CORONAVÍRUS

Ao menos 230 brasileiros estão retidos na África do Sul após descoberta da ômicron

Por causa da variante ômicron, voos da África do Sul foram proibidos em várias partes do mundo

JC Estadão Conteúdo
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Estadão Conteúdo
Publicado em 29/11/2021 às 23:40
PHILL MAGAKOE / AFP
Aeroporto internacional de Johanesburgo - FOTO: PHILL MAGAKOE / AFP
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Com informações do Estadão

A Embaixada do Brasil em Pretória, capital administrativa da África do Sul, tem registro de 230 brasileiros retidos no país. Devido à descoberta da variante ômicron, voos da África do Sul foram proibidos em várias partes do mundo, incluindo o Brasil. De acordo com o Estadão, por volta de 70% dessas pessoas estão na região da Cidade do Cabo e 25% na área de Joanesburgo/Pretória.

O Brasil está barrando voos internacionais que tenham origem ou passagem pela África do Sul, Botsuana, Essuatíni, Lesoto, Namíbia e Zimbábue nos últimos 14 dias. Segundo a portaria, a entrada de estrangeiros procedentes ou com passagem por esses países está proibida. A entrada de brasileiros, contudo, não está suspensa. Mas o viajante brasileiro procedente ou com passagem por esses países africanos nos últimos 14 dias antes do embarque, ao ingressar no território brasileiro, deverá permanecer em quarentena por 14 dias na cidade do seu destino final.

Mesmo autorizados a voltar ao país, brasileiros que estão na África do Sul não conseguem encontrar voos para o retorno. Na manhã do domingo (28), o brasileiro Rodrigo Hauck, 36, e sua esposa Maria Carolina Papadam Hauck, 33, tentavam arrumar outro voo para regressar pela aérea alemã Lufthansa, uma das poucas que ainda estava fazendo voos procedentes do aeroporto internacional da Cidade do Cabo, junto da Ethiopian Airlines. Emirates, Qatar e TAAG suspenderam os voos.

Na África do Sul desde outubro, o casal, a filha de dois anos e os pais de Hauck retornariam ao Brasil nesta terça-feira (30), mas tiveram o voo cancelado. "Nós estamos conversando com o Airbnb para flexibilizar nossa estadia por mais tempo, mas há pessoas que não conseguem se manter aqui", disse. "O triste é ver como o país está sendo castigado por descobrir a nova variante".

Wagner Tavares Buono, 31, está na África do Sul desde janeiro do ano passado, quando começou um estágio pós-doutoral na Universidade do Witwatersrand, em Joanesburgo. "Meu voo de volta seria na terça pela Ethiopian. Na verdade pode ser que aconteça ainda. As informações oficiais da companhia são de que o voo ainda está confirmado, eu até fiz o check-in", contou.

Ainda que os voos pela Etiópia sejam, até o momento, a opção de retorno dos brasileiros - já que o país está com as fronteiras abertas e voos operando -, a Embaixada do Brasil em Adis Abeba emitiu um comunicado neste mês recomendando que brasileiros evitem viagens não essenciais com destino à Etiópia e, quando factível, considerem possíveis alternativas para escala ou conexão no aeroporto de Adis Abeba, já que "muitas destas implicam em pernoite na cidade".

O governo etíope declarou Estado de Emergência no início do mês depois que o grupo terrorista TLFP (Frente de Libertação do Povo Tigré) tomou duas cidades da região de Amhara. "Nas situações de necessidade de escala mais dilatada em Adis Abeba, a opção de pernoite no próprio aeroporto poderia ser considerada, diante do cenário de incertezas e demora nos deslocamentos aos hotéis designados pelas companhias aéreas, causado pelas medidas de segurança reforçadas na capital etíope", diz o comunicado.

"Gostaria de voltar o quanto antes, porque não pude ver minha família no ano passado. Entendi que era muito arriscado viajar sem a vacina, para mim e para minha família", disse Buono.

