Segurança

Falta de câmeras nos ônibus dificulta investigação de assaltos

Integrante de quadrilha de roubo a ônibus diz que escolhiam veículos sem os equipamentos

Margarette Andrea
Margarette Andrea
Publicado em 03/02/2017 às 8:23
Divulgação
Integrante de quadrilha de roubo a ônibus diz que escolhiam veículos sem os equipamentos - Divulgação
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Apesar de serem itens obrigatórios no Sistema de Transporte Público de Passageiros do Grande Recife (STPP/RMR), as câmeras de segurança não estão presentes em muitos ônibus, dificultando o trabalho de investigação da polícia. A revelação foi feita, nesta quinta, pelo delegado Joel Venâncio, coordenador da força-tarefa voltada para apurar esse tipo de crime, durante coletiva a respeito da desarticulação de uma quadrilha de assaltantes de ônibus que agia na BR-101, entre o bairro do Barro, no Recife, até Prazeres, em Jaboatão dos Guararapes, e é suspeito de pelo menos 28 ações.

“Normalmente, os grupos são bastante rudimentares, mas este tinha um perfil  diferenciado, um alto nível de organização. Um dos cinco integrantes informou que eles começaram assaltando micro-ônibus, depois souberam não haver câmeras também nos coletivos da Vera Cruz e passaram a investir contra eles. Essa empresa não nos mandou nenhuma imagem e não é a única que tem ônibus sem câmeras. Isso dificulta nosso trabalho e facilita o dos criminosos”, declarou Venâncio. 

O grupo vinha sendo investigado desde novembro e os inquéritos estão sob comando da delegada Sylvana Lellis, que contou com o apoio do Batalhão de Rádio Patrulha (BPRP) e do Rocrop (Rondas Ostensivas Coronel Roberto Pessoa) para prender os suspeitos, na madrugada de anteontem, no Jordão, Zona Oeste do Recife. Foram autuados em flagrante por organização criminosa  Gideão Sebastião da Silva, de 18 anos, Gustavo Luiz dos Santos,  26 anos, Tiago Francisco de Assunção,  27 anos, e Léa Flávia de Lima,  21 anos. 

Um quinto suspeito de integrar a quadrilha, Luan de Oliveira Monteiro, 27, se entregou à polícia após as prisões, junto com o irmão, cuja participação está sendo melhor investigada. “Luan usava o carro da mãe para dar fuga ao grupo e o irmão era encarregado de desbloquear os celulares roubados”, salienta Sylvana. “Eles eram tão organizados que se revezavam nas funções de subir no ônibus, fazer a catação e o transporte. Isso dificultava a identificação, pois havia ocasiões de realizarem três assaltos seguidos”.

Uma quinta pessoa, Adonias Silva Clemente, de 23 anos, foi autuada por tráfico, pois portava 62 papelotes de maconha e 20 pedras de crack, além de balança e cachimbo. Com os suspeitos de assaltos a polícia encontrou nove celulares e quatro relógios. “Quem foi roubado naquela área deve procurar a delegacia do Jordão para ver se seus pertences estão lá”, registra a delegada.

Prazo

O presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros (Urbana-PE), Luiz Fernando Bandeira, afirma que desconhece a ausência de câmeras nos coletivos. “Temos um prazo até abril para instalar quatro câmeras de alta resolução em cada ônibus e vamos cumprir. Quem não tem vai ter que botar, mas desconheço isso”, afirma.

A Secretaria de Defesa Social (SDS) ainda não tem os dados de assalto a ônibus deste ano, mas o Sindicato dos Rodoviários afirma que contabilizou 345 ocorrências em janeiro, quase o dobro do montante de janeiro de 2016, que teve 175 investidas. Em 2016, a SDS registrou 1222 e o sindicato, 1916. A entidade realiza uma coletiva hoje pela manhã, para falar sobre a insegurança de operadores e medidas a serem tomadas.

Abordagens aos coletivos vêm sendo feitas diariamente pela polícia, chegando a 3017 só em janeiro, com 18 pessoas encaminhadas à delegacia e apreensão de nove armas de fogo, duas brancas e dois simulacros de revólveres, além de drogas.


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