Saúde

Hábitos modernos aumentam incidência da síndrome do olho seco

Uso excessivo de computadores, tablets, televisão e ar-condicionado é a principal causa da doença

Marina Barbosa
Marina Barbosa
Publicado em 05/09/2014 às 8:14
Foto: Michele Souza / JC Imagem
Uso excessivo de computadores, tablets, televisão e ar-condicionado é a principal causa da doença - Foto: Michele Souza / JC Imagem
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Passar horas em frente ao computador no trabalho, utilizar celulares e tablets a todo momento, assistir televisão ou voltar à tela do PC nas horas vagas. Esses hábitos são tão comuns hoje em dia que até parecem inofensivos. No entanto, podem provocar danos à saúde do globo ocular. Ressecamento, irritação, ardência e sensação de areia nos olhos são alguns dos problemas. Com o tempo, esses sintomas ainda podem provocar a síndrome do olho seco. O problema é agravado por doenças e fatores ambientais, como a poluição e o uso excessivo de ar-condicionado, e tem levado cada vez mais pacientes aos consultórios oftalmológicos.

“Quando usamos o computador ou o celular, nosso olho fica muito concentrado e pisca com menos frequência. Por isso, o filme lacrimal evapora e o olho resseca”, explica o oftalmologista Bernardo Cavalcanti, que admite ser difícil fugir das causas do problema hoje em dia. “Dependemos muito da tecnologia, por isso o olho seco é cada vez mais frequente”, disse durante o Congresso Brasileiro de Oftalmologia, que até sábado reúne profissionais de todo o País no Centro de Convenções de Pernambuco (Cecon).

O olho seco é uma doença crônica que provoca o ressecamento do olho devido à perda ou à produção insuficiente de lágrimas. O primeiro caso é chamado de olho seco evaporativo e é causado pela perda do filme lacrimal devido à exposição demasiada a computadores e ares-condicionados. Já o segundo tipo é o olho seco aquoso, caracterizado pela produção insuficiente de lágrimas devido a doenças, disfunções hormonais e uso excessivo de medicamentos. O problema ainda é agravado pelo envelhecimento, já que a produção de lágrimas diminui com a idade. Esse último fator costumava ser a principal razão da síndrome, mas os hábitos atuais mudaram esse quadro. “A doença é mais comum em pessoas acima dos 40 anos, mas a incidência tem aumentado entre os jovens a partir dos 20 anos por causa das condições ambientais a que estamos expostos. Hoje, o olho seco evaporativo já corresponde a 70% dos diagnósticos”, revela o oftalomologista.

Mesmo assim, oftalmologistas afirmam que é possível tomar algumas precauções no dia a dia. Ter períodos regulares de descanso durante o uso no computador, diminuir a luminosidade do monitor e usá-lo abaixo da linha de visão para manter uma área do olho protegida pela pálpebra são algumas das dicas. Também é recomendado utilizar umidificadores de ambiente e não direcionar o ar-condicionado para o rosto. Umidificar o olho com colírios e lágrimas artificiais também é uma saída para o problema, que a longo prazo pode causar intolerância à luz. A indústria farmacêutica Allergan, por exemplo, já desenvolveu até uma lágrima artificial com tripla ação no tratamento de irritações oculares - a Refresh Advanced, que proporciona lubrificação, osmoproteção e melhoria da camada lipídica do olho. “O olho seco é uma doença crônica e pode provocar danos graves se não for tratada. O paciente pode ficar sem condições de usar o PC, ver TV ou ler”, alerta Cavalcanti.

Leia mais na edição impressa do Jornal do Commercio desta sexta-feira (5)

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