MEIO AMBIENTE

Baronesas se propagam no Rio Capibaribe

Poluição é um dos principais fatores para a proliferação

Da editoria de Cidades
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Publicado em 29/01/2015 às 9:18
Foto: Alexandre Gondim/JC Imagem
Poluição é um dos principais fatores para a proliferação - FOTO: Foto: Alexandre Gondim/JC Imagem
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As águas do Rio Capibaribe amanheceram cobertas por um grande tapete verde formado por baronesas na última quarta-feira (28). A planta aquática podia ser vista por quilômetros ao longo do curso d’água. Aos olhos, a imagem de um dos principais cartões-postais do Recife tomado pelo verde pode parecer bonita, mas os especialistas afirmam que o aparecimento da espécie no Capibaribe acende um alerta, já que um dos principais fatores para a propagação da planta é a poluição. 

As baronesas (Eichornia crassipes), também conhecidas como aguapé, são comuns em ambientes como o Pantanal Mato-grossense, que é marcado por fluxos de cheia e seca. Elas estão espalhadas em ambientes quentes do mundo inteiro e têm se tornado cada vez mais frequentes nas águas do Capibaribe. E, apesar de servir como abrigo e ninho de organismos aquáticos e também como alimento de alguns tipos de animais, a planta acaba causando desequilíbrio no ecossistema. 

“As baronesas se proliferam rapidamente e podem cobrir toda a superfície de um corpo d’água. Elas impedem a passagem da luz e diminuem a quantidade de oxigênio no ambiente. Desta forma, os peixes acabam morrendo por falta de oxigênio”, explica a professora Karine Magalhães, do Departamento de Biologia da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).

Segundo a bióloga, os poluentes orgânicos e os detritos que são despejados no rio são uma das principais causas para a propagação desses vegetais, que possuem propriedades filtrantes e  uma grande capacidade de armazenamento em seus tecidos. “Essa espécie se alimenta desse tipo de nutriente. Os esgotos que são despejados no rio é a principal porta de entrada para este material. Quanto mais nutriente, mais rápido acontece a proliferação”, afirma Karine Magalhães. A bióloga também explica que a elevação do nível da água, principalmente nos períodos de chuva, também favorece o aumento da reprodução das plantas que, por meio da dispersão, tentam se propagar em outros ambientes. O Açude de Apipucos, na Zona Norte, tem ligação com o Capibaribe e também está tomado pela espécie.

Além de prejudicar o equilíbrio do ecossistema, as plantas dificultam a navegabilidade do Rio Capibaribe e também atrapalham a prática da pesca. “Tem muita planta no rio e isso prejudica a pesca. A gente não consegue pegar nada porque o anzol fica preso”, explica Gerlan Paixão, 41 anos.

Para a professora Karine Magalhães, o ideal é que haja um controle dessas populações. “É preciso fazer a retirada completa da espécie e realizar um monitoramento constante da área para evitar o reaparecimento", avalia.

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