EDUCAÇÃO

Escolas terão assistentes de alfabetização a partir de abril

Profissionais vão ajudar os professores na tarefa de alfabetizar os alunos dos 1º e 2º anos do ensino fundamental

Margarida Azevedo
Margarida Azevedo
Publicado em 26/02/2018 às 20:00
Foto: Guga Matos /  JC Imagem
Profissionais vão ajudar os professores na tarefa de alfabetizar os alunos dos 1º e 2º anos do ensino fundamental - FOTO: Foto: Guga Matos / JC Imagem
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Até o início de abril, professores de escolas públicas que lecionam em turmas dos 1º e 2º anos do ensino fundamental contarão com o apoio de assistentes de alfabetização. O Ministério da Educação (MEC) vai pagar R$ 150 pelo trabalho desses assistentes, por cada turma que eles auxiliarem. O dinheiro começará a ser repassado em março diretamente para as unidades de ensino. Serão beneficiadas, no País, 59.383 escolas, das quais 2.900 estão em Pernambuco. O anúncio foi feito nesta segunda-feira pelo secretário de educação básica do MEC, Rossieli Soares, durante o seminário Pernambuco pela Educação, realizado no auditório do Instituto Federal de Pernambuco (IFPE) de Barreiros, na Zona da Mata Sul.

A iniciativa integra o Programa Mais Alfabetização, que deve atender 4,2 milhões de estudantes brasileiros. Faz parte do Plano Nacional de Alfabetização, anunciado pelo MEC em outubro do ano passado. Quarta-feira, em Brasília, o ministro da Educação, Mendonça Filho, lançará, juntamente com o presidente da República, Michel Temer, outras ações do plano, desta vez com foco na formação de docentes. Uma delas será o Programa de Residência Pedagógica, dentro do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid).

“Vamos dinamizar a política de formação dos docentes. Historicamente, as formações não levam em conta os atores principais, os professores em sala de aula. Queremos mudar isso”, destacou Mendonça Filho. O objetivo é melhorar a formação dos futuros mestres. Nas universidades, os estudantes de pedagogia e licenciaturas passarão por estágios supervisionados. Outra novidade será um mestrado em alfabetização, exclusivamente para docentes que estiverem em sala de aula, no modelo semi-presencial. Está para ser aprovado pela Capes até abril, com início no segundo semestre.

ADESÃO

Rossieli Soares informou que somente o município de Carnaubeira da Penha não aderiu, em Pernambuco, ao Programa Mais Alfabetização. Todas as outras 183 cidades do Estado e o arquipélago de Fernando de Noronha firmaram convênio com o MEC. O prazo expirou semana passada. No País, 4.931 municípios aceitaram a ajuda do governo federal. “A ideia é que o assistente de alfabetização apoie o trabalho do professor. Quem vai definir como será a atuação do assistente é o professor”, observa o secretário do MEC. Cada assistente terá 5h semanais por turma. As escolas terão que fazer a seleção dos profissionais e monitorar a atuação deles, com repasse de informações regularmente para o MEC.

Caso a cidade tenha mais de 50% dos alunos com níveis insatisfatórios em leitura e escrita na Avaliação Nacional de Alfabetização (ANA), os assistentes vão dobrar a carga horária. De acordo com a última avaliação (2016), 54,73% dos estudantes acima dos 8 anos tiveram desempenho insuficiente em leitura no Brasil e 33,85% em escrita. “Devemos alfabetizar as crianças no 1º ano, aos 6 anos. Por que os filhos da elite das escolas privadas sabem ler aos 6 anos e os do pobre têm que esperar até os 8 anos? Está errado", comentou o presidente do Instituto de Corresponsabilidade pela Educação (ICE), Marcos Magalhães.

O seminário Pernambuco pela Educação foi realizado pelo Sistema Jornal do Commercio de Comunicação. Teve o apoio da TV Escola e do Instituto Ayrton Senna, com a cooperação da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj). Aconteceram outros três encontros semelhantes, nas cidades de Caruaru, Petrolina e Goiana.

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