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Sem recursos, Censo pode sair só em 2023

O governo federal reduziu ainda mais a verba destinada à pesquisa. Dos R$ 2 bilhões previstos inicialmente, apenas R$ 71 milhões foram aprovados

Estadão Conteúdo
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Publicado em 23/04/2021 às 22:30
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O secretário especial de Fazenda do Ministério da Economia, Waldery Rodrigues, informou na sexta-feira (23), que o Orçamento de 2021 não traz recursos para a realização do Censo Demográfico e que a pesquisa será adiada. "Não há previsão orçamentária para o Censo, portanto ele não se realizará em 2021. As consequências e gestão para um novo Censo serão comunicadas ao longo desse ano, em particular em decisões tomadas na Junta de Execução Orçamentária", disse o secretário a jornalistas.
O governo federal reduziu ainda mais a verba destinada à pesquisa. Dos R$ 2 bilhões previstos inicialmente, apenas R$ 71 milhões foram aprovados pelo Congresso Nacional no mês passado. No entanto, o texto sancionado pelo presidente Jair Bolsonaro trouxe o valor de R$ 53 milhões, o que inviabiliza até os preparativos para o levantamento ir a campo em 2022, afirma o sindicato nacional dos servidores do IBGE, o Assibge.
"Nós avaliamos que precisaria de pelo menos R$ 239 milhões para manter o censo vivo e que ele pudesse ser executado ao menos em 2022. Se os recursos necessários para os preparativos só vierem na LOA (Lei Orçamentária Anual) de 2022, significa que ele só será realizado em 2023", disse Dalea Antunes, coordenadora do Núcleo Chile (uma referência à sede do órgão, na avenida Chile, no Rio) do Assibge.
Em nota, o IBGE afirmou que vai retomar as conversas com o Ministério da Economia, a quem é subordinado, para planejar e promover a realização do censo em 2022.
O cancelamento provoca prejuízos que vão desde dados possivelmente imprecisos sobre o mercado de trabalho até dificuldades na realização de amostras para condução de pesquisas eleitorais, alertou Roberto Olinto, ex-presidente do IBGE.
"Primeiro que não vai ter censo este ano, mas com o dinheiro que está disponível não vai ter nem no ano que vem", disse ele, atualmente pesquisador do Ibre/FGV.
As informações do censo também servem de base para pesquisas amostrais, como a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, do próprio IBGE, que levanta dados do mercado de trabalho, como a taxa de desemprego.
 

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