DESTINO TURÍSTICO

Porto de Galinhas tenta voltar ao normal após explosão de bancos

Banhistas voltaram às praias e comércio reabriu, mas sensação de insegurança permanece em Porto de Galinhas

Paulo Veras
Paulo Veras
Publicado em 04/02/2017 às 17:40
Foto: Guga Matos/JC Imagem
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Um dia após bandidos imporem o terror explodindo agências bancárias e disparando contra a delegacia, a praia de Porto de Galinhas, um dos principais destino turístico do País, tentou voltar a rotina, com famílias e jangadeiros aproveitando novamente o dia de sol na orla. Apesar do ritmo normal, comerciantes e turistas ainda sentiam falta de um reforço no policiamento do balneário que o governo diz ser desnecessário após a ação da quadrilha.

Com as duas agências bancárias fechadas e os seis pontos de caixa eletrônico desativados, populares passaram o dia tentando sem sucesso sacar dinheiro. “A população que mora aqui tem que se locomover até Ipojuca para ver se consegue tirar algum dinheiro”, disse a cantora Carmen Camilo, 56 anos, que é de São Paulo, mas mora em Porto desde 2012. “A gente sabe que existem assaltos aqui que estão aumentando. Não sinto um policiamento muito ativo aqui. A gente tem um fluxo muito grande de turistas do mundo todo.”

Foto: Guga Matos/JC Imagem
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Comerciantes reabriram neste sábado (4) o centro de artesanato onde oito boxes foram queimados pelo incêndio iniciado com a explosão do Banco do Brasil. Segundo Vânia do Vale, que trabalha no local, a promessa da Prefeitura de Ipojuca é reconstruir as unidades o mais rápido possível. Enquanto isso, o grupo se organiza para montar barracas para os trabalhadores que perderam toda a mercadoria. Um bingo está sendo planejado para arrecadar dinheiro para o grupo comprar novos produtos. Comerciantes que têm outras fontes de renda também podem ceder temporariamente os boxes para os que foram prejudicados.

Os banhistas Eder Ferraz, 30, e Flávia Crispim, 40, que são de Vitória, no Espírito Santo, ainda não estavam em Porto na quinta e ficaram receosos ao saber da notícia. Eles circularam pela cidade e, após ver a praia tranquila, ocupada por crianças, resolveram ficar. “Aparentemente o pessoal está tranquilo. No hotel não comentaram nada”, contou o empresário. “Até olhei, não tem segurança nenhuma aqui na orla, nada. É um olho no padre e outro na missa. A gente não se sente segura. Não só aqui, em qualquer lugar. Mas segurança aqui é zero”, explicou a servidora pública.

POLÍCIAS

Pelo menos quatro agentes da Polícia Civil do Cabo de Santo Agostinho foram deslocados para dar apoio na delegacia de Porto. Homens da Guarda Municipal e do Batalhão de Trânsito realizavam uma operação de rotina em uma praça próxima a praia. O clima era tranquilo no prédio que sedia a delegacia e o batalhão da PM, alvejado na véspera pelos bandidos. Por telefone, o delegado Alberes Félix, responsável pelas investigações, disse que as equipes da Polícia Civil e da Polícia Federal continuam recolhendo indícios que levem até a localização dos suspeitos.

“Eu fui lá no banco olhar a destruição. Me deu uma tristeza muito grande. É quando a gente vê a realidade do crime e da violência. É assim que a gente se sente”, resumiu Sandra Maria Marques, 50, que trabalha há nove anos numa banca de revista próxima a agência da Caixa Econômica e à delegacia. Ela pede que se melhore o policiamento no balneário para que a população se sinta mais tranquila, porque no dia-a-dia há pouca segurança. “Abalou Porto de Galinhas, abalou a estrutura das pessoas. Mas a gente tem que seguir em frente e ficar mais ligada. E acordar para a realidade, porque a violência está muito grande”, disse.

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