Urbanismo

MPPE propõe novos usos para casarão abandonado nas Graças

A sugestão do MPPE é ocupar o imóvel com um espaço cultural e um centro de referência para idosos

Da Editoria Cidades
Da Editoria Cidades
Publicado em 26/08/2017 às 7:07
Foto: Filipe Jordão/JC Imagem
A sugestão do MPPE é ocupar o imóvel com um espaço cultural e um centro de referência para idosos - FOTO: Foto: Filipe Jordão/JC Imagem
Leitura:

Uma casa de arquitetura art nouveau, no bairro das Graças, que está fechada e sem uso há quatro anos, poderá ser reaberta como centro cultural e espaço de referência para pessoas idosas, por sugestão do Ministério Público de Pernambuco (MPPE). O imóvel fica na Avenida Rosa e Silva, nº 720, na Zona Norte do Recife, e pertencia a uma professora de piano aposentada que morreu em 2013, aos 102 anos, solteira e sem filhos.

“Ela era filha única e não deixou herdeiros diretos. Numa situação dessa, pelo Código Civil, o imóvel é repassado ao município”, informa a promotora de Justiça Luciana Dantas. A proposta do MPPE é reocupar a área residencial, no primeiro pavimento, com um centro de memória para resgatar a história da família. Para isso, seriam aproveitados os móveis e demais utensílios preservados no casarão construído na década de 1920, no século 20.

Em visita à casa, esta semana, o MPPE encontrou camas, cadeiras, escrivaninha, berço, o piano alemão de Maria da Conceição Guedes Pereira (antiga proprietária), cartas, cartões-postais e brinquedos. “Há um velocípede que provavelmente era dela”, comenta a promotora. O porão poderia abrigar um espaço de reabilitação para idosos vítimas de doenças crônicas ou que precisam de tratamento com fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional.

“Seria um Centro Dia, um local onde eles fazem o tratamento e depois retornam para casa. É uma alternativa mais barata do que o atendimento domiciliar”, afirma. No porão também poderia funcionar a sede dos Conselhos Estadual e Municipal do Idoso. De acordo com Luciana Dantas, que atua na Promotoria de Cidadania da Pessoa Idosa, Maria da Conceição foi vítima de furto e de maus-tratos de cuidadores.

Ao tomar conhecimento da situação, mais de dez anos atrás, o MPPE interveio e passou a monitorar a aposentada, que contratou novos empregados. Numa das conversas com promotores, Maria da Conceição revelou o desejo de a casa, no futuro, ser transformada num centro cultural voltado para a música e as artes. Participaram da visita ao casarão representantes da Prefeitura do Recife e do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano (IAHGP).

IMÓVEL ESPECIAL

O MPPE chamou o instituto para ajudar na possível montagem do centro de memória. Primeiro secretário do IAHGP, Reinaldo Carneiro Leão recorda que havia cinco casas com porão alto, como essa, na Rosa e Silva. “Ela é a última que resta”, declara. O casarão foi construído pelo professor da Faculdade de Engenharia de Pernambuco Paulo Guedes Pereira, pai da professora. Na fachada está inscrito: Vila Maria Conceição.

Os móveis da casa são da época da inauguração e possivelmente confeccionados na Serraria Moderna (Guedes Pereira e Companhia), dos irmãos de Paulo Guedes, e que funcionava na Rua da Fundição, em Santo Amaro, na área central do Recife, informa Reinaldo Carneiro Leão. “O porão era a biblioteca do engenheiro”, diz ele. O casarão é considerado Imóvel Especial de Preservação (IEP) pela Prefeitura do Recife.

Segundo a assessora jurídica da Fundação de Cultura Cidade do Recife e curadora da casa, Virgínia Xavier, o imóvel encontra-se em processo judiciário na vara de sucessão. “A casa ainda não é de propriedade da prefeitura, o juiz está procurando herdeiros. Provavelmente não há, mas nada impede de aparecer, vamos aguardar a decisão”, declara Virgínia Xavier.

A edificação tem problemas de infiltração, goteiras, e infestação de cupins para serem combatidos. “Estamos convidando a sociedade civil para participar desse projeto e ajudar a prefeitura a recuperar essa tesouro da arquitetura”, diz a promotora do MPPE Luciana Dantas.

Últimas notícias