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A moda gourmet também chegou ao Morro da Conceição

Apesar de não ser comum, há quem tenha se apropriado da gourmetização para empreender

Flávia de Gusmão
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Flávia de Gusmão
Publicado em 07/12/2019 às 18:45
Foto: Leo Motta/JC Imagem
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Empreendimentos com um viés mais gourmet não são comuns no Morro da Conceição, mas há, sim, quem tenha se apropriado do segmento com muita segurança. E isso fica explícito na própria marca que Viviane Assis criou para seu negócio, a Vivi Gastrô. “Assim fica meio difícil de te explicar, é na Primeira Travessa do Dendê, uma ladeira. Vou te buscar na praça”, decreta.
Sim, é uma ladeira de tamanho razoável para quem habita a planície, mas Vivi e sua ajudante, Talita, sobem os degraus com desenvoltura, mesmo carregando caixas com centenas de doces, salgados e bolos. Os compradores não descem para buscar, ela sobe para entregar.

A fama se espalhou Morro abaixo, e a Vivi Gastrô conquistou clientela, principalmente fora de sua comunidade, que acredita mais no estilo “faça você mesmo”. O preparo é feito na cozinha doméstica, que foi reformada e brilha como a joia do lar. A falta de emprego despertou a veia empreendedora, há 20 anos. Primeiramente vendendo lanches nas agências do Banco do Brasil pela Zona Norte (o que ela ainda faz) e, posteriormente, expandindo para atender ao segmento de festas, também produzindo cafés da manhã e coffee breaks. São 20 variedades de doces, 10 tipos de salgados e outros tantos sabores de bolo. Atende pelo Facebook e Instagram, mas o que corre mais rápido que água ladeira abaixo é mesmo o boca a boca.

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O dia 8 de dezembro é dedicado a Nossa Senhora da Conceição - Foto: Leo Motta/JC Imagem
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O Morro da Conceição é símbolo de luta e resistência - Foto: Leo Motta/JC Imagem
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A Praça do Morro da Conceição é um espaço público usado por todos - Foto: Leo Motta/JC Imagem
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"As pessoas podem, sim, celebrar da maneira que achem mais bonito", disse o religioso Maílson Régis - Foto: Leo Motta/JC Imagem
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"É um convívio muito respeitoso. A prática do Evangelho é o amor", disse Anderson de Santana - Foto: Leo Motta/JC Imagem
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"Nasci e cresci no Morro. Somos todos filhos do mesmo Deus", lembra Pai Bonfim - Foto: Leo Motta/JC Imagem
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O Morro da Conceição é um lugar onde se come bem - Foto: Leo Motta/JC Imagem
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No quesito culinária, Dona Geralda é a sensação do Morro - Foto: Leo Motta/JC Imagem
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"Nas segundas-feiras, a minha sopa faz sucesso", garantiu Jacilene da Conceição - Foto: Leo Motta/JC Imagem
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Lula Lanches faz sucesso no Morro com seu hamburguer gourmet - Foto: Leo Motta/JC Imagem
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Ana Paula Guedes é uma das idealizadoras do grupo de samba reggae Obirin - Foto: Leo Motta/JC Imagem
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"O Morro é minha base. Foi e continua sendo minha escola", disse o Mestre Pinha Brasil - Foto: Leo Motta/JC Imagem
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Suelane e Anderson são totalmente ligados às manifestações no Morro da Conceição - Foto: Leo Motta/JC Imagem
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"Nunca fomos um lugar isolado no Recife", afirma dona Severina Paiva de Santana - Foto: Leo Motta/JC Imagem
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"Aprendi a cozinhar com uma senhora que trabalhava para os patrões", disse Geraldina dos Santos - Foto: Leo Motta/JC Imagem
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"Meu sonho como empresária é montar uma doceria na Zona Norte", disse Viviane Assis - Foto: Leo Motta/JC Imagem
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Nascido no Morro, Valmir Ferreira gosta de cozinhar para muita gente - Foto: Leo Motta/JC Imagem
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Surgimento de novos negócios, como o de Thiago Barbachan, dinamiza a economia do Morro - Foto: Leo Motta/JC Imagem
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"Hoje tenho seis funcionários na minha empresa, todos moradores do Morro", disse Paulo Manoel - Foto: Leo Motta/JC Imagem
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"Minha casa vira uma festa durante a Festa do Morro", disse Célia Mamede da Silva - Foto: Leo Motta/JC Imagem
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A calmaria toma conta entre as ruas estreitas - Foto: Leo Motta/JC Imagem
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O Morro da Conceição é de todos, para todos - Foto: Leo Motta/JC Imagem

Banqueteiro

Nascido e criado no Morro, Valmir Ferreira, também conhecido como Tonho e Xuxa, já foi dono de um dos muitos bares que pululam pela comunidade. Vendia cabidela e farofa de bolão, além dos costumeiros acepipes (bisteca, torresmo, costela). Mas a sua praia sempre foi produção culinária para eventos, cozinhar para muita gente é o que mais gosta de fazer. Tanto que, durante alguns anos, coordenou a equipe que prepara a comida para os 800 voluntários que trabalham durante a festa – três refeições, além dos lanches.

Tonho aprendeu os caminhos da profissão de banqueteiro na cozinha do Clube Alemão, onde começou a trabalhar aos 16 e lá permaneceu por 23 anos, como garçom e maître. Foi lá também que ganhou o apelido de Xuxa, pois as crianças gostavam de ser atendidas por ele. Seu bufê já acumula 20 anos de experiência, e a clientela se estende numa área que vai de Casa Forte a Aldeia: churrasco e feijoada são campeões de audiência.

Hambúrguer

Basta perguntar por Lula Lanches. Seu trailer, feito por ele próprio, localizado em frente à Galeria do Ritmo, é por onde escoa sua produção de hambúrgueres gourmets, cujo preço unitário é de R$ 6. A qualificação mais sofisticada para o sanduíche surgiu há um ano e é fruto de pesquisas feitas por Lula em tutoriais no YouTube.

Neste canal, no qual também já postou seu próprio vídeo, foi entendendo que, para além dos hambúrgueres industriais (que continua vendendo), existia um universo de blends de carne e ingredientes diferenciados que merecia ser explorado. “Faço uma mistura com três tipos de carne: peito bovino, fraldinha e chã de dentro (só a fraldinha não dá liga). Os complementos são milho, ervilha, batata-frita, maionese caseira (com alho ou milho)”, explica.

O despertar para a culinária veio com a perda do emprego na antiga profissão, de pedreiro. Com o dinheiro da rescisão, Lula comprou um carrinho para vender batata-frita e se instalou na Rua do Hospício, centro do Recife, onde fez sucesso durante 28 anos com seu produto. Vende de 100 a 200 sanduíches por semana. “Já vem gente de fora do Morro para comer”, garante.

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