Chuva

Prefeito diz que nenhuma cidade do mundo suportaria tanta chuva

Geraldo Júlio convocou coletiva para mostrar o que a prefeitura tem feito para minimizar o impacto das precipitações

JC Online
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Publicado em 09/05/2016 às 20:21
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Geraldo Júlio convocou coletiva para mostrar o que a prefeitura tem feito para minimizar o impacto das precipitações - FOTO: Foto: JC Imagem
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A culpa é de São Pedro, que mandou muita chuva de uma só vez, e não há o que ser feito. Nem o Recife nem cidade alguma do mundo suportaria tanta água em tão pouco tempo. No máximo, o que pode ser feito é apelar às famílias que residem nas áreas de risco que saiam de suas casas para evitar mortes. Em resumo, esse foi o recado que Geraldo Júlio, prefeito da capital pernambucana, passou para a população, durante coletiva no fim da tarde de ontem, enquanto a cidade se afogava em alagamentos, comércios, escolas e repartições públicas encerravam o expediente mais cedo e trabalhadores tentavam voltar para casa amedrontados.

Cercado por todo secretariado, o prefeito começou a coletiva atacando para se defender. “Não existe sistema de drenagem em todo o mundo projetado para suportar 185 milímetros de chuvas em 24 horas. Pode ser a cidade mais desenvolvida do planeta, vai sofrer, não vai aguentar. As precipitações já representam o equivalente às chuvas de 17 dias de acordo com a média histórica do Recife, que é de 328 milímetros no mês”, frisou. E continuou: “Tem chovido 10 milímetros a cada hora sem parar, permanentemente. Já é a maior chuva dos últimos dez anos e, se continuar, como prevê a meteorologia, será a maior chuva dos últimos 30 anos”, emendou. A Apac prevê chuvas na mesma intensidade até hoje, à noite.

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Antes que a imprensa questionasse sobre os problemas dos alagamentos nos mesmos pontos históricos da cidade, efeito direto da falta de manutenção do sistema de drenagem e da limpeza dos canais, o prefeito mais uma vez se defendeu: “Além das fortes chuvas, tivemos um aviso de ressaca emitido pela Marinha de uma maré que daria 2.4 no fim da tarde. Embora não seja uma das marés mais altas, ela influencia diretamente no nível dos canais, resultando nos alagamentos”, disse.

Geraldo Júlio garantiu que a prefeitura vem fazendo o trabalho preventivo fundamental para a cidade lidar melhor com o inverno, como a limpeza dos 90 canais existentes na capital e a resolução de alguns pontos históricos de alagamentos. Mas não apresentou dados. Coube à Emlurb apresentá-los. “Investimos R$ 9,8 milhões em 2015 para solucionar 29 pontos de alagamentos e este ano já surgiram outros 22. Para resolvê-los, já gastamos R$ 5 milhões. Os canais também têm recebido atenção. Já limpamos 15, outros 12 estão em execução e até junho faremos o resto”, garantiu Roberto Gusmão, presidente da Emlurb.

Geraldo Júlio fez questão de destacar na coletiva que a prefeitura está atenta aos alagamentos e à confusão que acontece no trânsito em dias de chuva, mas que a maior preocupação da gestão é, de fato, com a vida das famílias que residem nas áreas de risco. “Fazemos um apelo aqui para que, por favor, as pessoas não fiquem nas áreas de risco após tanta chuva. Essa precipitação intensa e permanente é perigosa porque encharca o solo, as barreiras e as árvores. Pedimos que as famílias procurem a Defesa Civil e peçam ajuda. Quem não tiver para onde ir, será encaminhado a um abrigo”, apelou.

Os números apresentados pela prefeitura mostraram que o município está atuando desde o primeiro alerta emitido pela Apac, ainda na manhã de domingo. Desde então, 572 famílias foram orientadas a deixar suas casas e mais de 15 mil pessoas cadastradas em áreas de morro receberam SMS, por três vezes, com alertas de chuvas. Segundo a Apac, a intensidade e frequência das chuvas se deve ao fenômeno chamado Ondas do Leste, provocado por nuvens extremamente altas e extensas, que se deslocam rapidamente sobre o Atlântico, na direção do Leste para o Oeste.

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