SAÚDE

Desistência de profissionais do Mais Médicos prejudica população

Em Pernambuco, 56 médicos pediram demissão nos últimos quatro meses. No País foram 1.052

Margarida Azevedo
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Margarida Azevedo
Publicado em 06/04/2019 às 7:45
Foto: Felipe Ribeiro / JC Imagem
Em Pernambuco, 56 médicos pediram demissão nos últimos quatro meses. No País foram 1.052 - FOTO: Foto: Felipe Ribeiro / JC Imagem
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Cinquenta e seis médicos brasileiros (12,8%) que atuavam no Programa Mais Médicos, do governo federal, pediram demissão, nos últimos quatro meses, em 38 cidades pernambucanas, segundo o Ministério da Saúde. No País, no mesmo período, foram 1.052 médicos, 15% do total de contratados nacionalmente. Esses profissionais ingressaram entre dezembro e janeiro para substituir cubanos que saíram do programa após o fim do convênio com a Organização Pan-americana de Saúde (Opas). Enquanto a União não anuncia como nem quando preencherá as vagas, prefeituras adotam rodízios para que a população não fique totalmente desassistida.

Na capital pernambucana, quatro médicos desistiram. Uma das quatro equipes da Unidade de Saúde da Família 27 de Novembro/Josué de Castro, na UR-3, no Ibura, Zona Sul do Recife, está sem médico. O profissional trabalhou até 14 de março. Deixou a função porque passou numa residência médica em Brasília – um dos principais motivos para desligamento dos brasileiros do programa, conforme o ministério. A unidade é referência de atenção básica para cerca de 14 mil moradores.

“Os pacientes que eram atendidos por esse médico estão sendo acolhidos e absorvidos pelas outras equipes. De imediato foi a solução que encontramos, mas não sabemos até quando”, afirmou a gerente administrativa do posto de saúde, Zenaide Dantas. “Infelizmente há uma sobrecarga de trabalho. Atendo, por dia, 10 pacientes meus com consultas marcadas. Quando dá, encaixamos outros do colega que saiu”, contou a médica Ana Maria Galvão, há 11 anos atuando no local.

De acordo com a Secretaria de Saúde do Recife, outras seis vagas do Mais Médicos estão em aberto porque os contratos de trabalho acabaram e não houve substituição por parte do governo federal. Há 31 médicos do programa na ativa, em um universo de 277 equipes da Estratégia de Saúde da Família (ESF).

“Adotamos políticas para fixação dos médicos nessas equipes, como concurso público, remuneração e formação. O prejuízo pela desistência de quatro médicos do Programa Mais Médicos é pequeno, mas não podemos prescindir desses profissionais. Para cidades menores o impacto deve estar sendo maior”, observou o secretário de Saúde do Recife, Jailson Correia. “Esperamos que seja algo temporário e os desligados sejam substituídos o mais rápido possível”, complementou.

SELEÇÃO

Em Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife, há seis cargos vagos. O município tinha 14 cubanos no programa. Após a saída deles, o Ministério da Saúde contratou 15 brasileiros. Os seis que saíram foram fazer residência. “Realizamos uma seleção simplificada e chamamos, no dia 29 de março, 59 profissionais de saúde, sendo 21 médicos. Vão suprir essas lacunas. Acreditamos que até o início de maio eles já estejam trabalhando”, explicou a secretária-executiva de Saúde de Jaboatão, Ana Maria Albuquerque.

Na Unidade de Saúde da Família Curado 1, no bairro de mesmo nome, pacientes reclamam da dificuldade em marcar consulta. “Tem que chegar de madrugada para conseguir uma ficha. Mas quando garante a vaga não demora muito pra ser atendido”, afirmou a dona de casa Miriam Santos, 49. Entre a marcação e a consulta ela esperou 10 dias.

Em Palmares, na Zona da Mata Sul, quatro médicos pediram demissão. “Estamos aproveitando médicos da nossa rede para atender, uma ou duas vezes por semana, nos quatro postos que ficaram sem profissionais”, relatou a coordenadora de Atenção Básica da Secretaria Municipal de Saúde, Marta Cavalcanti. A mesma medida está sendo adotada em Santa Cruz do Capibaribe, no Agreste, onde há três cargos vagos. “Esperamos que um novo edital do programa seja aberto logo”, comentou o assessor da Secretaria Municipal de Saúde, Renato Gonçalves Júnior.

Em nota, o Ministério da Saúde informou apenas que “as vagas (ociosas) poderão ser ofertadas em novas fases do provimento de profissionais ainda em análise pelo ministério”.

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