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"Frozen", o ponto alto do 'segundo renascimento' da Disney

Animação já arrecadou mais de um bilhão de dólares e concorre a Oscar da categoria

Romain Raynaldy
Romain Raynaldy
Publicado em 25/02/2014 às 18:57
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LOS ANGELES - Aclamado pelo público e pela crítica, considerado o grande favorito para o Oscar de melhor filme de animação, Frozen representa o ponto alto do "segundo renascimento" dos estúdios Disney, marcado pela incorporação da Pixar e seu diretor John Lasseter ao império de Mickey.

Com uma arrecadação de mais de um bilhão de dólares em todo o planeta e considerado por vários críticos como um dos melhores filmes de animação de todos os tempos, Frozen é a cereja no bolo de uma série de sucessos do estúdio americano: A princesa e o sapo (2009), Enrolados (2010) e Detona Ralph (2012).

E se Frozen levar a estatueta, este será o primeiro Oscar da Disney por um longa-metragem de animação desde a criação da categoria, em 2001. 

Tudo isto é suficiente para falar de um "segundo renascimento" do estúdio do Mickey, que começou o século quase travado, marginalizado pela excelência da Pixar e seus grandes sucessos, de Toy Story a Carros, passando por Procurando Nemo, Ratatouille e Up, Altas aventuras, entre outros.

"Assim como As peripécias de um ratinho detetive' (1986) marcou um crescimento depois do ponto baixo de 'O Caldeirão Mágico' (1985), 'A Princesa e o Sapo' conseguiu resultados muito melhores que os filmes que o precederam", declarou à AFP Tom Sito, historiador da animação e professor de Cinema na Universidade do Sul da Califórnia (USC). 

UM NOVO PRÍNCIPE ENCANTADOo

Esta não é a primeira vez que a Disney "renasce". Os anos 70 e 80 foram duros para o estúdio, que teve que esperar a chegada de uma nova geração de profissionais da animação para voltar ao sucesso, com A pequena sereia (1990), A Bela e a Fera (1991) e a consagração de O Rei Leão (1994). 

A Bela e a Fera chegou, inclusive, a ser indicado ao Oscar de melhor filme.

Ironia do destino, o príncipe encantado do "segundo renascimento" da Disney é uma pessoa que antes quase derrubou o estúdio: John Lasseter, diretor e cofundador da Pixar, que virou diretor criativo do departamento de animação da Disney depois que a empresa comprou a Pixar em 2006. 

"A partir da fusão, a Disney Animation voltou a estar sob a responsabilidade direta de um animador, o que não acontecia desde a morte de Walt Disney em 1966", lembra Sito, que trabalhou na Disney e depois na DreamWorks Animation. O criador de Toy Story e de Carros levou muitos talentos para a Disney. 

"Também observamos o retorno da comédia musical, uma especialidade da Disney que passou por um intervalo de 20 anos", afirma Sito. De fato, a principal música de Frozen, Let it go (Livre estou na versão em português), foi indicada e é considerada favorita ao Oscar na categoria canção original.

Peter Del Vecho, produtor de Frozen, admite que John Lasseter "mudou a cultura da Disney Animaton". "Somos um estúdio diferente da Pixar, mas Lasseter trouxe para a Disney muitas coisas que aprendeu lá", revela Del Vecho à AFP. 

"O mais importante é que os cineastas devem ser responsáveis por seus próprios filmes". Isto é traduzido em um modo de trabalho de grande cooperação, no qual diretores e roteiristas opinam sobre os filmes dos outros profissionais durante exibições de trabalho. "Ganha a melhor ideia e somos estimulados a assumir riscos", conta. 

O outro fator que contribuiu para o retorno da Disney foi a crescente concorrência no mundo da animação, com empresas como Blue Sky (Era do Gelo, Rio), DreamWorks Animation (Shrek, Kung-Fu Panda, Madagascar) ou Illumination (Meu malvado favorito).

"Quando o estúdio estava sozinho, nos anos 60 e 70, sua estética anacrônica e repetitiva resultou em filmes já velhos, apesar da qualidade técnica. Hoje, o sucesso de Uma Aventura Lego e de Meu malvado favorito cria um clima formidável para o surgimento de novas ideias de animação", conclui Sito.


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