Transporte

Metrô: usuários insatisfeitos no primeiro dia útil após reajuste de passagem

Até o dia 6 de julho, os passageiros do metrô do Recife terão que desembolsar R$ 2,10 para acessar as estações das linhas Centro, Sul e Diesel

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Até o dia 6 de julho, os passageiros do metrô do Recife terão que desembolsar R$ 2,10 para acessar as estações das linhas Centro, Sul e Diesel - FOTO: Foto: JC Imagem
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Até o dia 6 de julho, os passageiros do metrô do Recife terão que desembolsar R$ 2,10 para acessar as estações das linhas Centro, Sul e Diesel. O reajuste, que aconteceu nesse domingo (5), foi o primeiro dos seis previstos para o metrô até março de 2020, quando a passagem chegará a R$ 4. Nesta segunda-feira (6), primeiro dia útil após o aumento da tarifa, o clima na estação Recife era de insatisfação dos usuários.

Se comparado ao valor inicial, de R$ 1,60, o reajuste para R$ 4 representará uma tarifa 150% mais cara. Os seis reajustes seguidos foram autorizados pela Justiça, após decisão, homologada pela juíza Maria Edna Fagundes Veloso, titular da 15ª Vara Federal Cível, como resultado de uma audiência de conciliação ocorrida no mês passado. A polêmica ocorre desde maio de 2018, quando foi anunciado que a passagem passaria a custar R$ 3. O aumento chegou a ser suspenso pela Justiça, depois foi retomado e ampliado.

O novo valor da tarifa deixou os usuários insatisfeitos. O passageiro Manoel Jorge, por exemplo, criticou o reajuste. "Nenhum de nós passageiros é culpado dos débitos do metrô. Eles alegam que estão devendo milhões de reais, mas está pesando no nosso bolso", comentou.

O estudante Guilherme Santana, de 22 anos, utiliza o metrô todos os dias e acredita que o aumento não irá melhorar o serviço. "Eu acho que é negativo, porque vai prejudicar os trabalhadores e estudantes. Acredito que não vá ter nenhuma melhoria, porque já está bem precária a situação. Sempre lotado e os trens atrasam muito. Eu creio que vai continuar a mesma coisa dos ônibus, a passagem aumenta mas o serviço não melhora", comenta o estudante.

De acordo com Leonardo Villar Beltrão, superintendente da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), o reajuste possivelmente evitará que haja uma paralisação do serviço. "Esse aumento é importantíssimo porque sem ele a gente não vai conseguir manter o sistema em operação. A gente vem melhorando aos poucos o metrô, que deixou de paralisar em 2016 em função da gestão que a gente vem fazendo. A reclamação é normal, eu como usuário também estaria reclamando. Mas se não houvesse o aumento, traria um mal maior para a população, que seria a paralisação do sistema", declara.

Para chegar aos R$ 4 em março de 2020, estão previstos seis aumentos. O primeiro ocorreu neste domingo e o novo valor, de R$ 2,10, segue até o dia 6 de julho. Do dia 7 de julho até 31 de agosto, a passagem custará R$ 2,60. De 8 de setembro a 31 de outubro deste ano, o usuário desembolsará R$ 3. De 3 de novembro a 31 de dezembro, o tíquete passará a ser R$ 3,40. No penúltimo aumento, que ocorre de 5 de janeiro a 28 de fevereiro de 2020, o valor será de R$ 3,70, quando haverá o último reajuste, que ocorre no dia 7 de março a 30 de abril.

A decisão judicial que permitiu o aumento do metrô do Recife também é válida para Belo Horizonte (MG), Natal (RN), Maceió (AL) e João Pessoa (PB).

Custos do sistema

O aumento na passagem diminuirá em apenas 20% o déficit de gastos com operação, folha de pagamento e indenizações do metrô do Recife. De acordo com a CBTU, o custo previsto para 2019 no Grande Recife é de R$ 541,2 milhões, enquanto a arrecadação é de até R$ 70 milhões. Com o reajuste da tarifa, poderá chegar a R$ 130 milhões.

"Esse equilíbrio que estamos buscando é para tentar diminuir o déficit da empresa. É um trabalho que tentamos há mais de dois anos para reequilibrar as tarifas do sistema. Só no Recife, onde temos nossa maior operação, há sete anos não fazemos um reajuste", afirmou José Marques, diretor-presidente da CBTU em entrevista ao JC na semana passada. Devido ao déficit, a CBTU não descarta a possibilidade de paralisação do sistema a partir de julho, caso não haja reforço no orçamento.

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