Ele vê as restrições impostas aos países africanos como "uma medida drástica, que nunca foi aplicada tão rapidamente a nenhum outro continente e que não segue as diretrizes da OMS". "Fica difícil entender porque nem todos os países com casos confirmados foram banidos, só os do continente africano", afirma

A servidora pública Mônica Pereira de Morais, 33, chegou na Cidade do Cabo na segunda-feira, 22, com uma amiga. Em turismo pela cidade, elas conheceram outros brasileiros. "O voo dos meninos que conhecemos, que seria na segunda-feira, 29, com escala em Dubai, já foi cancelado pela Emirates. Como nós compramos por uma agência, ainda não tivemos comunicação direta, mas acreditamos que o nosso voo também será cancelado, já que Dubai fechou as fronteiras."

A nutricionista Thayane Silveira, 28, chegou na Cidade do Cabo na quinta-feira, 25, quando a variante foi divulgada. "Viemos para turismo e nosso voo de volta seria na sexta-feira, dia 3, mas a Qatar já nos notificou do cancelamento. Nossa ideia é voltar o quanto antes, mas pelo que me parece, o que está dificultando nosso regresso são os países em que seria necessário fazer a conexão".

A brasileira Tayná Franco, 28, está grávida de 27 semanas. Também na Cidade do Cabo desde quarta-feira, 24, a Qatar cancelou seu voo de volta, que seria na quinta-feira. "Nós entramos em contato com o Consulado do Brasil que por enquanto pediu que aguardássemos as próximas horas ou até segunda-feira para ver será feito. Com a insegurança, eu procurei alguns brasileiros e estamos tentando montar uma rede de apoio aqui para que a gente consiga repassar informações e consiga se ajudar."

O grupo de WhatsApp "brasileiros na África do Sul" já conta com mais de 90 participantes, que compartilham informações sobre os voos. "Estamos mantendo a calma. Como não se sabe muita coisa, esperamos as horas de informação para que a gente consiga voltar para o Brasil o mais breve possível, todos em segurança", disse.

Isabela Prado, 24, chegou à Cidade do Cabo no dia 20 de novembro para passar férias com o namorado. Ela voltaria para o Brasil neste domingo, mas teve o voo cancelado pela Emirates. "Estamos aguardando um posicionamento do consulado, ainda não há voos disponíveis para voltarmos ao Brasil, então a esperança é um voo direto ou que um avião da FAB (Força Aérea Brasileira) venha buscar os brasileiros que estão aqui. Estou em alguns grupos com outros brasileiros, tentando unir forças para resolver isso o mais rápido possível".

Suélyn Koslinsky, 32, está na África do Sul desde outubro e tinha a volta programada para o dia 7 de dezembro. O voo, que seria por Doha, no Catar, também foi cancelado. "Vim aqui pra estudar inglês. Tenho como me manter, mas muitos dos meus colegas, não", disse. Bruno Santana, 36, também faz parte do grupo de brasileiros na Cidade do Cabo que teve o voo cancelado. "Eu tenho onde ficar. Outros brasileiros estão se organizando para alugar acomodações", comentou.

De férias, Santana fez um intercâmbio de um mês na África do Sul "O pessoal está tranquilo, não estamos desesperados. Estamos mais preocupados com os próximos passos". Bruno, conseguiu embarcar em um voo da Ethiopian Airlines para São Paulo na tarde deste domingo (28).

A embaixada do Brasil em Pretória e o consulado brasileiro na Cidade do Cabo estão recolhendo os dados dos brasileiros que tiveram seus voos cancelados para tentar identificar casos urgentes e facilitar contatos posteriores. "Simultaneamente, estamos tentando contato com as companhias aéreas para ver qual a expectativa de retomada dos voos e se haverá alguma restrição ao embarque de brasileiros", disse o porta-voz da embaixada brasileira em Pretória.

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