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Envio de 1,1 milhão de doses da Sputnik V para o Brasil, pelo Consórcio Nordeste, é suspenso pela Rússia

A chegada dos imunizantes estava prevista para esta quarta-feira (26). Para resolver o problema, uma reunião entre governadores da região e o Ministério da Saúde da Rússia

Bruna Oliveira
Bruna Oliveira
Publicado em 28/07/2021 às 14:30
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JUAN MABROMATA/AFP
A chegada das vacinas seria sob um mecanismo chamado de importação excepcional e temporária - FOTO: JUAN MABROMATA/AFP
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Com informações de O GLOBO

Esperado pelos estados do Consórcio Nordeste (que agrupa os estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí , Rio Grande do Norte e Sergipe) para chegar ao Brasil nesta quarta-feira (28), o lote de 1,1 milhão de doses da vacina contra a covid-19 da Sputnik V foi cancelado. Agora, o envio dos imunizantes está sem prazo definido para ocorrer. Para resolver o problema, uma reunião entre governadores da região e o Ministério da Saúde da Rússia foi marcada ainda para hoje.

A chegada das vacinas seria sob um mecanismo chamado de importação excepcional e temporária, no qual seria permitida a aplicação do imunizante em 1% da população dos estados solicitantes, com restrições em relação ao quadro geral de saúde e faixa etária dos vacinados.

A suspensão do envio do lote que inauguraria o uso da Sputnik V no Brasil se deu por uma decisão o Fundo Russo de Investimento Direto (RDIF), responsável por negociar a venda dos imunizantes com o Brasil. O cancelamento foi feito após o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmar que o País "não tinha necessidade" de receber imunizantes da Sputnik V e Covaxin.

Com a declaração do ministro, os russos pediram um prazo 48 horas para reavaliar o envio das doses. Após uma análise do RDIF, ficou definido que as entregas das doses iniciais não iria ocorrer de acordo com o que estava previsto anteriormente.

De acordo com O GLOBO, fontes ligadas ao processo disseram que a Rússia recuou porque querem uma definição sobre o governo brasileiro irá incluir, ou não, a vacina no Programa Nacional de Imunizações (PNI). Além disso, há um receio de que o governo federal atrapalhe os procedimentos de autorização do imunizante junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Para resolver o impasse e dar andamento às negociações, o presidente do Consórcio Nordeste, Wellington Dias (PT), tem reunião com o Ministério da Saúde da Rússia e com o RDIF nesta quarta-feira. Ao todo, pelo menos 10 milhões de doses anteriores garantidas pelo Ministério da Saúde e mais 37 milhões de aplicações negociadas pelo Consórcio Nordeste estão em jogo. A importação dessas doses não se deu com totalidade, porque a Anvisa não autorizou o uso emergencial da vacina. 

Eficácia da Sputnik V

A vacina contra a covid-19 desenvolvida pela Rússia revelou uma eficácia de 91,6% contra as formas sintomáticas da doença, segundo resultados publicados em fevereiro na revista médica The Lancet e validados por especialistas independentes. Os resultados dizem respeito à última fase de ensaios clínicos da vacina, a fase três, que envolve cerca de 20 mil voluntários.

Os participantes no ensaio, realizado entre setembro e novembro de 2020, receberam todos duas doses da vacina ou um placebo com três semanas de intervalo. Em cada uma das doses, fizeram também um teste de PCR e, nos dias seguintes à administração da segunda dose, o teste foi realizado apenas em quem desenvolveu sintomas.

Um total de 16 voluntários dos 14,9 mil que receberam ambas as doses da vacina teve teste positivo (0,1%) em comparação com 62 de 4,9 mil voluntários que receberam o placebo (1,3%). Os autores apontam, no entanto, uma limitação: uma vez que os testes PCR só foram realizados quando os participantes declararam ter sintomas de covid-19, a análise da eficácia diz respeito apenas aos casos sintomáticos.

"São ainda necessárias mais pesquisas para determinar a eficácia da vacina em casos assintomáticos e na transmissão" da doença, explica a revista The Lancet em comunicado.

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