Manifestação

Entenda o motivo dos protestos dos rodoviários realizados nesta quarta

Os protestos foram realizados por rodoviários ligados ao grupo "O Guará"

Mayra Cavalcanti
Mayra Cavalcanti
Publicado em 30/10/2019 às 11:15
Notícia
Foto: Felipe Ribeiro/JC Imagem
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Rodoviários ligados ao grupo "O Guará - Resistência e Luta" bloquearam diversas ruas e avenidas do Grande Recife, nesta quarta-feira (30), como forma de protesto contra a demissão dos cobradores e fiscais das empresas, além do acúmulo de função por parte dos motoristas que, sem os cobradores, têm que também receber o dinheiro das passagens. O presidente eleito do Sindicato dos Rodoviários de Pernambuco, Aldo Lima, à frente da manifestação, comenta que o ato conta com a participação também da sociedade civil, na forma de outros sindicatos, como o dos Metroviários, assim como de líderes comunitários e associações de moradores.

O protesto aconteceu na Avenida Guararapes, na Rua da Aurora, na Ponte Duarte Coelho e na Rua do Sol, no Centro do Recife. Também teve manifestação nos Terminais Integrados da Macaxeira, na Zona Norte e do Xambá, em Olinda. Mais cedo, por volta das 6h30, um grupo também interditou o trânsito na BR-101, no bairro do Barro, na Zona Oeste, próximo ao TI Barro. Aldo Lima explica que a manifestação busca também denunciar as condições de trabalho e de saúde dos rodoviários. O JC Trânsito falou sobre a saúde da categoria no especial "Rodoviários: máquinas sem manutenção", publicado no ano passado.

Foto: Felipe Ribeiro/JC Imagem
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Ele conta que vários motoristas e cobradores têm adoecido devido ao estresse causado pelo acúmulo de funções. "Há dois meses faleceu um companheiro, conhecido como Bigode, que trabalhava na empresa Caxangá. Ele teve um mal súbito, devido ao nível de estresse no trabalho. Ter que dirigir e cobrar. Os trabalhadores estão adoecendo e morrendo. Imagina se isso acontecesse enquanto ele estava dirigindo? Somos contra esta dupla função", declara Aldo. Aldo Lima foi eleito presidente do Sindicato dos Rodoviários em eleições que aconteceram no mês de setembro. Ele assume o cargo no próximo mês de dezembro.

Para o motorista João Pacheco, que dirige a linha Circular/Príncipe, o acúmulo de função tira a tenção do motorista e prejudica a saúde e o atendimento aos passageiros. "Já estou sem cobrado há cinco meses, com toda certeza muda nossa rotina. Dizer que nossa vida não mudou emocionalmente e no trabalho é mentira. Você tem que sugerir troco, dar informações, prestar atenção no trânsito, liberar catraca... Isso sobrecarrega", conta o rodoviário, que já está há 7 anos na empresa Metropolitana.  

Por meio de nota, o Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros no Estado de Pernambuco (Urbana-PE) afirmou que repudia o ato e alegou que não ocorreram demissões de cobradores nos últimos tempos. Além disso, a Urbana afirma que os profissionais afastados do posto estão sendo aproveitados em outras funções nas empresas. Confira a íntegra da nota:

"A Urbana-PE repudia a atitude que novamente penaliza a população e economia local e reforça que não houve demissão de cobradores. Ao contrário, os profissionais estão sendo capacitados e aproveitados em outras funções nas empresas. O sindicato esclarece que a mudança no procedimento de embarque, com possibilidade de pagamento da passagem ao motorista, tem ocorrido com consentimento do órgão gestor e do próprio Sindicato dos Rodoviários e com a garantia de manutenção dos postos de trabalho, conforme convenção coletiva da categoria."

Outros motivos

Segundo ele, as condições dos rodoviários colocam em risco a vida dos usuários. O protesto também é contrário ao vencimento dos créditos do Vale Eletrônico Metropolitano (VEM) dos passageiros. "Se os passageiros não gastarem o crédito em seis meses, são confiscados os valores. E quando faz uma nova recarga, têm que pagar R$ 1,70. O usuário não é obrigado a pagar no cartão quando quer usar dinheiro. Quem decide a forma de pagamento é o trabalhador", acrescenta. Aldo relata que existem projetos de lei tramitando na Câmara dos Vereadores do Recife e na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) que são contrários às demissões dos cobradores.

O presidente eleito do sindicato da categoria ainda ressalta que o grupo continuará fazendo protestos até que parem as demissões. Ainda não há previsão de quando ocorrerá a próxima manifestação.

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