VEGETAÇÃO

Estado concentra o maior número de baobás fora da África

O levantamento fotográfico das plantas resultou no DVD Pernambuco, Jardim dos Baobás, lançado mês passado na Festa Literária (Fliporto), em Olinda, pelo Instituto Maximiano Campos.

André Galvão
André Galvão
Publicado em 19/12/2011 às 11:00
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Árvore nativa do continente africano, o baobá encontrou em Pernambuco sua segunda pátria. Do Litoral ao Sertão há nada menos que 130 pés de Adansonia digitata, nome científico da planta conhecida pelas formas volumosas e por ter vida longa. O Estado concentra a maior quantidade de baobás do mundo, depois da África, segundo o jornalista e fotógrafo Marcus Prado, responsável pela pesquisa.

Num intervalo de seis meses, este ano, ele percorreu mais de seis mil quilômetros de estradas para fazer o mapeamento dos baobás pernambucanos. “Fui da Ilha de Itamaracá, ao Norte do Grande Recife, até o Sertão do Araripe”, conta. No interior do Estado, fotografou exemplares em São José do Belmonte, Serra Talhada, Arcoverde, Sanharó, Caruaru, Limoeiro, Gravatá, Vicência, Itambé, Ribeirão, Carpina, Buenos Aires e Vitória de Santo Antão. “Causa admiração a existência de tantos baobás no Agreste e Sertão.

No começo do levantamento sabíamos das 16 árvores tombadas no Recife”, comenta o jornalista. Ele destaca uma planta em Nossa Senhora do Ó, no município de Ipojuca (RMR), com 15,5 metros de circunferência de tronco, e outra no bairro das Graças, Zona Norte do Recife, com 17,5 metros de diâmetro de tronco. Ipojuca, aliás, elegeu o baobá como árvore símbolo da cidade.

Dos mais de cem gigantes africanos existentes no Estado, o mais famoso está na Praça da República, em frente ao Palácio do Campo das Princesas, no bairro de Santo Antônio, Centro do Recife. A espécie pode chegar a seis mil anos e é chamada árvore da vida. Para os africanos e afrodescendentes, é carregada de simbolismos. Representa liberdade e resistência, reforça Marcus Prado.

“Os negros escravizados rodeavam a planta e tocavam o tronco com as mãos, antes de serem embarcados. Eles acreditavam que a energia da árvore tinha o poder de apagar da memória tudo o que eles deixariam para trás, pois sabiam que não mais voltariam ao lugar onde nasceram e assim o sofrimento seria menor”, afirma.

Mudas e semente trazidas por africanos nos navios negreiros teriam dado origem aos baobás mais velhos de Pernambuco. “Há exemplares em Porto de Galinhas (Ipojuca) com mais de 300 anos de vida”, diz o jornalista. O levantamento fotográfico das plantas resultou no DVD Pernambuco, Jardim dos Baobás, lançado mês passado na Festa Literária (Fliporto), em Olinda, pelo Instituto Maximiano Campos.

Assinado por Marcus Prado e Antônio Campos (organizador da Fliporto e presidente do instituto), o vídeo resgata 110 pés de baobás e finaliza o trabalho de preservação da natureza batizado Eco Fliporto, novo braço cultural do festival. Outros desdobramentos são a criação do site www.pejardimdebaobas.com.br com o mapeamento completo dos vegetais, produção de selo personalizado e distribuição de mudas.

O baobá fornece alimento e água, além de matéria-prima para roupas, enfeites e doces. Armazena mais de 120 mil litros de água no tronco e o fruto, de miolo comestível, tem duas vezes mais cálcio que o leite e seis vezes mais vitamina C que a laranja. É também rico em antioxidantes, ferro e potássio, revela Marcus Prado.

A planta que destrói o planeta do pequeno príncipe, no famoso livro do escritor francês Antoine de Saint-Exupéry (1900-1944), floresce no verão. A flor do baobá, grande e branca, vive apenas um dia.

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