PATRIMÔNIO

Restauração de casarão secular no Paissandu quase concluída

Imóvel estava quase em ruína. Primeira fase da recuperação, custeada pela Rede D'Or São Luiz, termina em outubro

da editoria de Cidades
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Publicado em 17/08/2018 às 9:18
Foto: Filipe Jordão / JC Imagem
Imóvel estava quase em ruína. Primeira fase da recuperação, custeada pela Rede D'Or São Luiz, termina em outubro - FOTO: Foto: Filipe Jordão / JC Imagem
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Um casarão secular e que quase virou ruína, no bairro de Paissandu, área central do Recife, está perto de ter a primeira etapa de restauração concluída. Localizado na Avenida Portugal, é um Imóvel Especial de Preservação (IEP). Significa que é protegido pela gestão municipal e qualquer intervenção nele necessita da anuência do poder público.

De estilo eclético, a edificação pertence à Rede D’Or São Luiz, dona do Hospital São Marcos, existente na mesma rua. Na casa funcionou, entre as décadas de 1950 e 1980, uma residência para estudantes mulheres que cursavam graduações na área de saúde da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Na fachada há as letras UR, que podem remeter à sigla da Universidade do Recife, antigo nome da UFPE. Quando estiver totalmente recuperado, o prédio será usado como um centro médico.

A restauração, financiada pela rede de hospitais (o valor não foi divulgado), começou em novembro do ano passado e deve ter a primeira fase encerrada em outubro. A degradação do prédio, que tem dois pavimentos, foi tanta que não havia mais telhado e a maioria dos ornamentos (enfeites colocados em cima das portas e janelas e nas fachadas) estavam estragados. Estima-se que o imóvel tenha sido construído no fim do século 19.

“O casarão chegou a um estágio muito precário. Não tinha telhado, nos forros encontramos água, o piso já não existia, havia vegetação e perda significativa de portas e janelas”, diz a arquiteta Renata Lopes, responsável pela obra, com o arquiteto Pedro Valadares.

A primeira ação foi salvar os ornamentos. “Estavam quase como um paciente na UTI”, compara Renata Lopes. Os restauradores classificaram as peças em três níveis de risco: alto, médio e baixo. Depois, catalogaram 22 tipos diferentes (em formato de flores, folhas e de leão). Os ornamentos foram retirados e serviram como molde para composição de formas de silicone e de gesso usadas na fabricação das novas peças. “Só não conseguimos salvar um”, conta.

Na construção original, os adornos eram presos com ferro. Com o desgaste do prédio, foram se oxidando. Desta vez, serão usados pinos de aço inox para grudá-los nas paredes. Outros dois elementos decorativos – duas pinhas portuguesas colocadas no alto da fachada frontal – vão ser repostas. São de porcelana e adquiridas em Petrópolis (RJ).

O telhado, refeito em madeira, não tem nenhum prego, é todo com encaixe. As telhas, francesas, são de demolição (reaproveitadas de outro imóvel). Com autorização da prefeitura, uma parte do prédio que não era da construção original foi demolida. O trabalho prevê ainda a recuperação do forro decorado com peças de gesso. “É de muita valia a devolução desse bem cultural ao Recife. É um exemplar notável devidamente salvaguardado em uma área tão nobre como o Paissandu”, destaca.

SEGUNDA ETAPA

A previsão da Rede D’Or é iniciar a segunda fase da obra no primeiro semestre de 2019. “A importância da restauração do casarão é resgatar valores culturais e históricos do Paissandu e região, aliado ao benefício do atendimento de saúde à população pernambucana”, ressalta o diretor do Hospital São Marcos, médico Miguel Porto.

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