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Novos rumos para o Rio Beberibe

Atendendo a pedidos da comunidade pesqueira, governo do Estado ampliou a área de dragagem da foz do rio, em Olinda

Do JC Online
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Publicado em 25/10/2012 às 21:37
Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
Atendendo a pedidos da comunidade pesqueira, governo do Estado ampliou a área de dragagem da foz do rio, em Olinda - FOTO: Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
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A foz do Rio Beberibe, em Olinda, terá uma comunicação maior com a água do mar. É que o governo de Pernambuco ampliou a área de dragagem no local, atendendo a pedidos da comunidade pesqueira, para melhorar o canal de navegação. Em vez de 2,3 quilômetros (do ponto onde o rio deságua no mar até a ponte da Avenida Olinda), serão desassoreados 2,9 quilômetros de extensão na primeira fase da obra. Os 600 metros de acréscimo correspondem à inclusão da boca da barra, nas imediações do Shopping Tacaruna.

Com isso, a limpeza que está sendo feita pelo Estado na foz do Beberibe desde maio encostará no trecho do mar, dragado pelo Porto do Recife, garantindo uma maior oxigenação do rio. Também fará interseção com a dragagem do Rio Capibaribe, anunciada pelo governo. “Fazemos reuniões todo mês com as comunidades ribeirinhas para discutir o projeto. Nelas, surgem demandas que não estavam previstas”, diz o secretário estadual de Recursos Hídricos e Energéticos, Almir Cirilo.

O projeto prevê a desobstrução do rio, com a retirada da areia acumulada no leito, desapropriações, ampliação e aprofundamento da calha, regularização das margens, recuperação ou construção de 13 pontes e implantação de passeios públicos e vias. O trabalho será executado numa extensão de 13 quilômetros do Beberibe, desde a foz, na entrada do Porto do Recife, até a BR-101 Norte, no bairro de Passarinho.


“Dividimos o rio em seis trechos e começamos pela foz, porque quando a água descer, encontrará o caminho aberto e não provocaremos inundações”, explica o secretário. Segundo ele, a retirada de lixo e areia começou em setembro. Em um mês e meio foram recolhidos oito mil metros cúbicos de lixo (plástico, sofá, pedaços de carro e outros) e mais de 30 mil metros cúbicos de areia.

A quantidade de entulho enche mil caminhões com capacidade para transportar oito metros cúbicos de detritos (tamanho padrão). Parte da areia será reaproveitada pela Prefeitura de Olinda e o restante vai ser despejado no mar. A expectativa do governo é tirar cerca de 600 mil metros cúbicos de areia na primeira etapa da obra. “Recuperar um rio urbano é um desafio penoso, longo e trabalhoso”, declara Cirilo.

Afora areia e lixo, operários removeram da foz 61 estacas de madeira e concreto e outra estrutura submersa, remanescentes de uma antiga ponte construída pela Marinha do Brasil nos anos 70. Depois da limpeza, o rio ficará com profundidade de 2,30 metros abaixo do nível zero da maré. Hoje, há trechos com lâminas d’água. Nos pontos mais largos (foz), o Beberibe terá 80 metros de largura. Na parte mais estreita, chegará a cinco metros.

Só em janeiro de 2013 o Estado inicia a intervenção na segunda etapa, dividida em cinco trechos. “Até junho de 2014, estaremos com a maior parte das obras, se não todas, concluídas”, promete o secretário. O serviço está estimado em R$ 63 milhões, sendo R$ 60 milhões da Caixa Econômica Federal (empréstimo pelo PAC Drenagem). A contrapartida do governo é de R$ 3 milhões.

O projeto executivo será entregue à Secretaria de Recursos Hídricos e Energéticos no fim deste mês, com quatro meses de atraso. Levantamento inicial aponta a necessidade de transferir cerca de 400 famílias da margem do rio, mas o número exato será definido agora. O estudo demorou, diz o secretário, porque era preciso compatibilizar a intervenção com outras obras previstas pelas Prefeituras do Recife e de Olinda.

Há projetos e trabalhos em execução, pelos municípios, de mobilidade urbana, pavimentação, urbanização e saneamento. “Vamos cobrar das prefeituras ações de educação ambiental, remoção de atividades incompatíveis na beira do rio, como a central de triagem de resíduos, e aumento da coleta de lixo para evitar o retorno do problema”, destaca Almir Cirilo.

Leia o projeto do governo para o Rio:

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