MACHISMO

Diretores pernambucanos causam incômodo em debate sobre filme

Cláudio Assis e Lírio Ferreira estavam aparentemente bêbados fizeram interrupções e comentários ofensivos no evento com Anna Muylaert

Do JC Online
Do JC Online
Publicado em 31/08/2015 às 4:15
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Cláudio Assis e Lírio Ferreira estavam aparentemente bêbados fizeram interrupções e comentários ofensivos no evento com Anna Muylaert - FOTO: Divulgação
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Por conta de interrupções e comentários ofensivos de dois cineastas pernambucanos, Lírio Ferreira e Cláudio Assis, o debate após a sessão do filme Que Horas Ela Volta?, com a diretora Anna Muylaert, no sábado, no Cinema do Museu, causou indignação e revolta no público presente. Anna chegou ao evento acompanhada dos colegas de profissão, mas, ao longo da conversa sobre o filme, foi várias vezes impedida de falar por Cláudio e Lírio, que, segundo relatos em redes sociais de pessoas que estiveram presentes, chamaram Regina Casé de “gorda”, fizeram ofensas homofóbicas ao maquiador do longa e ironizaram perguntas do público.

Em entrevista ao JC, Anna Muylaert comentou que é amiga há muito tempo de Claudio e que ele e Lírio chegaram ao debate bêbados. “Ele (Cláudio) teve uma atitude machista mesmo. Na hora em que eu fui começar a falar, ele pegou o microfone e começou a falar de outro projeto nosso. Não deixou que eu sentasse no lugar do debate. Eu obedeci. Ele começou a atrapalhar a fluidez do diálogo. Como eu gosto muito dele, eu fui tentando lidar de uma maneira educada. Lírio ficava repetindo a mesma coisa mil vezes: ‘Melhor filme do ano’. Deram vexame. Não é novidade pra ninguém e as pessoas resolveram falar dessa vez”, revelou.

Segundo ela, situações assim são recorrentes, ainda mais quando um mulher está em evidência – Que Horas Ela Volta? tem recebido muita atenção da crítica aqui e fora do Brasil. “Tem egolatria, que é um aspecto talvez originário do machismo. É tanta egolatria que não aceita que o outro possa existir”, ponderou. “Eles estavam alcoolizados, não estavam conscientes. Não estou brigada com eles. Só acho que fizeram uma coisa infantil, boba. É hora de se falar disso, mais do que demonizar esses dois meninos que estavam alcoolizados.”

Um dos presentes foi um dos diretores de arte do filme, Thales Junqueira, que expressou na hora o seu incômodo. No Facebook, sintetizou a participação de Cláudio e Lírio como um “show de machismo, sexismo, gordofobia”. A jornalista e crítica Carol Almeida também reclamou da postura dos cineastas. “Não importa o quanto eles gostaram do filme, ou do quanto estariam lá porque eram amigos dela. O fato é que: eles reproduziram exatamente o machismo do qual a própria Anna, sendo mulher e realizadora de cinema, certamente sempre sofreu (e, como se vê, ainda sofre)”, escreveu no Facebook. Fábio Leal, também na rede social, questionou: “Até quando as pessoas vão botar na conta do álcool o machismo e misoginia de Claudio Assis e Lírio Ferreira? Até quando as pessoas vão rir e achar pitorescas as agressões sucessivas desses dois?”.

Em nota, o Cinema da Fundação Joaquim Nabuco pediu desculpa “aos frequentadores incomodados”. “A situação desagradável e o constrangimento causados servirão de exemplo para novas medidas a serem tomadas pela Fundaj, instituição que não corrobora nenhuma expressão de preconceito”.

Na postagem de Thales Junqueira, um dos responsáveis pela programação dos cinemas da Fundaj, Kleber Mendonça Filho, chamou o caso de “desrespeito, além de a Anna, ao filme, equipe e público, também ao Cinema da Fundação/CANNE, que trabalhou pra c... desde julho pra trazer Anna ontem”.

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