CRÍTICA

Irmã Dulce ganha cinebiografia honesta e justa

Longa estreia nesta quinta-feira (13/11) nas regiões Norte e Nordeste

Ernesto Barros
Ernesto Barros
Publicado em 13/11/2014 às 6:00
Ique Esteves/Divulgação
Longa estreia nesta quinta-feira (13/11) nas regiões Norte e Nordeste - FOTO: Ique Esteves/Divulgação
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Da menina que viu a mãe no leito de morte à freira que saía do claustro para recolher pobres e desvalidos nas ruas de Salvador e na favela de Alagados, a história de irmã Dulce é do começo ao fim um exemplo de abnegação e amor ao próximo. Beatificada e considerada santa pelos brasileiros, a vida da religiosa baiana, que completou 100 de nascimento no último mês de maio, ganha uma honesta homenagem na cinebiografia Irmã Dulce.

O longa-metragem estreia nesta quinta-feira (13/11) nas capitais das regiões Norte e Nordeste. Só no próximo dia 27 é que o lançamento se expande para o Centro-Oeste, Sul e Sudeste do Brasil. Trata-se de uma estratégia para angariar, primeiro, a simpatia do público que conhece melhor o legado de irmã Dulce. Isso pode ajudar no boca a boca entre católicos das regiões onde ela é menos conhecida.

Apesar de ser um ícone do catolicismo brasileiro, a catequese religiosa não é uma das marcas do filme dirigido por Vicente Amorim e produzido por Iafa Britz. Obviamente, como todo relato biográfico de uma personalidade religiosa, que está em vias de santificação pelo Vaticano, Irmã Dulce tem seus traços hagiográficos. Mas, justiça seja feita, o roteiro de L.G. Bayão e Anna Muylaert evita escrupulosamente tocar nos supostos milagres operados por ela.

Com isso, o filme ganha credibilidade. Ao se ater à luta inquebrantável para que os pobres tivessem um lugar para curar as doenças do corpo – personificado na construção de um hospital nascido onde antes havia um galinheiro –, Irmã Dulce deixa em segundo plano as seculares querelas entre o clero e a congregação religiosa a que a freira pertencia.

A escolha pela trajetória assistencialista, que irmã Dulce reconhecia e pouco se importava, vez por outra entra em conflito no decorrer do filme. É verdade que a vida dela não foi tão dramática, com exceção de um problema respiratório crônico. A relação com um menino pobre, que ela salva de um incêndio e depois vira marginal, tenta criar um drama paralelo ao seu trabalho social. De quase mendicância, diga-se, quando pedia dinheiro a políticos para tocar suas obras.

Com leveza, apuro fotográfico e reconstituição de época eficiente – tanto nas cenas externas de Salvador quanto na beleza do interior das igrejas –, Vicente Amorim evita a ostentação do espetáculo cinematográfico para fazer um retrato justo de irmã Dulce. Ele só erra a mão ao deixar que a música religiosa assuma a condução do filme em vários momentos, com exceção da bela interpretação de Maria Betânia para o Hino de Santo Antônio.

Por outro lado, o filme encontra seu equilíbrio na interpretação das atrizes que interpretam irmã Dulce ao longo do filme. Além da semelhança, as atrizes Sophia Brachmans, Bianca Comparato e Regina Braga, que se dividem nas três fases da vida da freira – da infância à velhice –, estão perfeitamente sintonizadas e ajudam ainda mais na identificação com os espectadores.

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