CINEMA

O perigoso Laranja mecânica volta ao cinema

Reestreia acontece no Cinema da Fundação

Ernesto Barros
Ernesto Barros
Publicado em 07/02/2014 às 6:01
Warner Bros/Divulgação
Reestreia acontece no Cinema da Fundação - FOTO: Warner Bros/Divulgação
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Em quase 25 anos, este é o primeiro relançamento nos cinemas brasileiros do clássico proto-punk Laranja mecânica (A clockwork orange, 1971), de Stanley Kubrick. Há pouco mais de dois anos, no entanto, o filme teve uma sessão única no São Luiz durante a retrospectiva dedicada ao diretor, no IV Janela Internacional de Cinema do Recife.

Desta vez, trata-se de um evento e tanto: a partir de hoje, o Cinema da Fundação reestreia Laranja mecânica em brilhante e caprichada transferência DCP 4K, o máximo de resolução que os filmes digitais podem chegar atualmente.

Dizer que o filme ainda é o mesmo petardo cinematográfico desde o dia em que nasceu é até óbvio. Afinal, Laranja mecânica talvez seja o filme mais perigoso da história do cinema. Desde a sua estreia londrina, em dezembro de 1971, que sua importância social, política e estética tem espantado estudiosos e espectadores.

O ponto principal, em que quase todos os exegetas do filme estão de acordo, é que a questão da liberdade individual não pode ser cerceada pelo estado. A história do jovem Alex (Malcolm McDowell, estupendo) e sua predisposição para destruir e violentar deve ser vista mais como uma metáfora do livre-arbítrio do que uma suposta conveniência aos seus atos deploráveis.

Do ponto de vista cinematográfico, poucas vezes um filme foi tão bem sucedido. Adaptado a partir do romance homônimo de Anthony Burgess, Kubrick manteve o linguajar inventado pelo escritor – o Nadsat, um língua criada a partir de gírias do russo e do inglês –, mas disse não à fidelidade canina.

Para além do livro, o que atrai no filme são as imagens criadas por Kubrick e trilha sonora que as acompanham, principalmente as composições de Beethoven. São sequências fantásticas – como o ataque da gangue ao casal, em que Alex canta Singing in the rain; a transa com as duas meninas em montagem acelerada ou a implantação da técnica Ludovico, etc, etc, – que não permitem que os olhos dos espectadores jamais desviem da tela.

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