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Parceria promete levar Geladeiras Culturais a comunidades pobres do Recife

Eletrodomésticos são pintados e transformados em bibliotecas

Giovanna Torreão
Giovanna Torreão
Publicado em 16/09/2015 às 9:30
Foto: Ashlley Melo/JC Imagem
Eletrodomésticos são pintados e transformados em bibliotecas - FOTO: Foto: Ashlley Melo/JC Imagem
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Grandes autores brasileiros, clássicos do mundo todo, poesias e até gibis recheiam geladeiras convidando comunidades carentes para uma viagem cultural. Idealizada pelo técnico em microscopia eletrônica do Departamento de Física da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Sérgio Santos, 41 anos, a Geladeira Cultural fez tanto sucesso que despertou o interesse da Prefeitura do Recife. Através da parceria firmada com Secretaria de Enfrentamento ao Crack e Outras Drogas, a capital pernambucana promete multiplicar as geladeiras-bibliotecas, alimentando a fome de saber daqueles considerados vulneráveis socialmente.

A ação, desenvolvida pelo movimento Periferia&Cidadania, transforma eletrodomésticos que iriam para o lixo em incentivo à leitura. “Muitas escolas não possuem bibliotecas, o que dificulta o acesso das crianças aos livros. E a Gelateca vem para suprir essa necessidade cultural. O fato de ser algo diferente desperta o interesse dos pequenos, que, aos poucos, vão se apaixonando pela literatura. Tudo de modo descomplicado”, explica Sérgio Santos. O idealizador da iniciativa destaca que, em três anos de projeto, 32 Gelatecas foram doadas pelo Recife e Região Metropolitana, mas afirma que a parceria com a PCR possibilitará que este número cresça. “No começo eu arcava com todos os custos. Apesar de receber várias doações, era muito gasto para mim. Mas acredito que agora o projeto só tende a crescer e se multiplicar”, diz. 

“Vimos como uma ideia simples e de baixo custo pode mudar a vida de tantas crianças e adolescentes. Esperamos espalhar a Geladeira Cultural pelas comunidades da capital pernambucana para tirar as crianças das ruas e dar a elas uma oportunidade através da cultura”, afirma a secretária de Enfrentamento ao Crack e Outras Drogas, Aline Mariano. Por meio da parceria, a prefeitura se comprometeu a fornecer kits de livros para preencher as Gelatecas. “São aproximadamente 160 livros por biblioteca, mas varia um pouco dependendo do tamanho do eletrodoméstico”, afirma Sérgio. Além de aproveitar as obras, os jovens poderão participar de oficinas de leitura, contação de história, grafite e prevenção às drogas. “Dessa forma, as crianças e adolescentes se sentem mais parte do projeto, dão mais valor e ainda tem a oportunidade de aprender técnicas de reciclagem”, acrescenta a secretária. 

O objetivo é expandir a iniciativa, levando para escolas públicas e outros municípios. “A ação já foi apresentada no III Fórum Mundial da Educação e adotada em outros sete Estados brasileiros, mas ainda não consegui mostrar o projeto para algumas gestões. Meu desejo é firmar novas parcerias e ampliar a Geladeira Cultural”, diz o idealizador. 

Aqueles que quiserem ajudar pode realizar doações na sede da Secretaria de Enfrentamento ao Crack e Outras Drogas, no 10º andar do prédio da Prefeitura do Recife, na Avenida Cais do Apolo, ou na sede do 29º Grupo de Escoteiros do Mar (Gemar) Exército da Salvação, na Rua Conde de Irajá, nº 108, bairro da Torre. Para saber mais sobre o projeto, basta entrar em contato com a secretaria através do telefone (81)3355-9250.

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