julgamento

Alisson Jerrar é condenado a 8 anos de prisão por acidente de trânsito que matou auxiliar de enfermagem

Defesa do empresário vai recorrer de decisão. Além da pena, que deve ser cumprido em regime semiaberto, Alisson Jerrar fica impedido de dirigir por seis anos

Do JC Online
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Publicado em 25/09/2014 às 0:46
Foto: Igo Bione/JC Imagem
Defesa do empresário vai recorrer de decisão. Além da pena, que deve ser cumprido em regime semiaberto, Alisson Jerrar fica impedido de dirigir por seis anos - FOTO: Foto: Igo Bione/JC Imagem
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O empresário Alisson Jerrar Zacarias dos Santos foi condenado a 8 anos de prisão em regime semiaberto pelo assassinato da auxiliar de enfermagem Aurinete Gomes, fato ocorrido durante acidente de carro no cruzamento da Avenida Domingos Ferreira com a Ernesto de Paula Santos, em Boa Viagem, Zona Sul do Recife, no dia 13 de dezembro de 2008. Segundo a justiça, Alisson foi o responsável pelo acidente. Durante o julgamento que aconteceu durante toda a quarta-feira (o resultado do júri só foi divulgado às 0h35 desta quinta-feira (25), Alisson admitiu que tinha bebido horas antes do acidente, mas que a batida não teria sido provocada por ele, mas pelo marido de Aurinete, Wellington Lopes dos Santos, que dirigia sem habilitação. Além de Wellington e Aurinete, a filha do casal também estava no carro. Ela ficou ferida.

Veja vídeo com o marido de Aurinete, Wellington Lopes, falando o que achou da sentença:

Do total dos 8 anos, seis são pela morte de Aurinete e os outros dois por ter vitimado Wellington e o filho do casal. Ele ainda fica impedido de dirigir por seis anos. A defesa de Alisson Jerrar tem oito dias, a partir desta quinta, para recorrer da decisão. Como deve fazer isso, o empresário vai aguardar novo julgamento - ainda sem nenhuma previsão - em liberdade. Caso, no novo julgamento, ele seja novamente condenado, esgotam-se as possibilidades de recorrer. Se for absolvido, entretanto, o Ministério Público é quem pode recorrer.

A sentença foi lida pelo juiz Jorge Luiz dos Santos Henriques depois da 1h. Dos sete jurados, cinco era mulheres e dois eram homens. "Essa decisão tomada pelo júri é difícil e mostra que o conselho de justiça foi imparcial e corajoso", comemorou a promotora Dalva Cabral.

Durante o julgamento, a defesa de Alisson Jerrar sustentou que o viúvo da auxiliar de enfermagem, Wellington Lopes dos Santos, forçou a travessia e teria causado o acidente. O advogado do empresário chegou a chamar Wellington de "monstro". O avanço do semáforo por Wellington teria sido, na argumentação da defesa – embasada pelas perícias técnicas – a causa determinante da colisão. Por mais de 12 horas, a defesa de Jerrar tentou convencer os jurados de que, apesar de o empresário estar, no início da manhã do dia 13 de dezembro de 2008, trafegando em sua caminhonete Nissan Frontier a mais de 100 km por hora e ter consumido bebida alcoólica, isso não foi atitude determinante para o acidente, embora ilegal. Os advogados Bráulio, Bruno e Fernando Lacerda se apoiaram nos argumentos técnicos dos peritos criminais do Instituto de Criminalística de Pernambuco (IC), responsáveis pelo laudo que, logo após o acidente, apontou que o motorista do veículo que trafegava na Rua Ernesto de Paula Santos foi quem avançou o semáforo, no caso o Fiat Palio dirigido por Wellington, onde viajavam a auxiliar de enfermagem e a filha.

“A causa determinante num cruzamento é o avanço do sinal. Não importa se o carro é velho, a pista é ruim ou a velocidade é alta. E isso foi consenso nas duas perícias, tanto a nossa como a da Polícia Federal. O mesmo aconteceu com o semáforo que aparece nas imagens de um edifício e de um restaurante. Ele está vermelho na hora da colisão. A diferença é que, pela análise que fizemos das mesmas imagens analisadas pela PF, o semáforo vermelho era o que regulava o tráfego da Ernesto de Paula Santos. Já os peritos federais entenderam que era o que dava para a Domingos Ferreira”, argumentou José Henrique Medeiros, perito do IC.

A perícia do IC defendeu que, após o acidente, o semáforo que regulava o tráfego da Ernesto de Paula Santos havia sido destruído e, por isso, o reflexo verde que aparece nas imagens da colisão são referentes ao equipamento voltado para a Domingos Ferreira.



Quando falou no julgamento, Alisson sustentou a hipótese de quem não foi o culpado. “O sinal estava aberto para mim. Vi apenas um vulto azul. Ainda tentei frear, mas não consegui evitar a colisão. Ele (Wellington Lopes) é quem foi irresponsável, forçou a passagem e provocou a morte da própria esposa”, acusou.

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