Eleições

Quanto gastaram os candidatos à prefeitura do Recife com anúncios no Facebook?

Campanhas de Mendonça Filho e João Campos foram as que mais investiram em publicidade na plataforma até esta sexta-feira (30)

Débora Oliveira
Débora Oliveira
Publicado em 30/10/2020 às 17:11
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Imagem/Laís Arcanjo
Candidatos à prefeitura do Recife que têm contas ativas no Facebook - FOTO: Imagem/Laís Arcanjo
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Até a manhã desta sexta-feira (30), os candidatos à prefeitura do Recife gastaram mais de 260,2 mil reais com o impulsionamento de anúncios no Facebook. No total, a empresa já faturou mais de 29,1 milhões com campanhas eleitorais desde agosto de 2020. Mendonça Filho (DEM) e João Campos (PSB) foram os que mais anunciaram na plataforma, com um valor total duas vezes maior do que os demais candidatos. A propaganda eleitoral começou há um mês, no dia 27 de setembro.

Dos dez candidatos à prefeito (a), apenas Cláudia Ribeiro (PSTU) e Thiago Santos (UP), não estão cadastrados na plataforma com conta própria.

Desde agosto, as campanhas de Mendonça Filho (103,4 mil reais gastos) e João Campos (55,1 mil reais gastos) lideram o topo do ranking e já veicularam, respectivamente, 520 e 490 anúncios. Logo em seguida vem Marília Arraes (PT), com 150 peças publicitárias e um gasto de 33,1 mil reais. Os demais candidatos não ultrapassaram os 30 mil reais até esta sexta-feira (30).

Para a pós-doutora em Comunicação Política e fundadora do Grupo de Pesquisa Comunicação Eleitoral (CEL), da Universidade Federal do Paraná, Luciana Parke, o orçamento das candidaturas mostra uma disparidade entre os recursos disponíveis para os candidatos. “O volume de investimento depende muito do tamanho do partido, do fundo. E isso revela uma desigualdade entre as candidaturas que são viáveis e as que não são”.

Pernambuco é o oitavo estado que registra o maior gasto com impulsionamento em campanhas relacionadas à política, eleições e temas sociais. O Facebook disponibiliza estes dados na Biblioteca de Anúncios, um repositório de dados sobre posts publicados na rede que são relacionados às eleições. É possível consultar quanto os candidatos gastaram (um valor estimado), os anúncios publicados e o público impactado. Este último dado, no entanto, só mostra as idades e gênero das pessoas que visualizaram o post, não o público definido pelos anunciantes. Segundo a plataforma, os posts ficam armazenados na biblioteca por pelo menos sete anos.

Consulte os dados da Biblioteca de Anúncios neste link.

Como é feita a publicidade no Facebook?

As campanhas no Facebook são permitidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) desde 2018. À época, o tribunal publicou uma cartilha com orientações para os candidatos que, dentre outras coisas, detalha as regras para o “impulsionamento de conteúdo nas mídias sociais”.

>> Eleições: o que pode e o que não pode nas campanhas na internet

Este ano, o Facebook ajustou sua política para atender as exigências do código eleitoral. Por meio do gerenciador de anúncios da plataforma, apenas contas com CPF ou CNPJ podem impulsionar posts orgânicos ou criar novos anúncios relacionados às eleições, que serão mostrados com um selo de “propaganda eleitoral” para o público que o anunciante definir.

É possível escolher, por exemplo, em qual localização estarão as pessoas que irão ver um anúncio, qual a idade, gênero, formação e interesses dessas pessoas. Além disso, a plataforma permite que o anunciante defina os objetivos de sua campanha e monitore os resultados. Caso o candidato busque, por exemplo, trazer mais eleitores para seu site a fim de publicizar suas propostas, o mesmo pode acompanhar o perfil de público que mais se interessam pela sua campanha e criar novos anúncios direcionado para pessoas com as mesmas características.

“Estar no Facebook agora e poder investir em segmentação é uma das vantagens dessa estratégia de campanha. Com a definição de públicos é possível conversar com regiões geográficas da capital e grupos de interesse. A campanha pode produzir vários conteúdos diferenciados de acordo com quem quer se comunicar”, explica Luciana.

A pesquisadora alerta, no entanto, para a necessidade de o cidadão ir buscar informações sobre seus candidatos e suas propostas de forma ativa. “A população não deve esquecer que quem conquistar o cargo de prefeito será um servidor público a serviço das pessoas. Elas devem pesquisar e ir atrás dessa informação e não apenas esperar o que chega desses anúncios.”

Escândalos

Desde as eleições presidenciais norte-americanas em 2016, o Facebook foi alvo de escândalos e controvérsias quanto à influência que exerce em eleições afora. Naquele ano, a rede social foi acusada de vazar informações que poderiam identificar até 87 milhões de usuários para a empresa de análise de dados para estratégias eleitorais, Cambridge Analytica, cuja operação teria favorecido a campanha de Donald Trump.

No documentário Privacidade Hackeada, disponível na Netflix, outro caso, envolvendo as eleições de Trinidad e Tobago, mostra como o Facebook foi utilizado para manipular as eleições presidenciais do país. O filme narra como a mesma empresa que atuou nos Estados Unidos utilizou de táticas digitais e desinformação para influenciar toda uma classe de eleitores mais jovens de um partido a não irem votar, ato que levou o concorrente a assumir o governo do país caribenho.

Após abertura de investigações no Congresso dos Estados Unidos sobre o uso do Facebook para influência externa nas eleições norte-americanas, a rede social tem adotado medidas de transparência para recuperar sua imagem.

Além da publicação aberta dos anúncios eleitorais na plataforma, no último mês a empresa anunciou uma parceria com o Tribunal Superior Eleitoral, para a divulgação de informações oficiais e medidas sanitárias no dia da votação. Durante setembro, o Facebook ofereceu cursos de capacitação para os servidores dos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) sobre as medidas de combate à desinformação adotadas pelas plataformas. A parceria também prevê medidas no Instagram e WhatsApp, ambos pertencentes à empresa.

>> TSE e redes sociais anunciam medidas para conter desinformação nas eleições

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