VIOLÊNCIA SEXUAL

Ex-pastor acusado de estupro no Recife será desligado da Convenção Batista

Oito mulheres denunciaram o ex-pastor por cometer estupros e atos libidinosos

Carolina Fonsêca, Rute Arruda e Bruna Oliveira
Carolina Fonsêca, Rute Arruda e Bruna Oliveira
Publicado em 27/02/2020 às 17:04
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Foto ilustrativa: EBC
Oito mulheres denunciaram o ex-pastor por cometer estupros e atos libidinosos - FOTO: Foto ilustrativa: EBC
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A Convenção Batista em Pernambuco, instituição responsável pelas igrejas desta denominação no Estado, informou à reportagem do Jornal do Commercio que deve se pronunciar em relação ao caso do ex-pastor de uma igreja da Zona Norte do Recife, investigado por cometer estupros e atos libidinosos contra oito mulheres que frequentavam a congregação que ele pastoreava. Ainda de acordo com a Convenção, a igreja está tomando todas as providências necessárias para o desligamento dele. 

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O pronunciamento da instituição, porém, ainda não tem data para ser publicado. O Conselho Regional de Psicologia de Pernambuco - 2ª Região (CRP-02), em nota, informou que a Comissão Orientação e Fiscalização (COF CRP-02) "tomou ciência da situação a partir da referida matéria e está adotando as providências administrativas cabíveis à luz da regulamentação vigente".

Leia a nota do Conselho Regional de Psicologia 

Em resposta ao referido JC, o Conselho Regional de Psicologia de Pernambuco 2ª Região sob sua função precípua de orientar, disciplinar e fiscalizar o exercício da profissão de psicóloga/o e em fiel observância do cumprimento do Código de Ética Profissional, reitera que está a serviço da sociedade. Toda/o qualquer cidadã e/ou cidadão pode denunciar aos Conselhos Regionais de Psicologia a/o psicóloga/o que considere estar exercendo a profissão de forma irregular e/ou infringindo as legislações do Conselho Federal de Psicologia e o Código de Ética (COE CRP-02). Com relação ao caso citado a autarquia precisa apurar junto a Comissão de Ética do Conselho para verificação mediante processo administrativo disciplinar a autoria e a responsabilidade. Se comprovada qualquer infração ao exercício da ciência da Psicologia, submeterá ao julgamento, fato que poderá resultar até na cassação do exercício profissional.

A Comissão Orientação e Fiscalização (COF CRP-02) tomou ciência da situação a partir da referida matéria e está adotando as providências administrativas cabíveis à luz da regulamentação vigente.

Por fim, em defesa incansável dos Direitos Humanos, o CRP-02 reitera a importância da sociedade exercer a cidadania e encaminhar sua denúncia. Não é necessário se identificar ou mesmo se deslocar até o espaço físico do Conselho. No site estão todas as instruções, segue o link: http://www.crppe.org.br/profissional/?id=12 .

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Ouça a íntegra da entrevista da delegada Bruna Falcão, responsável pela Delegacia da Mulher

De acordo com a delegada Bruna Falcão, responsável pela Delegacia da Mulher, após as denúncias começarem a aparecer, em janeiro deste ano, o pastor foi submetido a um conselho com os líderes da instituição, no qual foi oferecido a ele a possibilidade de renunciar ao cargo ou de continuar e ser aberto um processo administrativo para apurar a conduta. "Ele preferiu firmar uma carta a próprio punho renunciando ao ministério", disse.

A delegada informou também que até o momento, oito mulheres denunciaram o homem, que também é formado em psicologia. Ela explicou, no entanto, que quatro casos não poderão ser investigados porque os crimes já prescreveram. Um deles, inclusive, é datado do ano de 1996, quando uma das vítimas tinha 17 anos. Quatro inquéritos foram concluídos e o homem foi indiciado pela polícia. 

Intimação para prestar depoimento

O ex-pastor foi intimado para prestar depoimento no dia 13 de fevereiro, mas apresentou atestado médico alegando estar afastado das suas funções habituais por problemas psiquiátricos durante 60 dias e pediu adiamento do interrogatório. Foi marcado um novo depoimento para a semana seguinte, mas foi apresentado um novo atestado psiquiátrico e os inquéritos foram concluídos e remetidos à Justiça. "Esse segundo adiamento a gente não deferiu e resolveu não aguardar. Nós sabemos que problemas psiquiátricos a gente não tem condições de estimar a recuperação", explicou a delegada. "Os procedimentos foram concluídos sem o interrogatório do investigado e remetidos para apreciação do Poder Judiciário", completou.

Modus operandi

Durante entrevista à Rádio Jornal, uma das vítimas relatou que o ex-pastor agia da mesma maneira com todas as vítimas. "Ele usava técnicas de manipulação para ouvir nossos problemas e dificuldades e, através do nosso relato, dizia que ia nos ajudar a sermos mais felizes. Era dessa forma que ele nos atraia para o gabinete pastoral", disse.

*Informações como nomes das mulheres e do ex-pastor não serão reveladas para preservação da identidade das vítimas

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