Bairro do Recife

Armazéns do Porto: boemia e gastronomia no Marco Zero

Shopping inspirado em Puerto Madero já tem operações consolidadas

Bruno Albertim
Bruno Albertim
Publicado em 30/01/2015 às 6:23
JC IMAGEM
Shopping inspirado em Puerto Madero já tem operações consolidadas - FOTO: JC IMAGEM
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Os armazéns 12 e 13 do Porto do Recife são os primeiros bares e restaurantes a funcionar dentro do projeto Armazéns do Porto, parte de um projeto de R$ 58 milhões que prevê ainda uma marina e um hotel. Com opções em que predominam a comida rápida e mais acessível em vez da gastronomia de luxo, o lugar está quase sempre cheio de dia e de noite, como uma espécie de versão local do bairro argentino de Porto Madeiro ou da Estação das Docas, em Belém do Pará. Visitamos e avaliamos três das operações de destaque.


O primeiro à direita de quem chega pelo Marco Zero, o Seu Boteco (não confundir com o Boteco, o já veterano botequim vizinho do centro do artesanato de Pernambuco) é uma franquia dos bares oficiais da gigante Ambev. Mas é cuidadoso com a cozinha e humanizado no atendimento. Apesar das muitas filas de espera, nem parece um lugar pensado industrialmente. Tem a temperatura da boêmia dos bons botequins. E honra as tradições de mesa dessas verdadeiras instituições da vida brasileira.


Na casa decorada com paredes de vidro e muitos lustres luminosos, cabem 240 pessoas sentadas. É tanta gente, sobretudo à noite, que o lugar tem aquela atmosfera festiva dos botecos grandões de Minas Gerais. Um boteco, aliás, limpíssimo. Nada lembra a atmosfera de periferia, esse universo social onde a botequinagem acontece sem filtro. O lugar foi pensado como um grand palais dos botecos. Se não temos um bom chope cremoso, a casa oferece, naturalmente, todos os rótulos da cervejaria multinacional. Das pilsens brasileiras mais elementares, às gringas especiais como Franziskaner, Hoegarden e Leffe.


Mas é na seção de petiscos que o Seu Boteco mostra sua grandeza. A ala do cardápio dedicada aos bolinhos, como o de carne seca com jerimum (R$ 26,90) com molho de pimenta que nem sua tia faria, nos lembra porque friturinhas (aqui, bem secas) ficam tão bem com uma gelada. Crocantes por fora e suculentos por dentro. Os sanduíches com pão francês, como os de pernil, confirmam também a boa cozinha da casa. A coxa creme “de rodoviária” (R$ 9,90) é uma tentação. O simples frango à passarinha (R$ 34,90), uma perfeição: sequinho, bem temperado e generoso. Mas os pratos individuais, mesmo os clássicos como o bife à cavalo, encantam mais na descrição que na prática. Se os petiscos parecem honrar a boa comida artesanal dos botequins, os pratos estão mais para a comida uniformizada das praças de alimentação. Não decepcionam, é bom que se diga. Mas também não encantam.


Ali perto do Seu Boteco, está funcionando também o Downtown Píer, a primeira operação de fast-food boêmio da marca que fez a história da noite do Recife Antigo na última década. À noite, há petiscos interessantes, como os camarões como molho de acerola. Mas os pratos executivos do almoço, apesar de baratos (a partir de R$ 14), não entusiasmam. Carecem de boa dose de sabor. O filé, por exemplo, é cinzento, opaco. Os legumes da guarnição trazem ainda o gosto do freezer. No começo bem confuso, o serviço da casa está bem melhor alinhado.


Já a fraldinha na chapa (a partir de R$ 40) do Devassa, o boteco oficial da marca, é digna das melhores casas de carne do ramo: vibrante, macia, no ponto que pedimos – inclusive lindamente mal passada. Há também uma linda chapa de frutos do mar, grelhados no ponto. E o serviço é pra lá de atencioso, com os garçons oferecendo um novo chope tão logo nossa tulipa começa a rarear. Servidos em cinco tipos diferentes, do mais elementar pilsen ao dark ale, um chope escuro ligeiramente amargo, de mate torrado. O chope ruivo, um pale ale de alta fermentação, tem corpo médio e é de uma cremosidade incrível. Difícil, contudo, é não provar pelo menos um de cada um.
Armazém Cais do Porto. Marco Zero, s/n. Bairro do Recife. Diariamente, a partir das 11h.

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