PALEONTOLOGIA

Pernambuco tem seu primeiro pterossauro confirmado

Fóssil do réptil alado pré-histórico foi encontrado em Exu, na Chapada do Araripe

Claudia Parente
Claudia Parente
Publicado em 18/01/2015 às 8:07
UFPE/Divulgação
Fóssil do réptil alado pré-histórico foi encontrado em Exu, na Chapada do Araripe - FOTO: UFPE/Divulgação
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O primeiro registro de pterossauro – réptil alado pré-histórico – com procedência conhecida, encontrado em Pernambuco, foi publicado na revista científica Estudos Geológicos, da Universidade Federal de Pernambuco, em dezembro. Um grupo de geólogos e paleontólogos do Laboratório de Paleontologia (Paleolab) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) coletou uma ulna (segundo maior osso da asa) preservada em três dimensões do animal no município de Exu, na Chapada do Araripe, região onde são encontrados os fósseis de melhor qualidade no Brasil.

Não é raro a descoberta de animais pré-históricos do período Cretáceo (de 135 a 65 milhões de anos atrás) na porção cearense da bacia sedimentar do Araripe, área de 10 mil quilômetros quadrados que se estende pelos Estados do Ceará, Piauí e Pernambuco. Os maiores e melhores registros são encontrados em Santana do Cariri (CE), onde os fósseis são vistos à flor da terra. Como Pernambuco fica localizado no ponto mais profundo da bacia, os pesquisadores geralmente só conseguem fazer coleta com ajuda das mineradoras, que explodem as pedreiras para retirar gipsita. Mas o fóssil encontrado no distrito de Zé Gomes, em agosto do ano passado, estava na superfície, envolto em rocha argilosa.

Como só havia um fragmento de osso, sem outras partes para comparar e definir a espécie, faltava justificativa para a publicação em revista científica. “Mas o grupo foi muito perspicaz e fez uma lâmina histológica que permitiu identificar algumas características do animal”, informou a paleontóloga Juliana Sayão, responsável pelo parecer que viabilizou a publicação do artigo.

Os pesquisadores Alcina Barreto, Rudah Duque (responsável pela coleta), Aline Ghilardi e Tito Aureliano cortaram uma camada fina do osso e observaram, em microscópio, as estruturas do tecido ósseo. “Analisando a anatomia e as características morfológicas de uma parte preservada da ulna, foi possível identificar o animal como membro da família dos anhanguerídeos”, disse Alcina Barreto.

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