SAÚDE

Zika avança mais do que a dengue no Recife

Na capital pernambucana, entre os dias 3 e 9 deste mês, 129 pessoas adoeceram com sintomas de zika. O número é maior do que o universo de casos suspeitos de dengue (102) e de chicungunha (97)

Da Editoria de Cidades
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Publicado em 22/01/2016 às 22:04
Rodrigo Lôbo/Acervo JC Imagem
Na capital pernambucana, entre os dias 3 e 9 deste mês, 129 pessoas adoeceram com sintomas de zika. O número é maior do que o universo de casos suspeitos de dengue (102) e de chicungunha (97) - FOTO: Rodrigo Lôbo/Acervo JC Imagem
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O cenário apresentado pelo primeiro boletim epidemiológico do ano do Recife, divulgado na noite desta sexta-feira (22), é um reflexo da rápida expansão geográfica do zika vírus, que tem deixado o mundo em alerta. Na capital pernambucana, entre os dias 3 e 9 deste mês, 129 pessoas adoeceram com sintomas de zika – o número é maior do que o universo de casos suspeitos de dengue (102) e de chicungunha (97).

“Zika começa a aparecer mais porque melhoramos a sensibilidade do sistema de notificação com a implantação de unidades sentinelas para monitoramento e notificação dos novos casos da doença. Nosso objetivo é não deixar passar nenhum caso suspeito”, explica a explica a secretária-executiva de Vigilância à Saúde do Recife, Cristiane Penaforte. 

As unidades sentinelas têm como foco exercer uma vigilância intensificada dos casos e, dessa maneira, ajudar a fazer um retrato amostral da incidência de uma doença na população. Com o avanço da zika, o Recife passou a contar com duas unidades sentinelas para a doença: a Secretaria Executiva de Vigilância à Saúde e o Hospital Pediátrico Helena Moura, no bairro da Tamarineira, Zona Norte do Recife. Apesar de servirem como referência para notificação dos casos de zika, não são unidades focadas no tratamento dos casos. 

O primeiro boletim do Recife das doenças transmitidas pelo Aedes ainda mostra 13 bairros onde há maior risco de adoecimento por dengue, chicungunha e zika, com base no coeficiente de incidência das arboviroses (doenças transmitidas pelo mosquito), que leva em consideração o total de casos por 10 mil habitantes. O bairro da Mangabeira, na Zona Norte do Recife, que passou as três últimas semanas liderando a lista de transmissão ativa das doenças, deixou de aparecer no ranking dos que apresentam atualmente o maior risco de adoecimento e deu lugar a Pau Ferro – único bairro considerado área rural do Recife e com 72 moradores. 

No período de 15 de novembro a 9 de janeiro, houve 80 notificações de dengue em Pau Ferro. Desse total, 67 casos foram confirmados. No mesmo período, foram registrados nove casos de zika e três de chicungunha. “Para um bairro pouco populoso, esses números significam muita coisa e revelam que existe transmissão ativa das doenças transmitidas pelo mosquito no local. Vamos agir”, diz Cristiane Penaforte.

Ela explica que a saída de Mangabeira da lista é consequência das ações que foram intensificadas na área desde que ele despontou como mais preocupante no ranking. “No bairro, passamos a incrementar as ações de combate ao mosquito e a aumentar a quantidade de agentes de saúde ambiental e controle de endemia durante todo o trabalho de vistoria dos imóveis”, acrescenta. 

O primeiro boletim do ano da capital também revela que, de 3 a 9 de janeiro, foi notificado um óbito suspeito de dengue. No mesmo período de 2015, não houve notificação de mortes. É um cenário que reforça como a sociedade precisa se mobilizar, cada vez mais, contra o mosquito. “Estamos perdendo a guerra contra o Aedes. Vivemos uma verdadeira epidemia”, disse o ministro da Saúde, Marcelo Castro, em visita ontem ao Piauí.

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