Contemporâneo

Magiluth se propõe novos desafios na peça 'Apenas o Fim do Mundo'

Grupo celebra 15 anos de atividade com ocupação no Mamam

Márcio Bastos
Márcio Bastos
Publicado em 22/05/2019 às 12:41
Renato Mangolin/Divulgação
Grupo celebra 15 anos de atividade com ocupação no Mamam - FOTO: Renato Mangolin/Divulgação
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penas o Fim do Mundo, peça que é apresentada a partir desta quarta (22), às 20h, no Museu da Arte Moderna Aloísio Magalhães (Mamam), nasceu como um desafio para o Magiluth - e para o público. É um trabalho no qual os atores experimentam outras possibilidades de estar em cena, com especial atenção ao texto, ainda que não abandonem por completo os exercícios de jogos que tanto os caracterizam enquanto coletivo.


Diante da efeméride de 15 anos de atividades, celebrados neste 2019, os integrantes do grupo pernambucano decidiram que, ao invés de uma dramaturgia autoral, se debruçariam sobre um grande texto. Ao contrário do que fizeram com Viúva, Porém Honesta, de Nelson Rodrigues, e Hamlet, de Shakespeare, iriam levar ao palco as palavras quase na íntegra, retirando um certo caráter anárquico que permeou as montagens anteriores.


“A gente começou a perceber que, esteticamente, uma linguagem foi sendo estabelecida nos nossos trabalhos, o que é comum a qualquer grupo. Já sabíamos andar neste caminho, então nos lançamos no desafio de trabalhar um texto formal, de lidar com ele. Ainda há uma célula de jogo importante na encenação, que vem a partir das nossas inquietações e da nossa relação com os diretores”, aponta Giordano Castro, que compõe o grupo junto a Pedro Wagner, Erivaldo Oliveira, Lucas Torres, Bruno Parmera e Mário Sérgio Cabral.

COLABORAÇÕES

O texto em questão dá nome à peça e foi escrito no início dos anos 1990 pelo francês Jean-Luc Lagarce e conta a história de um homem que volta ao seio familiar após anos afastado. Ele traz uma notícia: morrerá em breve. A partir desse retorno, uma série de conflitos familiares eclodem. Já os diretores convidados são Giovana Soar, da Cia Brasileira de Teatro, que traduziu o texto e montou a peça pela primeira vez no Brasil, e Luiz Fernando Marques (Lubi), dos grupos XIX e Kunyn.

“Há uma coisa uma coisa muito sui generis nesta peça, que me faz pensar que ela  só é possível por conta de uma série de políticas culturais que foram feitas neste país que possibilitaram não só a criação de peças, mas a manutenção de grupos, o intercâmbio entre artistas”, reforça Lubi.


Outra particularidade da peça, que estreou no Sesc Avenida Paulista (SP), é o fato dela ser adaptada para cada espaço onde será apresentada. No caso do Mamam, o público acompanhará a encenação pelas salas do museu, que emularão os aposentos de uma casa.


“É uma peça com muita pulsão de vida, que exige do público estar junto, vivenciar tudo aquilo de uma maneira intensa. O trabalho instiga que repensemos nossas posturas de vida e é político na medida em que olha para essa instituição família e questiona como essas relações se estabelecem, as violências que se perpetuam”, enfatiza Pedro Wagner.

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