Maratona

26º Janeiro de Grandes Espetáculos reúne música e teatro

Show de Geraldo Maia em homenagem a Capiba abre o festival

Márcio Bastos
Márcio Bastos
Publicado em 08/01/2020 às 13:16
Sabrina Canton V Helden/Divulgação
Show de Geraldo Maia em homenagem a Capiba abre o festival - FOTO: Sabrina Canton V Helden/Divulgação
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Lourenço da Fonseca Barbosa, o compositor Capiba (1904/1997), nascido em Surubim, mas que viveu a maior parte da vida no Recife, será o homenageado da edição 2020 do Janeiro de Grandes Espetáculos, que será aberto quarta (8), 19h30, no Teatro de Santa Isabel, com o show Noites Sem Fim, de Geraldo Maia.

O cantor será acompanhado por Alberto Guimarães (violão 7 cordas), Adalberto Cavalcanti (bandolim e direção musical), Bráulio Araújo (baixo acústico), Júlio César (acordeom) e Renato Bandeira (guitarra semi-acústica). Maia recorre a um Capiba menos lembrado. Mostra que além de ter sido um dos mais inspirados autores de frevos-canção da história do carnaval pernambucano, teve também seu lado mais lírico e sentimental.

“Tenho predileção especial não pelo Capiba dos belos e alegríssimos frevos, mas pelo compositor das melodias e letras dolentes, às vezes desesperançadas, tristes mesmo, e que, em alguns casos, ecoam o barroco”. Paradoxalmente, mesmo as composições carnavalescas de Capiba têm um travo de melancolia. Seu primeiro grande sucesso, É de Amargar, de 1934, explicita bem isso:

“Eu bem sabia que este amor um dia/também tinha seu fim/esta vida é mesmo assim”. Mas Geraldo optou pelas canções de meio de ano, que ele enviava para serem gravadas no Rio. Feito aconteceu com o samba-canção Maria Bethânia, lançada por Nelson Gonçalves, em 1945.

Noites Sem Fim será reapresentado quinta-feira, às 20h, no Teatro de Santa Isabel. Ainda dentro da programação do Janeiro de Grandes Espetáculos, também será levado, dia 16, ao Manhattan Café Teatro, em Boa Viagem e, por fim, dia 25, no Teatro Samuel Campelo, em Jaboatão dos Guararapes.

Antes da apresentação de Geraldo Maia e banda, a Apacepe (Associação dos Produtores de Artes Cênicas de Pernambuco), realizadora do evento, traz ao palco os homenageados desta 26ª edição do JGE: o ator e diretor Zé Manoel (categoria Teatro), Joca (categoria Técnica), o maestro Edson Rodrigues (Música), a bailarina e coreógrafa Cecília Brennand (Dança) e a Família Marinho (Poesia).

TEATRO E DANÇA

Para Paulo de Castro, produtor do evento, esta 26ª edição do Janeiro de Grandes Espetáculos (JGE) é um sinal de resistência. Com a retirada da peça O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu, da atriz trans Renata Carvalho, da grade do festival do ano passado, muitos artistas e grupos locais deixaram a programação. Paulo crê que o episódio foi superado, uma vez que a comissão avaliadora recebeu inscrições de mais de 186 grupos do Estado. Este ano, a maratona de apresentações segue até 3 de fevereiro com mais de 90 atrações de teatro, dança e música. Além de Pernambuco, participam companhias da Bahia, Paraíba, São Paulo e Rio Grande do Sul, além de artistas da China, Eslováquia e de Portugal.

“Chegamos a esta edição com tranquilidade e expandindo nossas ações para outras cidades. Voltamos a Caruaru, estamos em Jaboatão, Goiana, Camaragibe, Serra Talhada e, pela primeira vez, em Garanhuns. É importantíssimo a gente alcançar além do Recife, trazendo também os trabalhos das outras regiões para ratificar a diversidade da produção de Pernambuco”, afirmou.

Segundo Paulo, o diálogo com o a música se fortalece cada vez mais, como mostra a escolha de um show para abrir o evento mais uma vez, mas as artes cênicas continuam sendo o alicerce do festival. Este ano, a curadoria deixou de ser feita exclusivamente pela Apacepe (Associação dos Produtores de Artes Cênicas de Pernambuco) e contou com avaliadores, escolhidos a partir de chamada pública, para auxiliar no processo de montagem da grade de espetáculos. O produtor acredita que a experiência foi positiva por trazer novos olhares – inclusive de áreas não necessariamente ligadas ao teatro e à dança – para o festival.

Entre as novidades deste ano, além da maior presença de ações ligadas à poesia, está a volta da premiação ao final do festival, agora nomeada de Prêmio Copergás de Teatro, Dança e Música de Pernambuco.

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