Lei Maria da Penha

Jornalista fala sobre o que sentiu após ser agredida: "Nunca vou esquecer aquela noite".

Em depoimento, Candice Dantas conta como foi enfrentar uma situação de violência e a importância de as mulheres sempre denunciarem as agressões sofridas

Ciara Carvalho
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Ciara Carvalho
Publicado em 06/08/2016 às 17:35
Fernando da Hora/JC Imagem
Em depoimento, Candice Dantas conta como foi enfrentar uma situação de violência e a importância de as mulheres sempre denunciarem as agressões sofridas - FOTO: Fernando da Hora/JC Imagem
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"Desde criança ouvia sempre que 'homem que bate em mulher é covarde' e esse sempre foi o meu pensamento, até aquele triste dia de julho de 2015. Eu nunca tinha passado ou vivenciado um ato de violência doméstica, sempre foi algo distante. Nem nos meus piores sonhos imaginei um dia passar pelo que passei. Sempre digo que, depois daquele dia, eu comecei a enxergar a vida de outra forma.

Logo na primeira agressão que sofri pensei em fazer uma denúncia, mas acabei dando uma nova chance ao relacionamento que eu vivia. Sofri física e emocionalmente, até que, não aguentando mais, fui até uma delegacia da mulher.


Nunca vou esquecer aquela noite... Delegacia, exame de corpo de delito no IML, a vergonha e o medo que eu sentia, o choro de outra mulher ao meu lado carregando um bebê e dizendo que o pai da criança tinha tentado matá-la são lembranças que dificilmente eu conseguirei apagar da minha memória. Graças à Lei Maria da Penha, eu fui muito bem assistida, e de certa forma me senti protegida.

Como mulher e jornalista que sou, já conhecia um pouco da lei, e foi justamente isso que me fez querer seguir em frente, e em nenhum momento eu pensei em voltar atrás. Não consigo dizer qual seria minha atitude se isso tudo tivesse ocorrido há dez anos, antes da lei. Não sei se acreditaria que uma denúncia resultaria em uma punição para o agressor, ou se conseguiria rapidamente uma medida protetiva, como ocorre nos dias de hoje.

A Lei Maria da Penha é tardia, pois desde que o mundo é mundo mulheres são agredidas física e moralmente pelos seus companheiros, mas é aquele tipo de coisa 'antes tarde do que nunca'. Espero que, com o passar do tempo, aconteçam aperfeiçoamentos na lei, muitas coisas ainda precisam ser melhoradas, e que mulheres agredidas não pensem duas vezes e denunciem seus companheiros antes que o pior aconteça."

 

Depoimento da jornalista Candice Dantas, agredida pelo então namorado em julho de 2015

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