Atualizada às 14h40
A estátua do poeta pernambucano Ascenso Ferreira, que fica no Cais da Alfândega, no Bairro do Recife, foi depredada na madrugada do último domingo (27). A escultura foi encontrada com o rosto quebrado, pequenas avarias no corpo e nos livros ao lado. No chão em volta, já existia uma pichação com os dizeres: "Todo coração que sente é revolucionário. Poder Popular". O monumento faz parte do projeto Circuito da Poesia e foi construído em 2007. O suspeito foi preso e levado para o Centro de Triagem de Abreu e Lima (Cotel).
A Emlurb disse que irá providenciar o reparo junto ao artista que fez a peça, Demétrius Albuquerque. Em nota, o órgão lamentou as constantes ações de vandalismo que danificam o patrimônio público. Anualmente, a prefeitura gasta cerca de R$ 2 milhões para para recuperar monumentos, pontes e edificações públicas que sofreram ações de pixação e vandalismo.
Foto: Diego Nigro/JC Imagem
JUSTIÇA - "A manutenção das estátuas e monumentos é de responsabilidade do órgão, no entanto, a pichação ou qualquer outro dano são contravenções ao código penal", diz o comunicado. O artigo 163 prevê de um a seis meses prisão ou multa para quem destruir, inutilizar ou deteriorar coisa alheia. Se houver vítima ou a motivação for considerada 'egoística", a pena seis meses a três anos e multa, além da pena correspondente à violência.
Imagem da estátua em seu estado natural - Foto: Divulgação
CIRCUITO DA POESIA - Em 2007, a prefeitura inaugurou o projeto Circuito da Poesia, com um investimento de R$ 270 mil. A ação tem por objetivo homenagear expoentes da cultura pernambucana e aproximar a história deles do público recifense. Além de Ascenso, há estátuas de Manuel Bandeira e João Cabral de Melo Neto (Rua da Aurora), Mauro Mota (Praça do Sebo), Clarice Lispector (Praça Maciel Pinheiro), entre outros. O artista é Demetrius Albuquerque.
POETA - Ascenso Carneiro Gonçalves Ferreira nasceu na cidade de Palmares no ano de 1895. Ficou conhecido por integrar o movimento modernista de 1922 com uma poesia que destacava a temática regional de sua terra. Veja abaixo um dos poemas dele:
Filosofia
(A José Pereira de Araújo - "Doutorzinho de Escada")
Hora de comer — comer!
Hora de dormir — dormir!
Hora de vadiar — vadiar!
Hora de trabalhar?
— Pernas pro ar que ninguém é de ferro!