Estreia

Spotlight dá uma aula de jornalismo

Filme conta a história real da investigação jornalística que expôs a pedofilia na Igreja Católica

Marcos Toledo
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Marcos Toledo
Publicado em 07/01/2016 às 6:00
Sony Pictures/Divulgação
Filme conta a história real da investigação jornalística que expôs a pedofilia na Igreja Católica - FOTO: Sony Pictures/Divulgação
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Spotlight: Segredos Revelados (Spotlight, EUA, 2015), que estreia esta quinta-feira (7/1) nas salas brasileiras, é uma daquelas obras que dá prazer de sentar na cadeira do cinema e passar duas horas assistindo. Não à toa foi escolhida esta semana o Melhor Filme de 2015 pela Associação Nacional de Críticos de Cinema dos EUA (NSFC). Primeiro porque, mesmo optando por uma narrativa aparentemente simples, revela-se muito mais complexo. São diversos filmes dentro de um mesmo longa-metragem. No meio de um de rol de plots e subplots, tem como principal foco a investigação de uma equipe (a Spotlight do título) de jornalistas do jornal americano Boston Globe que expôs definitivamente o fenômeno generalizado de pedofilia na Igreja Católica. Mas também já pode ser incluído na lista de melhores filmes sobre jornalismo de todos os tempos. É uma aula, sobretudo de reportagem investigativa, além de muito bem contextualizado na conjuntura contemporânea da profissão.

Para caber em duas horas e oito minutos, o diretor e corroteirista (que assina o texto com Josh Singer, de O Quinto Poder) Tom McCarthy apela para as elipses no início do longa até logo chegar ao ponto que interessa, no ano de 2001, quando a confluência de alguns episódio dá início à retomada das investigações sobre pedofilia na Igreja em Boston. Indicado ao Globo de Ouro - cuja cerimônia de premiação ocorre no próximo domingo (10/1) - nas categorias Melhor Filme (Drama), Melhor Diretor e Melhor Roteiro, Spotlight já é também o grande momento da carreira de McCarthy.

A trama têm início efetivamente com a chegada do executivo - uma espécie de consultor - Marty Baron (Liev Schreiber), em 2001, à Redação do jornal Boston Globe. Ele vê em uma nota do cotidiano uma dessas grandes histórias. A partir daí, a equipe de jornalismo investigativo - que trabalha de forma quase sigilosa dentro do próprio jornal -, formada por Walter Robby Robinson (papel do ator Michael Keaton), Mike Rezendes (Mark Ruffalo), Rachel McAdams (Sacha Pfeiffer), Matt Carroll (Brian d'Arcy James) e Ben Bradlee Jr. (John Slattery), é instruída a também ter fé de que ali havia uma grande história e priorizar as denúncias de abuso de crianças por parte de padres da Arquidiocese de Boston.

A apuração e publicação do caso gerou um escândalo sem precedentes de repercussão nacional e internacional com efeitos até os dias atuais. Spotlight, o filme, conta para os espectadores como se deu todo o processo desde o início, de forma realista, sem glamour nem romance. Imperdível.

Leia a crítica completa na edição desta quinta-feira (7/1) do Caderno C do Jornal do Commercio.

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