REDESCOBRINDO OS ENGENHOS

Acervo do século 17 caindo aos pedaços em Itamaracá

Propriedade do governo do Estado, que tombou a casa-grande em 1983, o Engenho São João é só abandono

Cleide Alves
Cleide Alves
Publicado em 07/02/2014 às 19:22
Hélia Scheppa/JC Imagem
Propriedade do governo do Estado, que tombou a casa-grande em 1983, o Engenho São João é só abandono - FOTO: Hélia Scheppa/JC Imagem
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O descaso e a falta de interesse andam de braços dados no Engenho São João, na Ilha de Itamaracá, ao Norte do Grande Recife. Propriedade do governo do Estado, que tombou a casa-grande, em 1983, o lugar deveria funcionar como Centro de Referência Cultural e Ecológica. Mas, sem recursos, o projeto proposto pela Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) nunca chegou a ser implantado.

Construído no século 17 (já funcionava em 1689), o São João foi o primeiro engenho movido a vapor do Brasil. Na casa-grande hoje destelhada, sem piso, portas e janelas, nasceu o abolicionista João Alfredo Corrêa de Oliveira, em 12 de dezembro de 1835. Estadista do Segundo Reinado, ele participou da promulgação da Lei do Ventre Livre (1871) e da Lei Áurea (1888), que extinguiu a escravidão no Brasil. O conselheiro João Alfredo morreu no Rio de Janeiro, em 6 de março de 1919.

A casa-grande do engenho, que naquela época pertencia ao avô materno do abolicionista, está caindo aos pedaços. Pés de cana, agora, crescem na antiga sala de visitas. Vigas de madeira apodrecem, caídas pelo chão. Há rachaduras e a escadaria lateral está se desprendendo da parede. Na fachada principal, o suporte do gradil das janelas está quebrado.

Para evitar o desabamento da casa, a Fundarpe fez a estabilização das paredes, em 2008. Aberturas de portas e janelas foram fechadas com tijolos, informa a chefe da Unidade de Preservação da fundação, arquiteta Rosa Bonfim. O recurso, porém, não impede o acesso ao interior do imóvel. Uma das portas entaipadas, no oitão, teve parte dos tijolos arrebentados, criando uma passagem.

“Fechamos tudo porque portas e janelas foram saqueadas. Estabilizamos as paredes e estamos aguardando recursos para a obra de recuperação”, declara Rosa Bonfim. Sem vigilância, a casa continua sendo desmontada. O ladrilho hidráulico do revestimento do piso virou um monte de escombros num dos cantos da casa. Paredes que antes dividiam quartos, salas e banheiros desapareceram, pés de mamão e mato proliferam no interior da casa.

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