patrimônio

Descaso ofusca obras de arte de Brennand

Painéis em homenagem à Batalha Naval do Riachuelo e à Batalha dos Guararapes exibem avarias e desgaste

Cleide Alves
Cleide Alves
Publicado em 14/06/2013 às 6:31
Foto: Igo Bione/JC Imagem
Painéis em homenagem à Batalha Naval do Riachuelo e à Batalha dos Guararapes exibem avarias e desgaste - FOTO: Foto: Igo Bione/JC Imagem
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O painel criado pelo artista plástico Francisco Brennand em homenagem à Batalha Naval do Riachuelo – conflito militar considerado decisivo no resultado da Guerra do Paraguai e que completou 148 anos esta semana – apresenta avarias. Com 19 metros de comprimento e 1,80 metro de altura, a obra de arte fica na Avenida Cruz Cabugá, em Santo Amaro, área central do Recife, e foi restaurada pela prefeitura em 2005. Passados oito anos, exibe pedras quebradas e desgastes nos desenhos.

Instalado na Praça 11 de Junho (referência ao dia da batalha, 11 de junho de 1865, em Corrientes, na Argentina) desde 1974, o painel reproduz os feitos do almirante brasileiro Francisco Manoel Barroso da Silva, durante a guerra. O mesmo descaso ofusca o mural Batalha dos Guararapes, também de autoria de Francisco Brennand e uma de suas obras preferidas, na Rua das Flores, bairro de Santo Antônio, Centro do Recife.

“É um mural histórico e cheio de significados. Se há uma obra minha que merece durar para a posteridade, é a Batalha dos Guararapes. Se deixassem o mural resguardado, para mim seria o bastante”, declara Brennand. Ele destaca, no painel, o desenho da Bandeira Nacional. “Fiz como simbolismo, é uma antecipação da República numa época em que ainda não se pensava nisso, a batalha aconteceu no século 17”, observa.

Há quatro bandeiras, duas em cada extremidade, junto de poemas de Ariano Suassuna e César Leal (falecido semana passada). Confeccionado de agosto de 1961 a abril de 1962, o mural conta a história das duas batalhas travadas nos Montes Guararapes (Jaboatão) durante a ocupação holandesa no Nordeste brasileiro (1630-1654). As tropas holandesas foram vencidas pelos luso-brasileiros nos dois confrontos, em 1648 e 1649.

Como havia antecipado à jornalista Flávia de Gusmão, na coluna Dia a Dia, o artista não tem interesse na transferência do mural para outra área da cidade, apesar da situação precária do lugar. “De forma alguma, muito pelo contrário, e não é por razões sentimentais. As pedras foram aplicadas na parede do edifício com cimento e só saem aos pedaços, com a destruição do mural. Seria lastimável se isso acontecesse, para mim representaria uma tragédia.”

O trecho da Rua das Flores onde encontra-se a Batalha dos Guararapes é usado como sanitário público por passantes. “É o mictório da cidade, há uma faixa espessa de ureia acinzentando a parte de baixo do mural, que está quase apagada. Uma limpeza resolve”, comenta o artista. O local também era ocupado por barracas de ambulantes.

“Não há lugar melhor ou pior no Recife, é muito simbólico o mural estar localizado numa rua modesta”, destaca Francisco Brennand. Segundo ele, a obra de arte precisa apenas de conservação e respeito. “Fico chateado e preocupado com isso, mas todo prefeito teve cuidado com a peça”, afirma. O mural tem 33 metros de comprimento e 2,5 metros de altura.

Foi recuperado em 2006, pela prefeitura e Banco Real (atual Santander). O curador da Fliporto, Antônio Campos, vai pedir o tombamento estadual do mural.

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