine o JC e tenha acesso a conteúdos exclusivos, prestação de serviço, fiscalização efetiva do poder público e muito mais.

Apoie o JC

Comentários

Últimas notícias