Ataque de Tubarão: 20 anos

À espera da polêmica tela de proteção contra tubarões

Equipamento deve ser instalado em Boa Viagem em campeonatos de surfe já no segundo semestre

Carlos Eduardo Santos
Carlos Eduardo Santos
Publicado em 27/06/2012 às 7:04
Foto: Hélia Scheppa/JC Imagem
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Desde que começaram a ser contabilizados os ataques, em 1992, surgiram propostas para manter os tubarões afastados da costa. Uma delas, que prevê a colocação de uma tela em forma de trave de futebol ao longo de 200 metros da orla, no início foi alvo de polêmica, mas agora está prestes a sair do papel. Conheça detalhes desse projeto e também saiba mais sobre o shark shield, equipamento usado pelos bombeiros para repelir tubarões, no quarto dia da série Ataque de tubarão: 20 anos.

Foto: Hélia Scheppa/JC Imagem
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Fotos: Hélia Scheppa

Texto: Carlos Eduardo Santos e Verônica Falcão

Do R$ 1,5 milhão que o governo do Estado orçou este ano às ações de pesquisa e educação ambiental para conter ataques de tubarão, R$ 385 mil bancarão o mais antigo e polêmico projeto: uma tela de proteção do litoral contra os animais.

Com 400 metros, a rede é uma reivindicação do Projeto Praia Segura, que inicialmente prestava assistência jurídica e psicológica às vítimas. A ideia é, no começo, montar o equipamento durante campeonatos de surfe. “Depois poderemos usar em feriadões, por exemplo”, diz o diretor da ONG, Sergio Murilo Santa Cruz.

A instalação da tela móvel, criticada por oferecer riscos a outros animais, como tartarugas-marinhas, na lista de espécies ameaçadas de extinção, está prevista para o próximo semestre. “O projeto já foi aprovado. Estamos na fase de liberação dos recursos”, diz o gerente de Articulação e Integração Institucional e Comunitária da Secretaria de Defesa Social (SDS), Manoel Caetano Cysneiros.

Depois de submeter a tela a três testes, com apoio da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), o Projeto Praia Segura decidiu diminuir a malha (distância entre os nós) para evitar o aprisionamento não só de tartarugas, mas também de pequenos peixes. “A primeira malha, que testamos em Tamandaré, em 2007, era de 50 milímetros. Agora usaremos 25 milímetros”, detalha Sergio Murilo.

A tela, feita de malha de poliamida – tipo de plástico – tem sete metros de altura. Como as marés mais altas não ultrapassam cinco metros no litoral Pernambucano, há uma margem de dois metros de segurança, evitando que o tubarão passe por baixo. “Ficará a 100 metros de distância da praia, presa ao fundo por correntes. Em cima tem boias que indicam a presença do equipamento”, descreve.

Os recursos do governo do Estado, que em 2010 e 2011 somaram R$ 1 milhão ao ano, são repassados, segundo Manoel Caetano, ao Instituto Oceanário, uma ONG com sede na UFRPE. A entidade, criada em 2004, é responsável pelas ações de educação ambiental nas praias. “Já realizamos mais de 1.500 palestras gratuitas em escolas públicas e privadas, além de empresas”, detalha o presidente da entidade, Alexandre Carvalho.

Duas vezes por mês, nos fins de semana de Lua cheia e nova, quando há maior incidência de ataque por conta da maré cheia, monitores do Instituto Oceanário vão a Boa Viagem e Piedade alertar os banhistas para os riscos. “São de 24 a 30 educadores ambientais, que passam por um treinamento para não só orientar as pessoas, como também desmistificar o tubarão, que muitas vezes é visto como um assassino dos mares, quando, na verdade, esse é o hábitat dele.”

Leia mais sobre a tela de proteção e o equipamento utilizado pelos bombeiros para repelir tubarões, além da entrevista com representante do governo do Estado, na edição desta quarta-feira (27) do Jornal do Commercio

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